Já pensou em lucrar em dólar? Conheça o cross border

Já pensou em lucrar em dólar? Conheça o cross border

Modalidade de venda internacional se valoriza com a alta da moeda americana

Com o dólar alto, muitas oportunidades de negócios perdem parte do valor, mas um sempre se valoriza: a exportação. Porém, o que antes era reservado a grandes empresas pode ser feito por qualquer loja online, e essa modalidade de venda tem um nome: cross border, ou venda transfronteiriça. De acordo com o levantamento “Seizing the Cross-Border Opportunity” da Forrester, 82% da população mundial faz compras em sites internacionais, procurando oportunidades de compras mais baratas fora das mãos de lojas de importação, que aplicam suas próprias taxas para obter lucro.

Com a pandemia, em que houve um crescimento de 9,5% no número de usuários de e-commerce segundo dados da consultoria italiana Finaria.it, a desconfiança que alguns consumidores sentiam com compras online internacionais foi se reduzindo. Segundo Guilherme Juliani, presidente do Grupo Move3, holding que reúne grandes empresas de logística como Moove+, Moove+ Portugal e Flash Courier, essa queda na desconfiança somada com a desvalorização do real torna o Brasil um espaço perfeito para o cross border.

“O vendedor não deve apenas passar o preço do seu produto em real para o dólar, mantendo a taxa de lucro igual, e sim fazer uma pesquisa de mercado e vender o seu produto apenas um pouco mais baixo que a média em dólar. Dessa forma, é oferecido um benefício ao cliente internacional e uma porcentagem de lucro muito maior ao exportador brasileiro”, explica Guilherme Juliani.

Para quem ainda não sabe o que vender, algumas coisas devem ser pensadas, como a perecibilidade do produto, que precisa aguentar a jornada internacional. Porém, outras coisas devem ser levadas em consideração. “Para quem pensa em vender eletrônicos, é necessário lembrar que o custo de um produto desse setor quase sempre será menor em países asiáticos que no Brasil, por exemplo. Mas o País consegue oferecer um preço competitivo em itens como brinquedos, artigos para hobbies, acessórios, cosméticos e artesanais”, aponta Juliani.

Confira outras dicas para aplicar o cross border:

1 – Burocracia

Se o vendedor já possui um CNPJ, não precisa alterá-lo para realizar exportações. “O Brasil é um país que, de certa forma, incentiva a exportação, já que a burocracia é muito menor comparada a de outros países”, comenta Guilherme. Só é necessário se atentar para, na nota fiscal, preencher o grupo 7000 no campo “natureza da operação”. Ele indica que a venda é destinada para o exterior, e tem como benefício a isenção dos impostos ICMS e IPI.

2 – Conheça bem o inglês

Mesmo se o cliente final não for de um país anglófono, como Estados Unidos e Inglaterra, é importante evitar traduções muito literais, típicas de serviços online. “É interessante saber o vocabulário da área do seu produto, algo que costuma vir naturalmente com o tempo. O tradutor quebra um galho para responder dúvidas do cliente, por exemplo, mas precisa de um cuidado maior com o inglês usado para anunciar o produto”, explica Juliani. Além de passar maior credibilidade, usar um termo incorreto pode comprometer a presença do produto nos resultados dos mecanismos de busca.

3 – Clareza é essencial

Sendo as taxas pré-pagas ou pós-pagas pelo cliente, é necessário ser claro sobre o processo e valores na hora de fechar a compra. “O consumidor não quer ter surpresas quando o produto chegar no país com taxas inesperadas, por isso a modalidade pré-paga, usada por players como a Amazon, costuma ser muito popular no ramo”, conta o CEO do Grupo MOVE3. Grandes impostos que aparecem só no pós-pago podem fazer com que o cliente desista do produto e ele retorne ao Brasil, o que pode implicar em novas taxas para o vendedor — quando um produto volta ao país, ele é taxado como uma importação normal pela Receita Federal.

4 – Como funcionam as devoluções

Bem, como dito acima, o produto será taxado como uma importação comum ao voltar ao Brasil. “As taxas são altas, e normalmente não vale a pena”, aponta Guilherme. Porém, não há razão para desespero: existem operadores de logística reversa em centros de distribuição em todo o mundo. O vendedor só paga um percentual a eles quando vender o produto novamente no país e eles despacharem.

