Quase 70% dos empresários da indústria do Paraná estão otimistas para 2022

Quase 70% dos empresários da indústria do Paraná estão otimistas para 2022
A indústria automotiva do Paraná gerou 3. novos empregos em 12 meses no Paraná.

Avanço da vacinação, abertura de novos mercados e melhoria no ambiente de negócios podem acelerar a retomada do setor

Um empresário otimista, disposto a investir e gerar novos empregos, apesar dos desafios e das limitações impostas pela pandemia da Covid-19 e do cenário macroeconômico do país. Este é o resultado geral da 26ª Sondagem Industrial, pesquisa anual feita pela Federação das Indústrias do Paraná (Fiep) com industriais de todas as regiões do Estado. Para 68,7% dos participantes o sentimento é de otimismo ou muito otimismo em relação a 2022. O índice é o mesmo alcançado no ano passado, quando a crise sanitária estava em momento mais crítico e o país ainda não tinha uma campanha de vacinação em curso, e está acima da média dos últimos 10 anos, que é de 66,7%. A mostra coletada e apresntada nesta quarta-feira (15) em entrevista coletiva à imprensa, representa mais de 50 mil estabelecimentos industriais de 37 segmentos, que geram mais de 814 mil empregos no estado.

Carlos Valter Martins Pedro.

A resposta positiva dos empresários está ancorada principalmente na perspectiva de crescimento das vendas (67,8%), na abertura de novos mercados (39,0%) e na previsão de investimentos (33,6%). Para o presidente do Sistema Fiep, , apesar das dificuldades, o aprendizado da crise, o avanço da vacinação e a retomada de outros setores da economia contribuíram para a recuperação das indústrias este ano. “Vemos com bons olhos o resultado da pesquisa. Ela confirma que mesmo com muitos desafios a serem superados o industrial enxerga possibilidades reais de uma retomada em 2022”, avalia.

“Esperamos que as medidas necessárias para que o ambiente de negócios no país fique mais favorável, como a Reforma Tributária, saiam do papel e nos ajudem nesse processo de recuperação. Para isso contamos com medidas seguras de controle da pandemia, soluções eficientes para sanar as crises hídrica e energética e redução dos custos para se produzir no Brasil. Estes fatores podem efetivamente frear o crescimento tão almejado pelos empresários e por toda a sociedade”, completa.

As recomendações do presidente também fazem parte do estudo. A Sondagem revelou que questões de cunho político-eleitoral, falta de mão de obra qualificada, dificuldade de acesso a crédito, demanda insuficiente no mercado interno e oscilações cambiais são preocupações latentes dos empresários que podem impactar nos negócios. No total, os pessimistas somam 5,1% dos entrevistados, enquanto 26,4% se mostraram cautelosos e expressaram expectativa neutra para 2022.

Além destes aspectos, o economista da Fiep, Marcelo Alves, destaca outros temas que apareceram em evidência no estudo deste ano. “Aumento dos custos e escassez de matéria-prima, redução das vendas e a piora no ambiente político nacional foram sinalizados como fatores que comprometem a performance das empresas”, lembra. “O curioso é que mesmo com motivos para justificar dificuldades, os pessimistas revelaram que estão dispostos a investir em produtos, melhorar processos e até em explorar novos mercados no próximo ano. Ou seja, já articulam estratégias para driblar os problemas e já têm um planejamento prévio para virar o jogo a seu favor”, aponta.

Investimentos

“Um empresário otimista é aquele disposto a investir, mesmo diante de um cenário desafiador”, declara Alves. “Um bom sinal de retomada é quando o empresário revela claramente essa intenção e a pesquisa confirma isso”, diz. Quase 73% dos respondentes afirmaram que têm planos de investir em 2022 e as prioridades são em melhoria de processos, produtos ou serviços (64,5%), para reduzir custos de produção (48,7%) e ampliar a capacidade produtiva (45,4%). “Estes aspectos sugerem que há uma estratégia de reposicionamento de mercado provavelmente por conta da pandemia, para aumento da capacidade produtiva e para ganhar competitividade. O que são bons sinais para o setor”, reforça o economista.

