Diminuem as fraudes contra empresas

Os prejuízos causados por tentativas de golpes contra empresas recuaram 39% de junho de 2009 a maio de 2010, em relação aos 12 meses anteriores. Levantamento feito pela Serasa Experian revela que o montante de perdas caiu de R$ 221,7 milhões de junho/2008 a maio/2009, para R$ 160 milhões no peíodo em análise, apesar de as tentativas de fraudes detectadas terem aumentado 63%, saindo de 2.950 (2008/2009) para 4.800 (2009/2010). Mais de 90% das tentativas foram aplicadas por empresas de pequeno porte. A prevenção contra riscos e prejuízos dessa natureza, segundo o presidente da Unidade de Negócios de Crédito da Serasa Experian, Laércio de Oliveira, passa pela rigorosa validação de dados cadastrais da empresa e dos sócios.

Para Oliveira, esses números revelam que os instrumentos antifraudes têm se mostrado cada vez mais eficientes na identificação de inconsistências de dados e informações que representem riscos e possam resultar em perdas mercantis no momento da venda. A maioria das pequenas e médias empresas fraudadoras estão localizadas na região Sudeste (46%), contabilizando mais de R$ 102 milhões em perdas. Logo em seguida aparece o Sul do País (23%), com R$ 26 milhões em prejuízos; o Nordeste está em terceiro lugar (15%), com R$ 14 milhões; em seguida a região Centro-Oeste (11%), R$ 12 milhões; e, por último a região Norte (6%), com R$ 6 milhões de prejuízos. Os segmentos que mais sofreram golpes foram os comércios de produtos alimentícios (24%), materiais para construção (16%), vestuário e acessórios (10%) e atacadista de alimentos e bebidas (6%), por trabalharem com produtos de fácil aceitação.

Os golpes mais comuns são caracterizados por empresas que compram outras empresas, muitas delas inativas. Roubo de identidade, furto e uso indevido de CNPJ além de alterações fraudulentas de contrato social, emissão e desconto de duplicatas frias, compras em fornecedores de diversos segmentos não ligados á  atividade da empresa e cheques posteriormente sustados estão também entre os golpes frequentes.

A pesquisa revela que o momento mais vulnerável para as pequenas e médias empresas é justamente quando as empresas buscam ampliar seus negócios e conquistar novos clientes. Isso porque, nessa hora, elas estão muito mais preocupadas em crescer, e nem sempre investem em processos antifraudes. Com isso, acabam se tornando alvo fácil das ações dessas empresas inidôneas”, destaca Oliveira.

A maior adimplência das pequenas e médias empresas tem tornado o segmento um dos mais atraentes para fraudes. Com uma vida financeira mais ordenada e nem sempre acompanhada por processos de segurança internos, tal situação abre espaço para a utilização indevida, por parte de terceiros, de seus bons indicadores. Os fraudadores procuram empresas mais vulneráveis para aplicação dos golpes”, acrescenta o executivo.

As pequenas e médias empresas, por exemplo, quando deixam de operar e encerram suas atividades, simplesmente baixam as portas e muitas vezes não fecham a empresa formalmente. Um dos motivos para isso é o custo de seu encerramento. Isso favorece a ação de golpistas para aplicação da fraude mercantil, aproveitando o relacionamento comercial passado da empresa e o tempo de existência do CNPJ no mercado.

A maior incidência de tentativas de fraudes em setores de comércio de produtos alimentícios, vestuário e materiais de construção ocorre porque esses estabelecimentos comercializam produtos de fácil revenda” e grande aceitação, permitindo o giro de forma rápida com pouca necessidade de estocagem. Os fraudadores geralmente vendem a mercadoria por valor bem abaixo do custo, garantindo assim capital para aplicação de novos golpes”, conta Laércio de Oliveira.

Confira alguns cuidados que podem prevenir o risco de ser alvo de empresas fraudadoras:

– Confronte o CNPJ com a razão social – razão social com ramo de atividade.
– Observe a data de fundação da empresa e se ela permaneceu em atividade no peíodo entre a fundação e o momento de realização de um negócio.
– Verifique se o endereço de entrega é um endereço oficial da empresa.
– Verifique se o ramo de atividade da empresa é compatível com os produtos que estão sendo adquiridos.
– Desconfie das fontes de referência dadas pelo cliente (em muitos casos os dados indicados nem sempre são daquele fornecedor).
– Cerque-se de cautela quando receber, por telefone, pedidos de compra de clientes desconhecidos e quando o comprador preferir retirar as mercadorias com o fornecedor, evitando receber na sede.
– Cuidado com os pedidos de compra a prazo de mercadorias ou bens cuja utilização não seja comum no ramo de atividade do suposto cliente.

Soma

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