Black Friday na era do Pix: o que esperar?

Black Friday na era do Pix: o que esperar?

Pagamento instantâneo ganha fôlego e comerciantes devem aderir a essa facilidade

O Pix vem ganhando destaque no comércio, razão pela qual promete repetir – e talvez superar – o sucesso obtido na última Black Friday.

Na última edição da temporada de promoções, com apenas duas semanas após ser lançado, o Pix movimentou cerca de R$ 3,314 bilhões em mais de três milhões de transações feitas com a modalidade.

O bom desempenho não levou em consideração as compras realizadas nas maiores redes de varejo do país.

Na época, Magazine Luiza, MercadoLivre, B2W Americanas, Submarino e Shoptime e Via não ofereceram aos seus clientes nenhuma forma de pagamento utilizando o Pix – no entanto, nas carteiras digitais como Ame e Mercado Pago, o sistema foi oferecido.

Neste ano, com a inclusão destes varejistas, a expectativa é atrair ainda mais consumidores para a Black Friday e, consequentemente, para as compras realizadas por meio do pagamento instantâneo.

A ascensão do Pix

Lançado oficialmente em 16 de novembro de 2020, o Pix alcançou em duas semanas mais de 28 milhões de transações efetuadas, segundo o Banco Central.

O volume financeiro movimentado no período chegou a R$ 24,144 bilhões – R$ 9,3 bilhões na primeira semana e R$ 14,8 bilhões na semana seguinte, e o maior volume financeiro ocorreu justamente na Black Friday.

Menos de um ano após seu surgimento, o Pix já é o segundo meio de pagamento mais usado pela população nas transações à vista, de acordo com pesquisa da Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL). A modalidade fica atrás apenas do dinheiro em espécie.

Segundo a mesma pesquisa, o uso do Pix para pagamento de compras pela internet (26%) é a terceira principal utilização do serviço.

A possibilidade de evitar ou minimizar contato físico com máquinas e/ou pessoas ajudou a alavancar o sistema de pagamento instantâneo durante a pandemia. 34% dos consultados justificam dessa forma a preferência pelo uso.

Atualmente, o número de usuários que já fizeram ao menos uma transação via Pix está perto de 80 milhões.

Intenções para a Black Friday 2021

Segundo um recém-divulgado estudo da Méliuz, 71% dos brasileiros pretendem fazer compras na Black Friday de 2021.

Em termos de meios de pagamentos, o Pix é o terceiro na intenção de uso. 74% dos entrevistados devem parcelar no cartão de crédito, 27,3% pagarão no crédito à vista e 11,5% dizem que vão usar o Pix.

Uma outra pesquisa, dessa vez do Reclame Aqui, 59,5% dos brasileiros afirmaram já ter usado a nova modalidade de pagamento para compras online e no e-commerce. Ou seja, a opção já está no radar dos consumidores antes mesmo da temporada de compras de novembro chegar.

Benefícios do Pix na Black Friday

Embora 52 milhões de brasileiros possuam cartão de crédito, segundo pesquisa realizada pelo Serviço de Proteção ao Crédito (SPC Brasil) e pelo portal Meu Bolso Feliz, em um país que tem mais de 200 milhões de habitantes, ainda há um grande contingente que não tem acesso a essa opção – e a democratização sobre o que é conta digital e o Pix vem para solucionar essa situação.

Além disso, o Pix representa uma possibilidade de crescimento de opções de pagamentos digitais. Amigável, prático, funcional, transparente e seguro, qualquer pessoa pode usar a modalidade de pagamento, desde que tenha feito o cadastro das chaves.

A aprovação instantânea é outro atrativo, principalmente quando se fala em e-commerce.

Quanto mais rápido o pagamento é efetuado, mais rápida a entrega pode ocorrer, um diferencial competitivo para o comerciante. O fluxo de estoque fica mais dinâmico e ágil, pois não é preciso reservar o produto até uma compensação do pagamento, que nem sempre ocorre, como no caso de pagamentos por boleto.

Os micro e pequenos negócios também estão se beneficiando da nova modalidade. Uma pesquisa feita pelo Facebook no último ano revelou que 73% dos consumidores começaram a comprar de pequenos negócios durante a pandemia, e o pagamento instantâneo e sem taxas potencializa as MPEs.