Quando avaliado o planejamento de acordo com o porte das empresas, os resultados mostram uma diferença provavelmente relacionada à capacidade financeira e à prioridade de cada uma. Quase 100% das grandes companhias confirmaram que os investimentos serão feitos para ampliar a capacidade produtiva, logística e para melhorar produtos e serviços. Já entre as médias, 77% vão utilizar os recursos para reduzir custos de produção e ampliar a capacidade interna. As pequenas priorizarão melhoria em processos e produtos e a redução de custos de produção. E os microempreendedores querem melhorar a qualidade do que vendem, ou seja, produtos e serviços serão o alvo preferencial.

Os recursos próprios serão a principal fonte de investimentos para 67,5% dos entrevistados. “Em relação a anos anteriores, percebe-se um aumento desta modalidade e também na busca por meio de instituições de fomento e desenvolvimento frente aos bancos tradicionais e cooperativas de crédito. Esse comportamento deve estar atrelado a uma maior pesquisa do empresário no mercado, por melhores taxas e condições de financiamento, durante à pandemia”, explica Alves.

Os investimentos têm ligação com as estratégias das indústrias para 2022. Mais de 30% devem apostar em desenvolvimento de novos negócios, aumento da capacidade produtiva/nova unidade industrial e incorporação de novos produtos à linha. Já para 20% a prioridade será aumentar o valor agregado dos produtos, segmentar os canais de vendas e investir em desenvolvimento e inovação. “Os empresários estão se preparando para ampliar seus mercados e se tornarem mais competitivos. Isso está em sinergia com as expectativas positivas das empresas em relação a 2022”, afirma.

Comércio exterior

As exportações despontam como um bom caminho para o crescimento da indústria, mas esta disposição está diretamente ligada ao porte das empresas. Entre as grandes, 91,7% devem adotar essa estratégia. Entre as médias, o índice cai para 62,8%. E entre as pequenas, só 24,7% devem vender para fora do país. “O mercado externo é uma oportunidade a ser explorada, mas demanda competitividade, conhecimento do mercado-alvo e dos trâmites de negociação e estratégia clara por parte das empresas”, resume o economista da Fiep.

 Balanço 2021

O ano foi bom ou muito bom para 60,4% dos industriais paranaenses, revela a Sondagem, por conta do crescimento das vendas e dos investimentos realizados.

Apenas 11,5% das empresas pesquisadas tiveram desempenho “ruim” ou “muito ruim” e os motivos variam entre redução de vendas, aumento dos custos de matéria-prima e de produção. Para 28,1% a performance em 2021 tem sido regular.

Expectativas diferentes por regiões

Os resultados mudam de acordo com a região do estado. O Sistema Fiep dividiu as mesorregiões do Paraná em três macrorregiões: Leste (Metropolitana de Curitiba, Centro Oriental e Sudeste); Norte (Norte Central, Norte Pioneiro, Noroeste e Centro Oriental) e Oeste (Oeste, Sudoeste e Centro Sul)). Cerca de 75% dos entrevistados da macrorregião Oeste declararam ter tido um ano bom ou muito bom. Na macrorregião Norte esse índice cai a 58,9%. E, na macrorregião Leste do estado o resultado é 53,4%. O que sustentou os bons resultados foram as vendas, a capacidade instalada e a produção. No entanto, fatores como custo e aquisição de insumos e alta de gás, energia elétrica, combustível e água se destacam de forma negativa como os grandes problemas apresentados pelos empresários em 2021.

