Cooperativas avaliam cenários para comercialização da safra

De olho no mercado futuro das principais commodities agícolas e cientes dos impactos da desvalorização cambial para a formação dos preços, presidentes, coordenadores e técnicos de cooperativas de produção de várias regiões do Brasil estão reunidos em Curitiba, nesta terça-feira (19), para o Seminário Tendências do Agronegócio – Cenário para 2011, somando mais de 140 participantes. Promovido pela Organização das Cooperativas Brasileiras (OCB), com o apoio do Sistema Ocepar, o evento tem por objetivo analisar as perspectivas e tendências para produção, consumo e comercialização de soja e milho, discutir os reflexos do cá¢mbio baixo no agronegócio nacional e analisar as políticas econômica e agícola que visam apoiar a comercialização dos produtos agícolas.

Diferente da safra passada, em que as cotações da soja foram influenciadas por fatores especulativos, em 2011 a formação dos preços para comercialização da oleaginosa será fundamentada na lógica da oferta e demanda. “O preço da soja na Bolsa de Chicago (CBOT) ficou engessado ao longo deste ano, entre US$ 9 o bushel e US$ 10 o bushel. Apenas recentemente subiu para US$ 12 o bushel, quando boa parte da safra brasileira já foi comercializada. A perspectiva é que esse patamar se mantenha na comercialização da safra 2011, mas com a diferença de que não haverá especulação, o seja, os preços serão mais firmes e consistentes”, disse o economista Flávio Roberto de França Júnior, diretor técnico da área de soja e oleaginosas e analista sênior do Grupo Safras & Mercado.

Ao analisar as tendências para o mercado de soja durante o Seminário Tendência do Agronegócio 2010, França Júnior afirmou que as projeções para a safra 2011 de soja apontam um cenário muito diferente em relação a 2010, em que os produtores terão margens mais apertadas em relação á  safra passada, porém, ainda positivas. “Os aspectos favoráveis são os custos menores, tecnologia e possivelmente as cotações mais firmes na CBOT. Outro fator positivo são os prêmios de exportação, os quais devem se manter, em média, no patamar entre US$ 0,40 a 0,50 o bushell para a soja em grão no porto de Paranaguá (PR)”, comentou. Já as preocupações estarão focadas em dois pontos: clima e cá¢mbio instável. “O clima não apenas preocupa como provoca mudanças no perfil de plantio, tanto que o plantio no Centro Oeste o Brasil já está atrasado”, disse. Em relação ao cá¢mbio, França Júnior comentou que o governo brasileiro está tomando medidas internas para conter o ritmo de queda , no entanto, externamente não há o que fazer para evitar a desvalorização do dólar frente ao Real.

Apesar da tendência de preços melhores em 2011, o analista recomenda que o produtor tenha calma, ou seja, é prudente não ter pressa para comercializar a safra. “Ainda tem muita coisa para acontecer este ano e no próximo, que pode mudar tudo o que está projetado 2011. O meu conselho é vender a produção, mas sem ser agressivo. Não dá para deixar de aproveitar os bons preços, mas é bom seguir uma linha conservadora, sem falar que 2010 é um  ano de margens apertadas, sendo que a expectativa é que os preços melhorem de 10% a 15% na época da colheita”, aconselha.

Soma

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