Debêntures incentivadas respondem por R$ 6,5 bilhões de investimentos

Debêntures incentivadas respondem por R$ 6,5 bilhões de investimentos

O debate sobre as emissões de debêntures incentivadas para os setores logístico e de transporte de cargas do país ganhou mais um capítulo.. O tema foi um dos destaques do segundo dia da Intermodal Xperience 2021, o maior evento digital da América Latina para estes mercados, que está sendo realizado ao longo desta semana.

Para o diretor do departamento de fomento e desenvolvimento da infraestrutura nacional, vinculado ao Ministério da Infraestrutura, Rafael Furtado, esta é uma discussão extremamente relevante, visto que os setores logístico e de transporte de cargas são dois dos maiores demandantes do recurso. Desde 2012, quando esse tipo de financiamento foi criado, os projetos destes segmentos foram responsáveis pela emissão de, aproximadamente, 23% das debêntures incentivadas de infraestrutura – ficando atrás apenas das emissões provenientes da área energética, que respondem por cerca de 69%.

“De lá para cá, aproximadamente R$126 bilhões foram investidos na área da infraestrutura por meio de debêntures incentivadas e o setor de logística e de transporte responde por cerca de R$30 bilhões deste total. Somente este ano, tivemos as emissões de R$ 12 bilhões no setor de energia e de mais R$6,5 bilhões nas áreas de logística e de transporte. Para se ter uma ideia, em 2021, já temos mais financiamentos por meio de debêntures incentivadas do que pelo BNDES, no setor de infraestrutura”, afirmou.

Quem também comentou o assunto na segunda edição do evento virtual – promovido pela Intermodal (a maior plataforma de negócios para estes mercados) e pela Associação Brasileira de Logística (ABRALOG) – foi o diretor de relações institucionais da Frente Parlamentar Mista de Logística e Infraestrutura (Frenlogi), Edinho Bez. O parlamentar ressaltou o Projeto de Lei que está em tramitação no Senado Federal – o PL 2.646 de 2020, mais conhecido como PL das Debêntures, que atualiza o papel das debêntures de infraestrutura, promove alterações no marco legal das debêntures incentivadas e na regulação dos fundos de investimentos do setor.

“Esse projeto nasceu pela falta de capacidade do Governo Federal em promover investimentos na área da infraestrutura nacional e em atender as demandas do setor. Percebemos que, se o governo não possuía recursos, precisávamos encontrar alternativas. Este foi o principal intuito da criação desse PL, que tem como objetivo alavancar recursos para o setor, incentivar os investidores a realizarem seus aportes no país, garantir mais segurança jurídica para eles e, acima de tudo, resgatar a esperança dos brasileiros. Além disso, queremos também facilitar este processo e torná-lo menos burocrático, de forma com que os interessados sintam-se mais à vontade para apostar no Brasil”, completou.

Perspectivas para o mercado de real estate, galpões e condomínios logísticos no Brasil – O desempenho do mercado imobiliário de galpões logísticos industriais, em 2020 e 2021, surpreendeu até os especialistas mais otimistas da área. A sócia fundadora da SDS Properties, imobiliária de imóveis logísticos industriais, Simone Santos, destacou que, no pior ano da história global recente, quando o mundo foi acometido pela pandemia do coronavírus no começo de 2020, o mercado de condomínios logísticos iniciou um novo ciclo. “Os condomínios logísticos transformaram-se na ‘jóia da coroa’ do mercado imobiliário”.

Os números do setor em 2020 mostram o começo desse novo ciclo, com a locação de 2.600.000 m², uma taxa de vacância de 14% e um valor médio de locação em R$19 por m². E em 2021, a indicação das estatísticas do mercado é que esses resultados positivos serão mantidos. No segundo trimestre deste ano, de acordo com a SiiLa – plataforma de dados do mercado imobiliário comercial – o valor médio de locação está em R$19,23 e a taxa média de vacância em 10,58%. Em uma simples comparação, o último ciclo do setor, de 2014 a 2019, registrou uma média de vacância na marca de 30% em algumas regiões e valores de locação abaixo de R$15 por m².

A sócia fundadora da SDS Properties explicou que, no cenário atual, o principal fator para explicar esse movimento é o boom do e-commerce, uma tendência que virou realidade e exigiu a locação de mais galpões para serem utilizados como centros de distribuição por operadores logísticos. Outro fator relevante foi a queda na taxa Selic, que abriu caminho para os fundos imobiliários, gerando volume nas locações e no interesse em novos investimentos.

