Com a Selic em dois dígitos, onde investir?

Com a Selic em dois dígitos, onde investir?

A nova taxa Selic foi fixada em 10,75% ao ano. De acordo com o assessor de investimentos da iHUB, Diogo Santos, ao alterar a Selic o BC muda a taxa básica da economia e imediatamente, no dia seguinte, alguns investimentos passam a render mais.

“Assim que o Comitê de Política Monetária anuncia que a Selic subiu, essa mudança faz com que as aplicações no Tesouro Direto Selic, por exemplo, passem a render mais no dia seguinte”, comenta Santos.

A taxa básica de juros serve como referência para o retorno dos investimentos de maneira geral, mas não só deles, ela é importante porque influencia no custo dos empréstimos e financiamentos. É possível afirmar que as mudanças da Selic impactam toda a economia do país.

Se por um lado o aumento da Selic pode ser muito negativo para quem precisa de um empréstimo, por exemplo, ela pode ser muito benéfica para quem pode investir. Abaixo, confira as opções de investimentos que se beneficiam com as altas da taxa Selic:

Tesouro Direto Selic 

O Tesouro Direto Selic rende 100% da taxa básica de juros. No início de 2021, o retorno para quem aplicava nessa opção de investimento era de 2% ao ano, o que era considerado muito pouco e, por isso, fez muita gente resgatar sua aplicação, porém, esse valor foi subindo ao longo do ano, e após a última alta feita pelo BC ele passou a render 10,75% a.a.

“Essa aplicação é considerada por muitos analistas o investimento mais seguro no Brasil. Além de trazer segurança, ele rende mais do que a poupança e caso o resgate seja solicitado até às 13h o recurso é liberado no mesmo dia, após este horário a liquidez é em D+1, ou seja, o dinheiro cai na sua conta no dia seguinte”, explica o assessor de investimentos da iHUB.

Certificado de Depósito Bancário

Os CDBs também são ótimas oportunidades para quem busca se beneficiar do aumento da taxa Selic. Existem alguns tipos de certificados de depósito bancário, mas aqui o destaque vai para os títulos pós-fixados e atrelados ao CDI (Certificado de Depósito Interbancário) –  taxa que os bancos e instituições financeiras usam para fazerem empréstimos entre si-, essa opção historicamente segue a Selic, por isso, quando a Selic sobe o CDI acompanha e vice-versa.

Diogo explica que para quem precisa de liquidez diária eventualmente há  oportunidades que pagam em média 103% do CDI na plataforma da XP, mas é importante saber que isso varia de acordo com a disponibilidade do produto.

Agora, para aqueles que não têm a necessidade de uma liquidez tão curta e podem deixar dinheiro investido, é possível encontrar opções que pagam 120% do CDI ou até mais, que também depende da disponibilidade.

Na prática, quando se investe em CDBs o investidor está realizando um empréstimo para o banco e, por isso, ele remunera. Vale ressaltar que os CDBs contam com uma segurança adicional que é a cobertura do FGC (Fundo Garantidor de Crédito) de até R$250 mil por CPF e por instituição, caso o banco emissor venha a falir.

Letra de Crédito Imobiliário

As LCIs foram criadas para impulsionar o mercado de crédito imobiliário no país, em termos práticos elas são títulos emitidos por bancos que emprestam esse recurso para empresas ligadas ao mercado imobiliário. São muito parecidas com o CDB, porém, possuem um diferencial muito interessante que é o fato de ser isenta de imposto de renda.

“É comum encontrar LCIs que pagam 100% do CDI, mas vale lembrar que por ser isento de IR, uma LCI com vencimento para até 180 dias é equivalente a um CDB que paga 129% do CDI, por isso, vale a pena fazer essa conta e se tiver dúvidas converse com seu assessor” explica Santos.

Assim como os CDBs, as LCIs também contam com a garantia do FGC.

Letra de Crédito do Agronegócio

Já as LCAs são muito parecidas com as LCIs, com a diferença de que vieram para incentivar o agronegócio. Elas também são isentas de IR e contam com a garantia do FGC.

