Economia informal do Brasil é maior que o PIB da Argentina

A economia subterrá¢nea no Brasil atingiu R$ 578 bilhões no ano passado, o que equivale a 18,4% do PIB nacional e praticamente supera todo o valor da economia da Argentina. Os números fazem parte do novo ándice da Economia Subterrá¢nea, que compreende toda a produção de bens e serviços deliberadamente não reportada aos governos e divulgado nesta quarta-feira (21) pelo Instituto Brasileiro de á‰tica Concorrencial (ETCO) e Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getulio Vargas (Ibre/FGV). Pela primeira vez o Brasil está conhecendo o tamanho da economia informal. 

Segundo o pesquisador do Ibre/FGV e responsável pelo estudo , Fernando de Holanda Barbosa Filho, a nova forma de mensuração é, na realidade, uma evolução natural e necessária do índice e o torna muito mais preciso, ainda que, por conta da própria caracteística da matéria estudada, seja obtido em forma de estimativa. Para ele, a obtenção desta estimativa é um excepcional avanço e responde a uma das principais questões, ou seja, medir o quanto se produz na economia subterrá¢nea brasileira e comparar isso com outros indicadores, obtendo-se uma ordem de grandeza concreta.

O número divulgado não deixa dúvidas quanto á  dimensão atingida pela atividade subterrá¢nea no Brasil. Estamos falando de quase R$ 600 bilhões, que ficam á  margem da economia formal brasileira. Para dar uma idéia da gravidade desse problema, basta lembrar que a economia subterrá¢nea do Brasil supera toda a economia da Argentina”, ressalta André Franco Montoro Filho, diretor executivo do Etco. Ele acredita que esse valor chamará mais atenção da opinião pública para o assunto e abrirá ainda mais espaço para a discussão sobre suas consequências para o País.

O estudo divulgado hoje permite ainda que seja feita a comparação dos valores desde o ano de 2003, quando foi iniciada a série de estimativas do índice. No peíodo, os valores absolutos passaram de R$ 357 bilhões para os atuais R$ 578 bilhões. Como o PIB teve um crescimento de R$ 1.700 bilhões para R$ 3.143 bilhões, porcentualmente observa-se uma queda na comparação, de 21% para 18,4% em seis anos.

A informalidade, além de suas relações com o crime organizado e de precarizar as condições de trabalho, traz prejuízos diretos para a sociedade, cria um ambiente de transgressão, estimula o comportamento oportunista com queda na qualidade do investimento e redução do potencial de crescimento da economia brasileira. Além disso, provoca a redução de recursos governamentais destinados a programas de educação, saúde e infraestrutura.

Soma

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