Com PIB zero e economia patinando, reforma tributária é cada vez mais necessária

Com PIB zero e economia patinando, reforma tributária é cada vez mais necessária

Renúncias fiscais chegam a R$ 500 bilhões e também preocupam

A mais recente previsão do Relatório de Mercado Focus, divulgada na última semana, rebaixou a projeção do PIB para 2022 de 0,36% para 0,28%. Não é a primeira vez que essa estimativa de crescimento é reduzida nos últimos meses. Outros indicadores importantes, como a produção da indústria, que caiu 20% nos últimos dez anos, revelam o enfraquecimento da economia.

Com PIB e a economia patinando, o Brasil deveria acelerar a reforma tributária, defendem o economista Luiz Carlos Hauly e o empresário Miguel Abuhab , fundadores do Destrava Brasil.

“Enquanto o Estado não encaminhar uma reforma ampla, que busque uma solução global para as mazelas do sistema tributário, continuaremos a conviver com uma economia num eterno voo de galinha”, opina Hauly, tributarista e autor do texto que originou a PEC 110 da reforma tributária, que está tramitando no Congresso.

Ele destaca que somente em renúncias fiscais o Brasil deixa de arrecadar R$ 500 bilhões a cada ano, em mais uma distorção do sistema tributário. “Não é salutar para as finanças do governo e, principalmente, não é o que precisamos para destravar a economia, incentivar o crescimento e conseguir reduzir as enormes diferenças sociais fincadas nesse modelo perverso. O Brasil é um dos últimos países do mundo de economia forte a manter esse tipo de regime fiscal com tratamentos diferenciados. São benefícios sazonais, negociados, os chamados ´ótimos locais´, sujeitos à pressão dos atores econômicos sobre os gestores públicos”, explica.

Para ele, cada incentivo fiscal é um retrocesso na busca de uma reforma tributária ampla e definitiva, como a que está em análise na Comissão de Constituição e Justiça no Senado, e que estabelece a simplificação da tributação na base consumo e outras medidas importantes para conter o incentivo fiscal descontrolado, como a transferência da tributação sobre a folha de pagamento para as contribuições de bens e serviços federais.

Miguel Abuhab defende que a tecnologia tenha um papel de destaque nessa reforma tributária ampla que o Brasil precisa implantar. “Países como a China já adotaram a criptomoeda oficial pelo Banco Central da China, o que facilita a movimentação financeira e a cobrança automática de impostos. Outros, como El Salvador, formalizaram o bitcoin como moeda oficial. A Suíça já está operando sua moeda digital oficial com cinco bancos, o que facilitará a cobrança automática de impostos. O futuro virá mais rápido do que muitos imaginam e, portanto, ficamos cada vez mais distantes das economias mundiais. Se o Brasil não adotar uma reforma tributária plena, ficará ainda mais isolado”, avalia ele.

Hauly acrescenta que o avanço estabelecido pela PEC 110 será ainda mais profundo com a cobrança tecnológica em tempo real dos tributos, já na quitação da nota fiscal, eliminando inadimplência, sonegação e burocracia.

“Aliada a essas mudanças, foi proposta na PEC 110 a diminuição da carga tributária das famílias que ganham menos: indiretamente por meio da devolução do imposto pela Nota Fiscal Brasil; ou diretamente, por meio de alíquotas reduzidas para produtos e serviços essenciais”, ressalta.

A proposta original da PEC 110 prevê a unificação de cinco tributos: ICMS, ISS, IPI, PIS e Cofins, seguindo duas regras de ouro: não aumentar a carga tributária, nem mexer na partilha de impostos dos três entes da Federação.

 

Relatada pelo senador Roberto Rocha (PSDB-MA), ela recebeu o aval do senador Davi Alcolumbre (DEM-AP), presidente da CCJ do Senado, para ser avaliada como prioritária no retorno do recesso parlamentar.

Foto Divulgação Destrava Brasil

Mirian Gasparin

Mirian Gasparin, natural de Curitiba, é formada em Comunicação Social com habilitação em Jornalismo pela Universidade Federal do Paraná e pós-graduada em Finanças Corporativas pela Universidade Federal do Paraná.Profissional com experiência de 50 anos na área de jornalismo, sendo 48 somente na área econômica, com trabalhos pela Rádio Cultura de Curitiba, Jornal Indústria & Comércio e Jornal Gazeta do Povo. Também foi assessora de imprensa das Secretarias de Estado da Fazenda, da Indústria, Comércio e Desenvolvimento Econômico e da Comunicação Social.Desde abril de 2006 é colunista de Negócios da Rádio BandNews Curitiba e escreveu para a revista Soluções do Sebrae/PR. Também é professora titular nos cursos de Jornalismo e Ciências Contábeis da Universidade Tuiuti do Paraná. Ministra cursos para empresários e executivos de empresas paranaenses, de São Paulo e Rio de Janeiro sobre Comunicação e Língua Portuguesa e faz palestras sobre Investimentos.Em julho de 2007 veio um novo desafio profissional, com o blog de Economia no Portal Jornale. Em abril de 2013 passou a ter um blog de Economia no portal Jornal e Notícias. E a partir de maio de 2014, quando completou 40 anos de jornalismo, lançou seu blog independente. Nestes 16 anos de blog, mais de 35 mil matérias foram postadas.Ao longo de sua carreira recebeu 20 prêmios, com destaque para o VII Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º e 3º lugar na categoria webjornalismo em 2023); Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º lugar Internet em 2017 e 2016);Prêmio Sistema Fiep de Jornalismo (1º lugar Internet – 2014 e 3º lugar Internet – 2015); Melhor Jornalista de Economia do Paraná concedido pelo Conselho Regional de Economia do Paraná (agosto de 2010); Prêmio Associação Comercial do Paraná de Jornalismo de Economia (outubro de 2010), Destaque do Jornalismo Econômico do Paraná -Shopping Novo Batel (março de 2011). Em dezembro de 2009 ganhou o prêmio Destaque em Radiodifusão nos Melhores do Ano do jornal Diário Popular. Demais prêmios: Prêmio Ceag de Jornalismo, Centro de Apoio à Pequena e Média Empresa do Paraná, atual Sebrae (1987), Prêmio Cidade de Curitiba na categoria Jornalismo Econômico da Câmara Municipal de Curitiba (1990), Prêmio Qualidade Paraná, da International, Exporters Services (1991), Prêmio Abril de Jornalismo, Editora Abril (1992), Prêmio destaque de Jornalismo Econômico, Fiat Allis (1993), Prêmio Mercosul e o Paraná, Federação das Indústrias do Estado do Paraná (1995), As mulheres pioneiras no jornalismo do Paraná, Conselho Estadual da Mulher do Paraná (1996), Mulher de Destaque, Câmara Municipal de Curitiba (1999), Reconhecimento profissional, Sindicato dos Engenheiros do Estado do Paraná (2005), Reconhecimento profissional, Rotary Club de Curitiba Gralha Azul (2005).Faz parte da publicação “Jornalistas Brasileiros – Quem é quem no Jornalismo de Economia”, livro organizado por Eduardo Ribeiro e Engel Paschoal que traz os maiores nomes do Jornalismo Econômico brasileiro.

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