Inclusive, os pequenos que aderiram ao Pix registraram uma queda de faturamento 11% inferior quando comparado a outros negócios que ainda não oferecem essa opção de pagamento a seus clientes, segundo pesquisa do Sebrae em parceria com a Fundação Getúlio Vargas.

A primeira Black Friday com a nova modalidade de pagamento totalmente consolidada apresenta, ainda, potencial para abrir caminho a outras formas de pagamento que ainda não emplacaram no país, como as carteiras digitais.

O desafio do Pix para a temporada de compras é a segurança. O Banco Central acaba de confirmar o primeiro vazamento de dados da modalidade e recentemente anunciou medidas, como o limite de R$ 1 mil reais para operações entre pessoas físicas das 20h às 6h – o que, apesar de tornar as transações mais seguras, pode dificultar compras de pequenos negócios.

Resta saber se as expectativas vão se concretizar, inaugurando uma nova era para os meios de pagamento. A Black Friday será a prova de fogo do Pix no Brasil.

Mirian Gasparin

Mirian Gasparin, natural de Curitiba, é formada em Comunicação Social com habilitação em Jornalismo pela Universidade Federal do Paraná e pós-graduada em Finanças Corporativas pela Universidade Federal do Paraná.Profissional com experiência de 50 anos na área de jornalismo, sendo 48 somente na área econômica, com trabalhos pela Rádio Cultura de Curitiba, Jornal Indústria & Comércio e Jornal Gazeta do Povo. Também foi assessora de imprensa das Secretarias de Estado da Fazenda, da Indústria, Comércio e Desenvolvimento Econômico e da Comunicação Social.Desde abril de 2006 é colunista de Negócios da Rádio BandNews Curitiba e escreveu para a revista Soluções do Sebrae/PR. Também é professora titular nos cursos de Jornalismo e Ciências Contábeis da Universidade Tuiuti do Paraná. Ministra cursos para empresários e executivos de empresas paranaenses, de São Paulo e Rio de Janeiro sobre Comunicação e Língua Portuguesa e faz palestras sobre Investimentos.Em julho de 2007 veio um novo desafio profissional, com o blog de Economia no Portal Jornale. Em abril de 2013 passou a ter um blog de Economia no portal Jornal e Notícias. E a partir de maio de 2014, quando completou 40 anos de jornalismo, lançou seu blog independente. Nestes 16 anos de blog, mais de 35 mil matérias foram postadas.Ao longo de sua carreira recebeu 20 prêmios, com destaque para o VII Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º e 3º lugar na categoria webjornalismo em 2023); Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º lugar Internet em 2017 e 2016);Prêmio Sistema Fiep de Jornalismo (1º lugar Internet – 2014 e 3º lugar Internet – 2015); Melhor Jornalista de Economia do Paraná concedido pelo Conselho Regional de Economia do Paraná (agosto de 2010); Prêmio Associação Comercial do Paraná de Jornalismo de Economia (outubro de 2010), Destaque do Jornalismo Econômico do Paraná -Shopping Novo Batel (março de 2011). Em dezembro de 2009 ganhou o prêmio Destaque em Radiodifusão nos Melhores do Ano do jornal Diário Popular. Demais prêmios: Prêmio Ceag de Jornalismo, Centro de Apoio à Pequena e Média Empresa do Paraná, atual Sebrae (1987), Prêmio Cidade de Curitiba na categoria Jornalismo Econômico da Câmara Municipal de Curitiba (1990), Prêmio Qualidade Paraná, da International, Exporters Services (1991), Prêmio Abril de Jornalismo, Editora Abril (1992), Prêmio destaque de Jornalismo Econômico, Fiat Allis (1993), Prêmio Mercosul e o Paraná, Federação das Indústrias do Estado do Paraná (1995), As mulheres pioneiras no jornalismo do Paraná, Conselho Estadual da Mulher do Paraná (1996), Mulher de Destaque, Câmara Municipal de Curitiba (1999), Reconhecimento profissional, Sindicato dos Engenheiros do Estado do Paraná (2005), Reconhecimento profissional, Rotary Club de Curitiba Gralha Azul (2005).Faz parte da publicação “Jornalistas Brasileiros – Quem é quem no Jornalismo de Economia”, livro organizado por Eduardo Ribeiro e Engel Paschoal que traz os maiores nomes do Jornalismo Econômico brasileiro.

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