Produtividade, emprego e capital humano na América Latina podem demorar décadas para se recuperar

A pandemia provocada pela Covid-19 dá sinais de melhoras com o avanço da vacinação, mas os impactos causados vão deixar marcas a curto e longo prazo, principalmente em países emergentes. O Fundo Monetário Internacional (FMI) divulgou um alerta apontando que os danos causados na América Latina e Caribe podem demorar anos para serem revertidos no que diz respeito à produtividade, emprego e capital humano.
Segundo o diretor interino do Departamento das Américas do FMI, Nigel Chalk, o crescimento para a maior parte da região não está voltando ao que havia sido previsto antes da pandemia. Dados divulgados pelo FMI apontam aumento na previsão de crescimento para 2021 para os países latino-americanos e caribenhos para 6,3%, 0,5 ponto percentual acima do estimado em julho. No entanto, revisou para baixo sua projeção para 2022, em 3% (-0,2 ponto).
Esses dados de crescimento tem relação direta com a produtividade, que também foi destaque no estudo. “O que já não é satisfatório pode ficar ainda pior”, aponta o economista Fábio Rodrigues, que é também CEO da Novidá, empresa que une produtividade operacional com inclusão digital do colaborador.
Ele acrescenta que um bom ritmo de crescimento da produtividade é um elemento-chave para que países emergentes consigam alcançar a renda dos países mais desenvolvidos ou mesmo para que não caiam em níveis de estragos irreversíveis.
“Ganhos operacionais impulsionam diretamente margem, rentabilidade e, por consequência, desenvolvimento econômico, ajudando a salvar empresas e empregos”, afirma.
Do ponto de vista econômico, Fábio conta que temos que olhar para o agora e trazer o fator tecnológico para ajudar nosso PIB a ter uma melhor performance, afinal, somos uma economia ainda muito pautada em recursos operacionais, com cerca de 30, 35 milhões de pessoas que trabalham em atividades mais braçais.
“A educação é sem dúvida o principal foco, mas os frutos são colhidos apenas a longo prazo. Embora nunca deva ser esquecida, o que podemos fazer de forma concomitante? Ao meu ver, é possível trazer ganhos para essa massa populacional que é a força motriz de trabalho através da capacitação e inclusão digital. É isso que sinto falta nas empresas e indústrias. Como romper esse ciclo hoje? A resposta é: começando a agir com o que se tem. Só se muda agindo no agora”, pondera.
Trazer rupturas, mas também mesclar com melhorias tecnológicas incrementais é essencial. Levar dignidade e inclusão tecnológica para facilitar o dia a dia e ajudar esse profissional a sair desse contexto que muitas vezes é marginalizado dentro da própria empresa, pelo seu gap de desenvolvimento educacional, deve ser o grande foco. Trazer a tecnologia pode ajudar a mudar o contexto desse trabalhador e também o perfil comportamental das empresas vai fazer com que a gente saia dessa expectativa pessimista para os próximos anos. Esse olhar pode ajudar a mudar a forma como os negócios funcionam hoje, sem perder o lucro e margem de ganho. Um ciclo positivo para todos os lados, com baixo investimento e alta performance.
Para se ter uma ideia, um estudo do Banco Interamericano de Desenvolvimento aponta que se a produtividade da América Latina tivesse acompanhado o crescimento da produtividade dos Estados Unidos desde 1960, a renda per capita hoje seria 54% maior no continente. Com a pandemia este gap ficou ainda maior e a realidade econômica da América Latina e Caribe pode ser ainda mais afetada.
A saída, então, segundo Fábio, está em olhar para a inclusão digital como uma forma de melhorar a produtividade em indústrias e empresas e assim acelerar a retomada econômica ou ainda reverter as expectativas negativas apontadas pelo FMI.
“Tornar o operador de fábrica mais produtivo vai ser essencial não apenas para que a nossa economia não seja afetada com fechamento de fábricas no Brasil, mas também para que a gente comece a criar relações mais adequadas e favoráveis ao trabalhador operacional e não apenas ao que está dentro do escritório”, observa.
Fábio aponta que não olharmos para a produtividade agora aumentará ainda mais o fechamento de indústrias e fábricas na América Latina. No Brasil, apenas no último ano, indústrias como Ford e LG fecharam, gerando desemprego e um rombo na economia.
“Se capacitarmos funcionários, levarmos mais inclusão digital e aumentarmos a produtividade das pessoas, levando ainda mais qualidade de vida, temos a chance de sair dessa realidade”, aponta o executivo.
Se o Brasil elevasse a sua produtividade para níveis dos Estados Unidos, sem outras alterações, a renda per capita da população aumentaria 2,7 vezes, segundo o Banco Mundial. Isso possibilitaria uma maior riqueza para a nação, representando a possibilidade de um grande crescimento na qualidade de vida das pessoas.
Por isso, a produtividade é uma das questões fundamentais para desenvolver o país e possibilitar um incremento no nível de renda da população, especialmente dos trabalhadores operacionais de bom desempenho, que conseguiriam melhores salários.