Simone ressaltou também os novos mercados em outros estados, fora de São Paulo, que estão sendo potencializados também pelo e-commerce e por incentivos fiscais. Um exemplo é na cidade de Extrema, em Minas Gerais, onde não há vacância de galpões e os valores médios de locação são R$ 24 por m². “A região recebeu grandes centros de distribuição de marcas como a Dafiti, Tok & Stok e Mercado Livre. As novas locações acontecem antes do término da construção”, pontuou a executiva, que acrescentou: “percebemos uma menor flexibilidade dos proprietários nas negociações, neste novo ciclo é a vez deles”.

Pensando no futuro, Simone aposta que o crescimento orgânico da atividade do comércio eletrônico será mantido e, como consequência, as perspectivas para a demanda por galpões logísticos seguirá nos próximos anos. Ela alertou que as empresas de e-commerce precisam estar atentas quanto à necessidade de ocupações futuras, uma vez que a falta de galpões é um entrave na operação, que afeta diretamente o negócio dessas empresas. Uma solução para esse potencial problema são as pré-locações e as construções sob encomenda. “Para o segundo semestre de 2021, já foram encomendados 1.100.000 m² nestes formatos em todo o Brasil. E a projeção total de novos empreendimentos para 2021 é de 3 milhões de m²”, finalizou.

Digitalização, Conectividade e o Impacto no Sistema de Transportes – Já o diretor executivo da Confederação Nacional do Transporte (CNT), Bruno Batista, participou da Intermodal Xperience com uma palestra sobre como as atividades de transporte são impactadas com a digitalização da cadeia de suprimentos, uma vez que o setor é responsável por realizar a conexão entre os diversos elos da cadeia.

Batista destacou que as soluções de digitalização da cadeia de suprimentos agregam um fator de competitividade e promovem benefícios ao segmento, como a redução dos custos de governança e de transações financeiras ao lidar com parceiros externos, melhor coordenação e controle das cadeias de abastecimento dispersas, e um aumento da importância de uso dos dados dos consumidores e da customização de produtos que transferem uma geração de valor para a ponta final do processo.

“Uma tendência, que deve crescer muito nos próximos anos, é a manufatura mais próxima do consumidor. Um exemplo é o uso de impressoras 3D para a produção de tênis personalizados para o pé de cada cliente. Isso faz com que a cadeia produtiva ganhe valor na sua última etapa, o que gera um impacto em termos de agilidade, formação de estoque e entrega do produto”, explicou o diretor executivo da CNT.

Ele também ressaltou as soluções digitais e de sustentabilidade que já são aplicadas e outras que estão em desenvolvimento, com o objetivo de aumentar a eficiência do setor de transporte no serviço de movimentação de cargas e passageiros. Para ele, o ápice da tecnologia automotiva, atualmente, são os veículos autônomos, que promovem maior eficiência na utilização do sistema viário e na redução do consumo de combustível e da emissão de poluentes. Entretanto, um contraponto é o déficit da infraestrutura rodoviária e o roubo de cargas.

“Os veículos autônomos têm como premissa básica a segurança, ao não se envolverem em acidentes, ou seja, qualquer interrupção, eles param”, avaliou. Outra solução que também é vista como uma tendência são os pavimentos inteligentes, com a capacidade de recarregar veículos elétricos por meio de uma indução instalada nos pavimentos e de abastecer os veículos em trânsito através de uma fiação catenária colocada sobre as vias.

No que diz respeito às inovações e como elas podem aumentar a eficiência do setor de transportes de carga e passageiros, o único ponto de atenção é a infraestrutura do país. “O único fator no qual o setor de transportes não tem ingerência é a infraestrutura”, enfatizou. Segundo um levantamento da própria CNT, em uma análise da evolução dos investimentos públicos em infraestrutura de transporte em todas as modalidades – estradas federais, portos, aeroportos e ferrovias – o orçamento está declinando a cada ano. Em 2021, estão disponíveis para investimentos em transportes cerca de R$8 bilhões – em comparação ao ano de 2012, em que o aporte público injetado no setor foi de R$28 bilhões.