A gerente executiva do Observatório Sistema Fiep, Marília de Souza, destaca a importância da pesquisa para a indústria do Paraná. “Além de conhecermos os principais desafios e intenções dos empresários, o estudo capta dados sobre a realidade enfrentada pelas empresas no momento, além de trazer as projeções que esperam para o próximo ano. Tudo isso baliza nosso planejamento interno para que possamos auxiliar os industriais em suas estratégias, oferecendo produtos e serviços que alavanquem seus negócios e contribuam para o crescimento do setor”, resume.

A versão completa da 26ª Sondagem Industrial do Observatório Sistema Fiep está disponível neste link.

Mirian Gasparin

Mirian Gasparin, natural de Curitiba, é formada em Comunicação Social com habilitação em Jornalismo pela Universidade Federal do Paraná e pós-graduada em Finanças Corporativas pela Universidade Federal do Paraná.Profissional com experiência de 52 anos na área de jornalismo, sendo 50 somente na área econômica, com trabalhos pela Rádio Cultura de Curitiba, Jornal Indústria & Comércio e Jornal Gazeta do Povo. Também foi assessora de imprensa das Secretarias de Estado da Fazenda, da Indústria, Comércio e Desenvolvimento Econômico e da Comunicação Social.Desde abril de 2006 é colunista de Negócios da Rádio BandNews Curitiba e escreveu para a revista Soluções do Sebrae/PR. Há 25 anos é professora titular do curso de Jornalismo da Universidade Tuiuti do Paraná. Ministra cursos para empresários e executivos de empresas do Paraná, São Paulo e Rio de Janeiro sobre Comunicação e Língua Portuguesa e faz palestras sobre Investimentos.Em julho de 2007 veio um novo desafio profissional, com o blog de Economia no Portal Jornale. Em abril de 2013 passou a ter um blog de Economia no portal Jornal e Notícias. E a partir de maio de 2014, quando completou 40 anos de jornalismo, lançou seu blog independente. Nestes 19 anos de blog, mais de 50 mil matérias foram postadas.Ao longo de sua carreira recebeu 21 prêmios, com destaque para Embrapa Floresta (Menção Honrosa em 2025); VII Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º e 3º lugar na categoria webjornalismo em 2023); Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º lugar Internet em 2017 e 2016);Prêmio Sistema Fiep de Jornalismo (1º lugar Internet – 2014 e 3º lugar Internet – 2015); Melhor Jornalista de Economia do Paraná concedido pelo Conselho Regional de Economia do Paraná (agosto de 2010); Prêmio Associação Comercial do Paraná de Jornalismo de Economia (outubro de 2010), Destaque do Jornalismo Econômico do Paraná -Shopping Novo Batel (março de 2011). Em dezembro de 2009 ganhou o prêmio Destaque em Radiodifusão nos Melhores do Ano do jornal Diário Popular. Demais prêmios: Prêmio Ceag de Jornalismo, Centro de Apoio à Pequena e Média Empresa do Paraná, atual Sebrae (1987), Prêmio Cidade de Curitiba na categoria Jornalismo Econômico da Câmara Municipal de Curitiba (1990), Prêmio Qualidade Paraná, da International, Exporters Services (1991), Prêmio Abril de Jornalismo, Editora Abril (1992), Prêmio destaque de Jornalismo Econômico, Fiat Allis (1993), Prêmio Mercosul e o Paraná, Federação das Indústrias do Estado do Paraná (1995), As mulheres pioneiras no jornalismo do Paraná, Conselho Estadual da Mulher do Paraná (1996), Mulher de Destaque, Câmara Municipal de Curitiba (1999), Reconhecimento profissional, Sindicato dos Engenheiros do Estado do Paraná (2005), Reconhecimento profissional, Rotary Club de Curitiba Gralha Azul (2005).Faz parte da publicação “Jornalistas Brasileiros – Quem é quem no Jornalismo de Economia”, livro organizado por Eduardo Ribeiro e Engel Paschoal que traz os maiores nomes do Jornalismo Econômico brasileiro.

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