Fundos de Investimentos Referenciados DI

Os Fundos DI, como o nome sugere, buscam obter retornos que acompanham o CDI, suas características principais são: baixa volatilidade e baixas taxas de administração.

Com frequência são utilizados como caixa ou reserva de emergência por possuírem retornos próximos ao CDI, aliado a liquidez imediata ou D+1. Mas, isso pode variar de fundo para fundo e, por isso, é muito importante ler o prospecto e conversar com um assessor de investimentos  para se assegurar de que a escolha está adequada a seu objetivo.

“Esses cinco principais títulos vão se beneficiar da alta da Selic. O mais interessante é que por serem pós-fixados, caso a Selic continue a subir eles vão acompanhar e o contrário também é verdadeiro”, finaliza Diogo.

 

Mirian Gasparin

Mirian Gasparin, natural de Curitiba, é formada em Comunicação Social com habilitação em Jornalismo pela Universidade Federal do Paraná e pós-graduada em Finanças Corporativas pela Universidade Federal do Paraná. Profissional com experiência de 50 anos na área de jornalismo, sendo 48 somente na área econômica, com trabalhos pela Rádio Cultura de Curitiba, Jornal Indústria & Comércio e Jornal Gazeta do Povo. Também foi assessora de imprensa das Secretarias de Estado da Fazenda, da Indústria, Comércio e Desenvolvimento Econômico e da Comunicação Social. Desde abril de 2006 é colunista de Negócios da Rádio BandNews Curitiba e escreveu para a revista Soluções do Sebrae/PR. Também é professora titular nos cursos de Jornalismo e Ciências Contábeis da Universidade Tuiuti do Paraná. Ministra cursos para empresários e executivos de empresas paranaenses, de São Paulo e Rio de Janeiro sobre Comunicação e Língua Portuguesa e faz palestras sobre Investimentos. Em julho de 2007 veio um novo desafio profissional, com o blog de Economia no Portal Jornale. Em abril de 2013 passou a ter um blog de Economia no portal Jornal e Notícias. E a partir de maio de 2014, quando completou 40 anos de jornalismo, lançou seu blog independente. Nestes 16 anos de blog, mais de 35 mil matérias foram postadas. Ao longo de sua carreira recebeu 20 prêmios, com destaque para o VII Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º e 3º lugar na categoria webjornalismo em 2023); Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º lugar Internet em 2017 e 2016);Prêmio Sistema Fiep de Jornalismo (1º lugar Internet – 2014 e 3º lugar Internet – 2015); Melhor Jornalista de Economia do Paraná concedido pelo Conselho Regional de Economia do Paraná (agosto de 2010); Prêmio Associação Comercial do Paraná de Jornalismo de Economia (outubro de 2010), Destaque do Jornalismo Econômico do Paraná -Shopping Novo Batel (março de 2011). Em dezembro de 2009 ganhou o prêmio Destaque em Radiodifusão nos Melhores do Ano do jornal Diário Popular. Demais prêmios: Prêmio Ceag de Jornalismo, Centro de Apoio à Pequena e Média Empresa do Paraná, atual Sebrae (1987), Prêmio Cidade de Curitiba na categoria Jornalismo Econômico da Câmara Municipal de Curitiba (1990), Prêmio Qualidade Paraná, da International, Exporters Services (1991), Prêmio Abril de Jornalismo, Editora Abril (1992), Prêmio destaque de Jornalismo Econômico, Fiat Allis (1993), Prêmio Mercosul e o Paraná, Federação das Indústrias do Estado do Paraná (1995), As mulheres pioneiras no jornalismo do Paraná, Conselho Estadual da Mulher do Paraná (1996), Mulher de Destaque, Câmara Municipal de Curitiba (1999), Reconhecimento profissional, Sindicato dos Engenheiros do Estado do Paraná (2005), Reconhecimento profissional, Rotary Club de Curitiba Gralha Azul (2005). Faz parte da publicação “Jornalistas Brasileiros – Quem é quem no Jornalismo de Economia”, livro organizado por Eduardo Ribeiro e Engel Paschoal que traz os maiores nomes do Jornalismo Econômico brasileiro.

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