Prêmio Economista do Ano

በcom muita alegria que recebi nesta sexta-feira (13) o Prêmio Economista Paranaense do Ano, na categoria Jornalista Econômico, conferido pelo Conselho Regional de Economia do Paraná (Corecon/PR). O prêmio tem como objetivo reconhecer o trabalho realizado por economistas que se destacam no setor acadêmico e no mercado, bem como por jornalistas e comentaristas econômicos. A premiação aconteceu durante solenidade no Restaurante Dom Antonio, no bairro Santa Felicidade, em Curitiba (PR). Na categoria Economista do Ano o vencedor foi o economista José Moraes Neto e na categoria Acadêmico do Ano, quem venceu foi o pós-doutor e professor da Universidade Tecnológica Federal d Paraná, Christian Luiz da Silva.

Já recebi vários prêmios nos meus 36 anos de jornalista, sendo 34 anos dedicados á  área econômica, mas eu tenho que confessar que a emoção de ter sido a vencedora, principalmente por ter sido escolhida pelos economistas do Paraná, me tocou lá fundo. E me veio á  mente, como num filme, as mais de três décadas de cobertura jornalística nos veículos de comunicação (jornal, revista, internet e rádio) em que exerci e ainda exerço a minha profissão com muita dedicação e entusiasmo.

Tenho que confessar: nestes 34 anos de reportagens econômicas, tive a oportunidade de cobrir os cinco grandes planos econômicos lançados pelo governo, que começaram em fevereiro de 1986 com o Cruzado, Bresser em julho de 1987, Verão em janeiro de 1989, Collor em março de 1990 e, finalmente, o Real em junho de 1993, que desindexou a economia brasileira, livrou o Brasil do vício da correção monetária e abriu caminho para a estabilização. Não só conheci no bolso como também fiz centenas de matérias sobre hiperinflação e a alta desenfreada das taxas de juros. Aliás, a matéria que mais me marcou foi no dia 28 de fevereiro de 1990, quando a taxa de juro no overnight bateu 80% ao mês. Congelamentos de preços? Quantas matérias escrevi no jornal Indústria e Comércio sobre o tema? Perdi a conta. E as falências e concordatas? Triste peíodo que acabou com grandes empresas paranaenses.

Mas, além de dar muito trabalho para fazer a cobertura diária em tempos de desestabilização econômica, ainda tínhamos que dobrar e redobrar nossas atenções nas sextas-feiras depois das 20 horas ou em véspera de feriados ou domingos. Eram os dias escolhidos pelo governo para anunciar a alta dos combustíveis, de desvalorizar a moeda em relação ao dólar ou de anunciar planos econômicos. Quando já estava pegando a bolsa para ir para casa, notícias como estas caíam como bombas na redação e o trabalho começava tudo de novo.

Fui do tempo da máquina de escrever (hoje o computador facilita tudo e até corrige); de fazer pesquisas sobre determinados assuntos na Biblioteca Pública (hoje o Google resolve tudo) e até aprendi (com muito orgulho) a fazer algumas operações matemáticas e financeiras pelo telefone com as minhas fontes. Minha primeira agenda com o nome e telefone das fontes tenho guardada até hoje. Ah! estava me esquecendo! Também fui do tempo do telex e quando chegou o fax, que alegria! Quanto tempo esse aparelho nos poupava.

No peíodo em que trabalhei em redação de jornal (foram exatamente 30 anos) esperava com entusiasmo a repercussão das notícias e dos furos de reportagem no dia seguinte. Hoje, com o blog, a notícia repercute na hora e em todos os cantos do mundo, o que é muito melhor. No rádio, a repercussão também é imediata, mas se dá ao nível local.

Não dá para contar tudo. Daria um livro. Posso afirmar que fazer jornalismo hoje dá menos trabalho que há três décadas. As notícias econômicas continuam, mas estão bem mais amenas para o bolso dos consumidores. Obrigada Deus por permitir que eu viva intensamente a minha profissão, obrigada economistas do Paraná, obrigada minhas fieis fontes.

Fotos – Marcelo Miranda

Soma

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