Mundo precisa de revolução industrial de baixo carbono

Se o mundo não conseguir uma revolução industrial de baixo carbono nos próximos anos, a situação ficará insustentável para o planeta”. O alerta foi feito nesta terça-feira (10), em São Paulo, pelo economista inglês, Nicholas Stern (foto), autor do Relatório Stern, ex vice-presidente sênior do Banco Mundial, atualmente professor da London School of Economics e considerado a maior autoridade na questão de meio ambiente. Ele veio ao Brasil para participar do Fórum de Varejo Walmart – Um olhar para o futuro, que será realizado nesta quarta-feira (11), na capital paulista.

Durante entrevista coletiva á  imprensa, Stern disse que os dois maiores problemas de nosso tempo é superar a pobreza nos países em desenvolvimento e combater a mudança climática. Ignorar a mudança climática resultará num ambiente cada vez mais hostil ao desenvolvimento e á  redução da pobreza, mas tentar lidar com a mudança climática impedindo o crescimento e o desenvolvimento danificaria de modo fatal a cooperação entre países desenvolvidos e em desenvolvimento, essencial ao sucesso.

Stern, que  ficou mundialmente conhecido em 2006, quando o relatório Stern fez com que as mudanças climáticas entrassem para a agenda de discussões do governo e das empresas de todo o mundo, defende que países ricos e pobres precisam trabalhar juntos de forma sólida e sustentável para alcançar o crescimento de baixo carbono. Para tal, não é necessário deter ou reduzir o crescimento econômico, caso contrário, os países em desenvolvimento terão ainda mais dificuldades de sair da pobreza.

Para ele, o perigo da mudança climática não está apenas no aumento do calor. Mas, a maior parte dos danos se relacionam á  água ou á  sua escassez, tempestades, secas, inundações e elevação dos níveis do mar. Os níveis de aquecimento (5 graus acima do verificado em 1950) aos quais o planeta está sujeito seriam altamente prejudiciais a todos os países do mundo, sejam ricos ou pobres. Uma transformação na geografia física do mundo também modificaria a geografia humana, ou seja, onde e como vivemos.

Nicholas Stern teceu elogios ao Brasil, principalmente porque investiu em energias alternativas como o etanol e bicombustíveis. Ele também citou Portugal que partiu para a energia eólica e solar; a Islá¢ndia que está explorando a energia geotérmica e a França que está usando energia nuclear. Os quatro países seguiram caminhos diferentes e isso deve ser comemorado, pois outras nações podem adotar exemplos como esses”, afirma. As decisões que forem tomadas daqui para frente no tocante ao trato das florestas, a melhor utilização da energia e a organização dos meios de transporte determinarão segundo Stern, que riscos o mundo correrá no futuro. As medidas necessárias para enfrentar as mudanças climáticas exigirão intensa colaboração internacional e se forem bem sucedidas, garantirão não só o futuro como a prosperidade do homem.

Soma

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