Empresas internacionalizadas devem se preparar para nova relação comercial e diplomática entre BR e EUA

A gestão de Biden imprimirá uma nova conjuntura para as empresas brasileiras que se internacionalizaram ou pretendem buscar espaço nos Estados Unidos, afirma o economista presidente da Consultoria Oxford, Carlo Barbieri (foto), que auxilia, há mais de 30 anos, empresários brasileiros a levarem produtos e serviços ao país norte-americano.
O cenário para o Comércio Exterior brasileiro, embora com projeções positivas neste momento pós-pandemia, deverá seguir enfrentando desafios em 2021. A previsão para o ano da Secretaria de Comércio Exterior do Brasil, é que as exportações cheguem a US$ 221,1 bilhões, um crescimento de 5,3% em relação a 2020. Para as importações, a estimativa é de US$ 168,1 bilhões, com aumento de 5,8%. Assim, o saldo deve ficar em US$ 53 bilhões, crescendo 3,9%, enquanto a corrente de comércio prevista alcança US$ 389,2 bilhões, crescendo 5,5%.
O otimismo para a economia global previsto pela ONU (Organização das Nações Unidas), com um crescimento estimado em 4,7% em 2021, após uma contração estimada de 4,3% em 2020, deve estimular o Brasil a seguir com produtos competitivos no mercado internacional. Mas a tarefa não será fácil. De acordo com Carlo Barbieri, as empresas brasileiras deverão se preparar.
“A mudança de ordem política nos EUA deve imprimir ao longo do ano uma série de mudanças na relação comercial com o Brasil. O cenário exigirá uma série de alterações na relação diplomática entre os países o que deve impactar as empresas brasileiras que já se internacionalizaram e àquelas que pretendem se internacionalizar ao longo dos próximos quatro anos. É preciso compreender bem o momento para evitar prejuízos”, alerta Carlo Barbieri.
Superação Econômica
O ano de 2020 foi um ano de superação para vários empresários e investidores brasileiros nos EUA. Segundo relatório do Monitor do Comércio Brasil-Estados Unidos o saldo da balança comercial brasileira com os Estados Unidos em 2020 foi o pior em 6 anos: déficit de US$ 2,7 bilhões. O dado mostra que o país foi o parceiro mais afetado entre todos os destinos de exportação do Brasil no ano passado. As importações somaram US$ 24,1 bilhões, queda de 19,8% em relação ao ano anterior.
Apesar dos efeitos negativos da pandemia, nem tudo está perdido, há motivos para que 2021 seja o melhor ano com o avanço da vacina e a retomada mais forte das atividades econômicas nos Estados Unidos. A taxa de câmbio pode ser um fator impulsionador no fluxo comercial. A possível valorização do real e a expectativa do FMI de crescimento de 2,6% da economia brasileira devem levar a aumentos nos níveis de recuperação do país, inclusive de produtos exportados pelos Estados Unidos.
De acordo com os dados da Secretaria de Estado da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Seapa), no ano passado as exportações brasileiras bateram recorde e o crescimento foi de 9,2%. Com 16,2 milhões de toneladas exportadas, as vendas de celulose alcançaram o melhor resultado da história em volume. O valor obtido com as vendas não foi recorde, mas, mesmo assim, alcançou a marca de US$ 5,9 bilhões, tendo os Estados Unidos como um dos principais destinos.
“Mesmo com o cenário da crise, o brasileiro tem buscado investimento no mercado americano. Queda de juros e alta do dólar podem explicar alta de 20% em aplicações no exterior. Já no Brasil os investimentos estrangeiros diretos tiveram uma queda de 41% de acordo com o Banco Central. Ou seja, foi a menor entrada de investimento no país em 11 anos. O que nos mostra que a busca por investimentos em uma economia sólida como a dos EUA segue sendo uma alternativa considerada segura”, explica Carlo Barbieri.
Empreendendo na Terra do Tio Sam
O economista explica que a consultoria Oxford detectou aumento de mais de 47% na procura de brasileiros interessados em internacionalizar produtos, marcas e serviços para os Estados Unidos somente em 2020. Um número que chama atenção já que o contexto foi de pandemia. Barbieri explica que as vantagens para se abrir uma empresa nos EUA seguem atraindo os brasileiros, mesmo no momento de crise.
“Existem diversas vantagens de internacionalizar uma empresa através dos EUA. Em comparação com outros países, os Estados Unidos oferecem vantagens inquestionáveis. Entre elas: Não há capital mínimo necessário para a configuração de uma empresa; O empreendedor não precisa residir no país; As pessoas jurídicas não pagam impostos (a exceção das corporações); Em vários estados como a Flórida, não há legislação trabalhista; Processos burocráticos muito simplificados; Uma empresa pode ser administrada por outra empresa; Sistema legal ágil e justo; Existem mais de 2000 vantagens governamentais para incentivar a abertura e desenvolvimento das empresas no país; Em alguns estados, há a preservação do sigilo com relação aos proprietários; entre outras”, pondera Barbieri.
Internacionalizar, não significa exportar, afirma o consultor. Exportar pode ser parte do processo, mas internacionalizar é muito mais, inclusive usar, no caso, os EUA como sua plataforma para atingir outros mercados, além do americano. São mais de 2000 vantagens que os diversos níveis do governo americano oferece para a instalação e desenvolvimento das empresas, nos EUA.
O economista explica que é fundamental a busca por informação antes da internacionalização a fim de evitar prejuízos e naufrágio da iniciativa. “Quem está em torno da ideia de fazer negócios com parceiros ou empresas localizadas nos EUA, a melhor opção será montar sua própria empresa no país. Possuir uma empresa americana é uma grande carta de apresentação que abrirá mais portas para nós do que se estivesse localizada em outro lugar, principalmente no pós pandemia”, afirma








