Varejistas se preparam para novo crescimento das vendas
AÂ indústria e o varejo de alimentos e bebidas preveem vendas aquecidas e sem riscos de desabastecimento de produtos neste final de ano. Os ganhos de renda, puxados pela redução das taxas de desemprego, estão elevando o consumo das classes C e D, gerando crescimentos recordes na comercialização de produtos nos supermercados. Pelo lado da indústria, apesar da retomada da produção a patamares anteriores á crise financeira internacional, o setor afirma estar preparado para atender aos pedidos de final de ano.
Com o dólar desvalorizado, a tendência é de que o varejo amplie a representatividade de produtos importados neste final de ano. Além da venda de brinquedos e eletrônicos, produtos tradicionais como bacalhau, vinhos e frutas secas importados devem ganhar espaço á mesa dos consumidores. A rede varejista Pão de Açúcar prevê comercializar um nível recorde de produtos importados, com uma alta de até 30% sobre o Natal de 2009, afirma o diretor de importações e exportações da companhia, Sandro Benelli.
Com o crescimento do poder de compra da população, a expectativa é de que a venda de importados em 2010 seja uma das mais expressivas. Para o presidente do conselho deliberativo da Associação Brasileira de Exportadores e Importadores de Alimentos e Bebidas (ABBA), Adilson Carvalhal Júnior, as compras externas devem crescer entre 15% e 20% sobre o final de ano de 2009. “Com o dólar mais barato, mais marcas e linhas de produtos importados estão chegando aos consumidores”, destacou.
Produtos como conservas, molhos, legumes, queijos, em conjunto aos tradicionais vinhos e azeites, puxam as compras do exterior. Segundo Carvalhal Júnior, empresas brasileiras estão deixando de exportar para destinar produtos ao mercado interno, sobretudo de itens como conservas, mel, temperos, chás e geleias.
Situação semelhante é vista na indústria de embalagens, principalmente entre os fabricantes de matérias-primas usadas no setor. በo caso do papel cartão, utilizado em embalagens de produtos como refrigerados, matinais, etc. Líder do mercado, a Klabin internalizou parte da produção exportada no restante do ano, movimento seguido pela Papirus. “A participação do mercado interno nas vendas em 2010 está acima de 90% Em 2009, aproximadamente 25% das vendas eram exportadas”, destaca o diretor comercial da Papirus, Amando Varella.
Nos supermercados refrigerantes, leite, chocolate, cervejas, queijos e pizza entram cada vez mais na cesta de compras dos brasileiros. Esse movimento levou o setor a registrar nos oito primeiros meses deste ano a maior taxa de crescimento na quantidade de produtos vendidos ao varejo desde 2005 – com alta de 6,8% sobre o mesmo intervalo de 2009 -, quando a Associação Brasileira de Supermercados (Abras), em conjunto com a Nielsen, passou a monitorar o volume comercializado nos autosserviços. “Nunca se comprou tanto nos supermercados”, diz o presidente da Abras, Sussumu Honda.