5 – Onde vender?

Essa é a pergunta principal e passa por vários pontos: qual plataforma de venda será escolhida, qual transportadora será usada e qual país a maioria dos seus compradores mora. “Antes de tudo, vale a pena decidir qual país é seu foco então ver quais plataformas de venda são mais populares no local. A expansão sempre é possível e desejada, mas é importante começar focando para não atirar para todos os lados e diluir os esforços e, consequentemente, os resultados”, explica Juliani. Um país que pode ser interessante para muitos vendedores, por exemplo, é os Estados Unidos, que possui uma cultura de compras online consolidada e está a uma viagem de avião do Brasil, muitas vezes sem escalas. Porém, cada produto pode ter um foco em um mercado específico, e é útil fazer uma pesquisa para garantir bons resultados.

Mirian Gasparin

Mirian Gasparin, natural de Curitiba, é formada em Comunicação Social com habilitação em Jornalismo pela Universidade Federal do Paraná e pós-graduada em Finanças Corporativas pela Universidade Federal do Paraná.Profissional com experiência de 50 anos na área de jornalismo, sendo 48 somente na área econômica, com trabalhos pela Rádio Cultura de Curitiba, Jornal Indústria & Comércio e Jornal Gazeta do Povo. Também foi assessora de imprensa das Secretarias de Estado da Fazenda, da Indústria, Comércio e Desenvolvimento Econômico e da Comunicação Social.Desde abril de 2006 é colunista de Negócios da Rádio BandNews Curitiba e escreveu para a revista Soluções do Sebrae/PR. Também é professora titular nos cursos de Jornalismo e Ciências Contábeis da Universidade Tuiuti do Paraná. Ministra cursos para empresários e executivos de empresas paranaenses, de São Paulo e Rio de Janeiro sobre Comunicação e Língua Portuguesa e faz palestras sobre Investimentos.Em julho de 2007 veio um novo desafio profissional, com o blog de Economia no Portal Jornale. Em abril de 2013 passou a ter um blog de Economia no portal Jornal e Notícias. E a partir de maio de 2014, quando completou 40 anos de jornalismo, lançou seu blog independente. Nestes 16 anos de blog, mais de 35 mil matérias foram postadas.Ao longo de sua carreira recebeu 20 prêmios, com destaque para o VII Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º e 3º lugar na categoria webjornalismo em 2023); Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º lugar Internet em 2017 e 2016);Prêmio Sistema Fiep de Jornalismo (1º lugar Internet – 2014 e 3º lugar Internet – 2015); Melhor Jornalista de Economia do Paraná concedido pelo Conselho Regional de Economia do Paraná (agosto de 2010); Prêmio Associação Comercial do Paraná de Jornalismo de Economia (outubro de 2010), Destaque do Jornalismo Econômico do Paraná -Shopping Novo Batel (março de 2011). Em dezembro de 2009 ganhou o prêmio Destaque em Radiodifusão nos Melhores do Ano do jornal Diário Popular. Demais prêmios: Prêmio Ceag de Jornalismo, Centro de Apoio à Pequena e Média Empresa do Paraná, atual Sebrae (1987), Prêmio Cidade de Curitiba na categoria Jornalismo Econômico da Câmara Municipal de Curitiba (1990), Prêmio Qualidade Paraná, da International, Exporters Services (1991), Prêmio Abril de Jornalismo, Editora Abril (1992), Prêmio destaque de Jornalismo Econômico, Fiat Allis (1993), Prêmio Mercosul e o Paraná, Federação das Indústrias do Estado do Paraná (1995), As mulheres pioneiras no jornalismo do Paraná, Conselho Estadual da Mulher do Paraná (1996), Mulher de Destaque, Câmara Municipal de Curitiba (1999), Reconhecimento profissional, Sindicato dos Engenheiros do Estado do Paraná (2005), Reconhecimento profissional, Rotary Club de Curitiba Gralha Azul (2005).Faz parte da publicação “Jornalistas Brasileiros – Quem é quem no Jornalismo de Economia”, livro organizado por Eduardo Ribeiro e Engel Paschoal que traz os maiores nomes do Jornalismo Econômico brasileiro.

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