Banco tradicional x neobanks: uma radiografia da América Latina

Banco tradicional x neobanks: uma radiografia da América Latina

Levantamento mostra que o Brasil é o mercado com maior alcance e propensão para novas propostas digitais

Nos últimos anos, muito se tem ouvido falar da entrada no mercado de neobanks ou bancos 100% digitais, sem agências físicas. Essa nova proposta é uma opção não só para pessoas sem conta bancária, mas também para quem já faz parte do sistema. Quão atraente é para quem já é correntista? Eles estão dispostos a mudar de banco? Por que sim ou por que não? Entre outras questões, uma pesquisa realizada pela Rapyd, uma Fintech-as-a-Service (FaaS) global especializada em unificar meios de pagamento, feita com mexicanos, brasileiros, colombianos e argentinos.

Além dos resultados locais, é muito interessante o comparativo entre países para visualizar uma radiografia mais clara de onde a proposta de digitalização financeira pode encontrar abertura ou resistências. A seguir, compartilhamos algumas conclusões e análises regionais do estudo de Rapyd:

Multibancos: 83% dos brasileiros pesquisados ​​têm mais de uma conta bancária, uma grande vantagem sobre a segunda e a terceira, México e Argentina, onde 57% e 55% (respectivamente) dos entrevistados confirmaram ter mais de uma conta. Na outra ponta está a Colômbia, onde mais da metade dos entrevistados (52%) possui apenas uma conta bancária.

Usuário digital: em todos os 4 países, o percentual de entrevistados correntistas que confirmaram usar os serviços digitais de seu banco foi muito alto, mas o Brasil se destaca novamente com 98% dos respondentes usando tanto o banco online quanto os aplicativos de seus bancos. No entanto, no México (94% e 96%, respectivamente), Argentina (96% e 82%) e Colômbia (89% e 90%) a incorporação de serviços financeiros digitais entre os bancos também é muito alta.

Operação com bancos 100% digitais – Key Drivers. O Brasil é de longe o país da região que mais se destaca no uso de neobanks, com 36% dos respondentes sendo clientes do Nubank e 13% do banco Inter. Este conhecimento da oferta dos neobanks também se reflete na avaliação da proposta:

Enquanto na Argentina, Colômbia e México a principal vantagem percebida é a operação 24h (59%, 59% e 63% respectivamente), no Brasil os custos mais baixos são o que mais valoriza (66%) e a operação 24h (62%) .
A questão dos custos menores nos outros três países aparece em 4º e 5º lugar.

A velocidade é uma das vantagens com que os respondentes dos 4 países parecem concordar, ficando em 2º lugar no caso da Argentina (41%), Colômbia (50%) e México (57%) e em 3º lugar no Brasil (61%) .

Propensão a abandonar o banco tradicional. Aqui, há uma grande lacuna entre os países:
Os mais dispostos a deixar seu banco tradicional por um banco 100% digital são os brasileiros (83%), enquanto na outra ponta estão os argentinos com 34%. No meio, mas ainda com uma ampla resposta positiva, estão os colombianos (67%) e os mexicanos (65%).

Os respondentes argentinos também se destacam pelo alto percentual (vs os demais países) que responderam negativamente (tanto “definitivamente não” como “provavelmente não”), atingindo 32% da amostra enquanto os outros três países não ultrapassam 10%.

Principais motivadores para o uso de bancos tradicionais: como no caso da avaliação da proposta dos neobanks, o Brasil difere de seus co-regionais no que diz respeito à percepção dos bancos tradicionais. Enquanto Argentina (64%), Colômbia (55%) e México (69%) concordam que a maior vantagem dos bancos tradicionais é o atendimento personalizado nas agências, para o Brasil é que eles são mais seguros e confiáveis​​(59%), benefício valorizado em segundo lugar pelos demais países, ficando em segundo lugar o atendimento personalizado (38%).

Disponibilidade para solicitar empréstimo em um neobanks: os mais dispostos são os colombianos (91%), enquanto os mais relutantes são os argentinos (apenas 54% dos entrevistados). Brasileiros (86%) e mexicanos (87%), mais próximos dos colombianos.

Aplicativos de pagamento mais usados: em geral, nos quatro países, a grande maioria dos entrevistados disse usar aplicativos de pagamento que não pertencem a um banco, lista encabeçada por brasileiros e mexicanos (96% em ambos os casos) e seguida por colombianos ( 87%) e argentinos (84%). Isso mostra que essa forma de pagamento já está muito difundida na América Latina e faz parte do dia a dia. Mas quais são usados?