Já um outro mapeamento da confederação indica que seria necessário o investimento mínimo de R$1,7 trilhão, em 2.663 projetos, para solucionar os problemas existentes e redimensionar, em termos de capacidade e eficiência, as infraestruturas de transporte no Brasil. “À medida que esses investimentos públicos não acontecem, a conta sobe mais a cada ano. E quem paga essa conta no final é toda a cadeia de suprimentos, que faz uso do sistema de transporte no Brasil”, afirmou Batista, que ainda acrescentou sobre a capacidade atual de investimento público no setor: “é preciso garantir um programa de aumento dos investimentos públicos, que são essenciais e insubstituíveis, apesar da pandemia e do cenário de restrição de recursos orçamentários. Se isso não acontecer, a tendência é de sucateamento das infraestruturas mantidas pela União, o que irá gerar um ônus para as transportadoras e para economia brasileira”.

Cases de Sucesso – Assim como no primeiro dia de evento, as apresentações de cases de sucesso de grandes marcas do mercado também chamaram a atenção dos participantes nesta quinta-feira. Um deles foi o da Amazon Logistics Brazil, com o country leader da companhia no país, Rafael Caldas. O executivo realçou as oportunidades locais para modelos alternativos de last mile. Outra exibição de destaque neste sentido foi a da Riachuelo, que salientou o processo de transformação digital da marca, com a diretora de logística e o diretor executivo de tecnologia da empresa, Anaia Bandeira e Carlos Alves.

Mirian Gasparin

Mirian Gasparin, natural de Curitiba, é formada em Comunicação Social com habilitação em Jornalismo pela Universidade Federal do Paraná e pós-graduada em Finanças Corporativas pela Universidade Federal do Paraná.Profissional com experiência de 50 anos na área de jornalismo, sendo 48 somente na área econômica, com trabalhos pela Rádio Cultura de Curitiba, Jornal Indústria & Comércio e Jornal Gazeta do Povo. Também foi assessora de imprensa das Secretarias de Estado da Fazenda, da Indústria, Comércio e Desenvolvimento Econômico e da Comunicação Social.Desde abril de 2006 é colunista de Negócios da Rádio BandNews Curitiba e escreveu para a revista Soluções do Sebrae/PR. Também é professora titular nos cursos de Jornalismo e Ciências Contábeis da Universidade Tuiuti do Paraná. Ministra cursos para empresários e executivos de empresas paranaenses, de São Paulo e Rio de Janeiro sobre Comunicação e Língua Portuguesa e faz palestras sobre Investimentos.Em julho de 2007 veio um novo desafio profissional, com o blog de Economia no Portal Jornale. Em abril de 2013 passou a ter um blog de Economia no portal Jornal e Notícias. E a partir de maio de 2014, quando completou 40 anos de jornalismo, lançou seu blog independente. Nestes 16 anos de blog, mais de 35 mil matérias foram postadas.Ao longo de sua carreira recebeu 20 prêmios, com destaque para o VII Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º e 3º lugar na categoria webjornalismo em 2023); Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º lugar Internet em 2017 e 2016);Prêmio Sistema Fiep de Jornalismo (1º lugar Internet – 2014 e 3º lugar Internet – 2015); Melhor Jornalista de Economia do Paraná concedido pelo Conselho Regional de Economia do Paraná (agosto de 2010); Prêmio Associação Comercial do Paraná de Jornalismo de Economia (outubro de 2010), Destaque do Jornalismo Econômico do Paraná -Shopping Novo Batel (março de 2011). Em dezembro de 2009 ganhou o prêmio Destaque em Radiodifusão nos Melhores do Ano do jornal Diário Popular. Demais prêmios: Prêmio Ceag de Jornalismo, Centro de Apoio à Pequena e Média Empresa do Paraná, atual Sebrae (1987), Prêmio Cidade de Curitiba na categoria Jornalismo Econômico da Câmara Municipal de Curitiba (1990), Prêmio Qualidade Paraná, da International, Exporters Services (1991), Prêmio Abril de Jornalismo, Editora Abril (1992), Prêmio destaque de Jornalismo Econômico, Fiat Allis (1993), Prêmio Mercosul e o Paraná, Federação das Indústrias do Estado do Paraná (1995), As mulheres pioneiras no jornalismo do Paraná, Conselho Estadual da Mulher do Paraná (1996), Mulher de Destaque, Câmara Municipal de Curitiba (1999), Reconhecimento profissional, Sindicato dos Engenheiros do Estado do Paraná (2005), Reconhecimento profissional, Rotary Club de Curitiba Gralha Azul (2005).Faz parte da publicação “Jornalistas Brasileiros – Quem é quem no Jornalismo de Economia”, livro organizado por Eduardo Ribeiro e Engel Paschoal que traz os maiores nomes do Jornalismo Econômico brasileiro.

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