Salário emocional: empresas devem apostar em autonomia e flexibilidade

Salário emocional: empresas devem apostar em autonomia e flexibilidade

A remuneração é um dos principais aspectos responsáveis por atrair e reter talentos, mas não o único. Cada vez mais, os profissionais têm valorizado elementos não financeiros capazes de aumentar a satisfação no trabalho, é o chamado “salário emocional”. Autonomia, bom clima organizacional, oportunidade de desenvolvimento, horário e benefícios flexíveis são alguns exemplos que integram esse conceito.

Pesquisa realizada pela startup de recrutamento Revelo, em parceria com o jornal Estadão, no ano passado, elencou as características que fazem uma empresa ser ideal para trabalhar. De acordo com 69% dos profissionais entrevistados, o horário flexível e o home office são os principais atrativos. Em seguida aparecem empatados, com 36%, o salário acima da média do mercado e o compromisso com diversidade, sustentabilidade e outros propósitos. 

Os aspectos não financeiros que contribuem para a satisfação dos funcionários têm um papel fundamental dentro e fora das empresas. Para os profissionais, representam motivação e bem-estar. Para os empregadores, são sinônimo de competitividade no mercado.

O que é o salário emocional?

O conceito está relacionado a uma série de fatores que promovem a satisfação do funcionário em trabalhar para uma empresa. Esses elementos não correspondem aos valores financeiros e benefícios obrigatórios. São aspectos atrativos que, inclusive, podem variar de acordo com cada profissional e/ou organização.

Em entrevista concedida à BBC News Mundo, em fevereiro, a especialista em recursos humanos e pesquisadora do tema, Marisa Elizundia, observou que as pessoas passam cerca de um terço da vida trabalhando e, por isso, não devem resumir a atividade apenas aos aspectos econômicos. 

Nesse sentido, Elizundia avalia a necessidade de os empregadores oferecerem outros tipos de contrapartida. Ela ressalta que pessoas infelizes são improdutivas, no entanto, pondera que o salário emocional não é capaz de compensar um baixo salário econômico, sendo necessário alinhar a oferta de ambos.  

Vantagens para a equipe

O salário emocional não substitui a remuneração, mas trata-se de mais um incentivo para os profissionais. Ele contribui para a valorização, o sentimento de pertencimento e o prazer de trabalhar para a empresa, o que impacta positivamente nas relações interpessoais e na produtividade.

Outras vantagens podem ser observadas de forma específica para cada elemento que pode compor o salário emocional. O horário flexível, por exemplo, permite o maior equilíbrio entre a rotina de trabalho e a vida pessoal. Os benefícios flexíveis dão autonomia para os profissionais optarem pelas vantagens mais compatíveis com o seu perfil.

Em pesquisa realizada em 20 países com profissionais de diferentes áreas, Elizundia concluiu que dez fatores contribuem para “medir” o salário emocional. São eles a autonomia, o pertencimento, a criatividade, o plano de carreira, o prazer, o domínio da função, a inspiração, o desenvolvimento pessoal, o crescimento profissional e o propósito.

De acordo com a pesquisadora, cada indivíduo tem suas particularidades e, por isso, pode priorizar um aspecto em relação ao outro. O salário emocional, portanto, não é fixo, pode mudar com o tempo e conforme o interesse dos profissionais, mas cabe às empresas estarem atentas às suas equipes.

Motivos para a adoção

Para as empresas, a adoção do salário emocional também reserva vantagens. Além de um atrativo a mais na hora da contratação, o que confere maior competitividade em relação aos concorrentes, também é uma forma de motivar a equipe. 

Vale ressaltar que profissionais motivados são sinônimo de menor rotatividade para a empresa. O funcionário que se sente valorizado apresenta um comportamento mais pró-ativo e participativo, contribuindo para um bom clima organizacional e melhores resultados.

O salário emocional pode ser compreendido como uma ferramenta capaz de atrair, reter e potencializar talentos, quando bem utilizado. O autor dos livros “Filosofia de Gestão”, “Felicidade dá Lucro” e “O Fim do Círculo Vicioso”, Márcio Fernandes, atenta em sua coluna para a VOCÊ S/A, publicada no ano passado, sobre os cuidados de gestores não realizarem uma prática controversa.

Relatando sua experiência no texto, Márcio exemplifica o sentimento de um funcionário quando o salário emocional não é associado à compensação remunerada e nem ao desenvolvimento profissional. O resultado acaba sendo o oposto: desmotivação.