PayPal e MercadoPago dominam esta categoria na região com o primeiro sendo o mais usado no Brasil (92% dos que confirmaram usando aplicativos de pagamento), México (85%) e Colômbia (80%) e MercadoPago o favorito na Argentina com 86 %

PayPal ocupa o segundo lugar na Argentina (42% das menções), enquanto o MercadoPago ocupa o segundo lugar na Colômbia (45%), Brasil (62%) e México (53%).

“As respostas dos brasileiros posicionam o Brasil como a grande promessa latino-americana para os neobanks bancos e despertam os bancos tradicionais para expandir suas ofertas digitais, porque esses usuários não parecem tremer quando se trata de trocar de banco”, afirma Ximena Azcuy, diretora de desenvolvimento de negócios e parceria para as Américas da Rapyd. “Este é um mercado de grande potencial para todas as empresas como a nossa que estão na vanguarda das soluções financeiras digitais e que puderam encontrar neste mercado, parceiros que necessitem de players com inovação à escala global, para resolverem o problema de pagamentos locais.”

Mirian Gasparin

Mirian Gasparin, natural de Curitiba, é formada em Comunicação Social com habilitação em Jornalismo pela Universidade Federal do Paraná e pós-graduada em Finanças Corporativas pela Universidade Federal do Paraná.Profissional com experiência de 50 anos na área de jornalismo, sendo 48 somente na área econômica, com trabalhos pela Rádio Cultura de Curitiba, Jornal Indústria & Comércio e Jornal Gazeta do Povo. Também foi assessora de imprensa das Secretarias de Estado da Fazenda, da Indústria, Comércio e Desenvolvimento Econômico e da Comunicação Social.Desde abril de 2006 é colunista de Negócios da Rádio BandNews Curitiba e escreveu para a revista Soluções do Sebrae/PR. Também é professora titular nos cursos de Jornalismo e Ciências Contábeis da Universidade Tuiuti do Paraná. Ministra cursos para empresários e executivos de empresas paranaenses, de São Paulo e Rio de Janeiro sobre Comunicação e Língua Portuguesa e faz palestras sobre Investimentos.Em julho de 2007 veio um novo desafio profissional, com o blog de Economia no Portal Jornale. Em abril de 2013 passou a ter um blog de Economia no portal Jornal e Notícias. E a partir de maio de 2014, quando completou 40 anos de jornalismo, lançou seu blog independente. Nestes 16 anos de blog, mais de 35 mil matérias foram postadas.Ao longo de sua carreira recebeu 20 prêmios, com destaque para o VII Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º e 3º lugar na categoria webjornalismo em 2023); Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º lugar Internet em 2017 e 2016);Prêmio Sistema Fiep de Jornalismo (1º lugar Internet – 2014 e 3º lugar Internet – 2015); Melhor Jornalista de Economia do Paraná concedido pelo Conselho Regional de Economia do Paraná (agosto de 2010); Prêmio Associação Comercial do Paraná de Jornalismo de Economia (outubro de 2010), Destaque do Jornalismo Econômico do Paraná -Shopping Novo Batel (março de 2011). Em dezembro de 2009 ganhou o prêmio Destaque em Radiodifusão nos Melhores do Ano do jornal Diário Popular. Demais prêmios: Prêmio Ceag de Jornalismo, Centro de Apoio à Pequena e Média Empresa do Paraná, atual Sebrae (1987), Prêmio Cidade de Curitiba na categoria Jornalismo Econômico da Câmara Municipal de Curitiba (1990), Prêmio Qualidade Paraná, da International, Exporters Services (1991), Prêmio Abril de Jornalismo, Editora Abril (1992), Prêmio destaque de Jornalismo Econômico, Fiat Allis (1993), Prêmio Mercosul e o Paraná, Federação das Indústrias do Estado do Paraná (1995), As mulheres pioneiras no jornalismo do Paraná, Conselho Estadual da Mulher do Paraná (1996), Mulher de Destaque, Câmara Municipal de Curitiba (1999), Reconhecimento profissional, Sindicato dos Engenheiros do Estado do Paraná (2005), Reconhecimento profissional, Rotary Club de Curitiba Gralha Azul (2005).Faz parte da publicação “Jornalistas Brasileiros – Quem é quem no Jornalismo de Economia”, livro organizado por Eduardo Ribeiro e Engel Paschoal que traz os maiores nomes do Jornalismo Econômico brasileiro.

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