Como implantar

A implantação desta política de valorização deve ser realizada com a participação de todos os setores e estar em conformidade com a cultura organizacional. Para a definição dos “tipos” de salário emocional que serão oferecidos, é necessário conhecer o perfil dos funcionários que integram a equipe e daqueles que a empresa deseja contratar. É importante que os benefícios sejam compatíveis com o público que irá usufruí-los.

Outro ponto fundamental é que essas vantagens estejam disponíveis para todos os colaboradores para garantir o sentimento de pertencimento. Caso contrário, a sensação será de exclusão, o que pode resultar em efeitos contrários como o exemplificado por Márcio Fernandes em sua coluna.

O autor, inclusive, orienta que o salário emocional esteja vinculado a algo que faça sentido para a cultura da empresa e para o funcionário, não devendo “se tornar um título de nobreza”. Ele também afirma que a ferramenta não substitui ajustes de remuneração.

Vale destacar ainda que, no processo de implantação, é importante a presença de uma liderança engajada, que envolva a equipe e se preocupe com a satisfação do grupo.

Crédito da foto –NappyStock/Nappy



Mirian Gasparin

Mirian Gasparin, natural de Curitiba, é formada em Comunicação Social com habilitação em Jornalismo pela Universidade Federal do Paraná e pós-graduada em Finanças Corporativas pela Universidade Federal do Paraná.Profissional com experiência de 50 anos na área de jornalismo, sendo 48 somente na área econômica, com trabalhos pela Rádio Cultura de Curitiba, Jornal Indústria & Comércio e Jornal Gazeta do Povo. Também foi assessora de imprensa das Secretarias de Estado da Fazenda, da Indústria, Comércio e Desenvolvimento Econômico e da Comunicação Social.Desde abril de 2006 é colunista de Negócios da Rádio BandNews Curitiba e escreveu para a revista Soluções do Sebrae/PR. Também é professora titular nos cursos de Jornalismo e Ciências Contábeis da Universidade Tuiuti do Paraná. Ministra cursos para empresários e executivos de empresas paranaenses, de São Paulo e Rio de Janeiro sobre Comunicação e Língua Portuguesa e faz palestras sobre Investimentos.Em julho de 2007 veio um novo desafio profissional, com o blog de Economia no Portal Jornale. Em abril de 2013 passou a ter um blog de Economia no portal Jornal e Notícias. E a partir de maio de 2014, quando completou 40 anos de jornalismo, lançou seu blog independente. Nestes 16 anos de blog, mais de 35 mil matérias foram postadas.Ao longo de sua carreira recebeu 20 prêmios, com destaque para o VII Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º e 3º lugar na categoria webjornalismo em 2023); Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º lugar Internet em 2017 e 2016);Prêmio Sistema Fiep de Jornalismo (1º lugar Internet – 2014 e 3º lugar Internet – 2015); Melhor Jornalista de Economia do Paraná concedido pelo Conselho Regional de Economia do Paraná (agosto de 2010); Prêmio Associação Comercial do Paraná de Jornalismo de Economia (outubro de 2010), Destaque do Jornalismo Econômico do Paraná -Shopping Novo Batel (março de 2011). Em dezembro de 2009 ganhou o prêmio Destaque em Radiodifusão nos Melhores do Ano do jornal Diário Popular. Demais prêmios: Prêmio Ceag de Jornalismo, Centro de Apoio à Pequena e Média Empresa do Paraná, atual Sebrae (1987), Prêmio Cidade de Curitiba na categoria Jornalismo Econômico da Câmara Municipal de Curitiba (1990), Prêmio Qualidade Paraná, da International, Exporters Services (1991), Prêmio Abril de Jornalismo, Editora Abril (1992), Prêmio destaque de Jornalismo Econômico, Fiat Allis (1993), Prêmio Mercosul e o Paraná, Federação das Indústrias do Estado do Paraná (1995), As mulheres pioneiras no jornalismo do Paraná, Conselho Estadual da Mulher do Paraná (1996), Mulher de Destaque, Câmara Municipal de Curitiba (1999), Reconhecimento profissional, Sindicato dos Engenheiros do Estado do Paraná (2005), Reconhecimento profissional, Rotary Club de Curitiba Gralha Azul (2005).Faz parte da publicação “Jornalistas Brasileiros – Quem é quem no Jornalismo de Economia”, livro organizado por Eduardo Ribeiro e Engel Paschoal que traz os maiores nomes do Jornalismo Econômico brasileiro.

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