66% das empresas reconhecem alto risco de atraso ou calote nos recebíveis

66% das empresas reconhecem alto risco de atraso ou calote nos recebíveis

Com o cenário mundial ainda em fase de retomada da economia devido às consequências da pandemia, somado à crescente alta da inflação global e da taxa de juros, as empresas já têm sentido dificuldades em relação ao cumprimento dos prazos de pagamentos, negociações com clientes e trato com fornecedores. A segunda edição do Relatório sobre Pagamentos no Brasil realizado pela Intrum, empresa europeia líder no mercado de cobrança, mostrou que 77% das empresas receberam pedidos para renegociar os prazos de pagamento para períodos maiores do que se sentem confortáveis nos últimos 12 meses e 70% concordaram. E entre os possíveis impactos do atraso de pagamentos, o crescimento da empresa (50%) e a ameaça à sobrevivência (41%) são os mais citados.

O estudo da Intrum, que tem como objetivo entender o comportamento de pagamento e o impacto na perspectiva de negócios das empresas, é publicado anualmente desde 1998 e começou a considerar dados específicos do Brasil no ano passado. A partir das declarações das 700 empresas de pequeno a grande porte entrevistadas, ficou perceptível que o comportamento em relação a pagamentos tem sido diferente em cada setor. Entre empresas B2B, por exemplo, cresceu de 11 para 16 dias a média de atraso nos pagamentos. Já nos negócios com setor público, a diferença foi ainda maior, de 13 para 20 dias entre 2021 e 2022.

“Neste cenário desafiador, as grandes empresas, por trabalharem com escalas maiores e terem uma margem de lucro mais confortável, conseguem melhores negociações com os fornecedores, o que as ajuda a oferecer descontos e condições de pagamento mais atrativas aos seus clientes. Já as pequenas e médias empresas tendem a aceitar prazos maiores de pagamento somente com a condição de aplicação de taxa extra”, avalia Ulisses Rodrigues, CEO da Intrum Brasil.

O impacto dos atrasos cai diretamente sobre as margens de crescimento das empresas: 54% delas consideram a diferença entre os prazos de pagamentos e a sua duração um risco para o crescimento sustentável do negócio. E, como em toda cadeia, os fornecedores também são afetados. Como consequência, a percepção por parte das empresas sobre o risco associado aos seus recebíveis se manteve alta, e 66% acreditam que o risco de atraso ou calote nos pagamentos irá aumentar nos próximos 12 meses.

Atualmente, 61% das companhias estão com dificuldades de pagar seus fornecedores em dia em razão da inflação. Entre 2021 e 2022, saltou de 47% para 56% a proporção de empresas que precisaram pedir para estender os prazos de pagamentos aos fornecedores em razão das incertezas macroeconômicas.

A gestão de recursos humanos também é outra grande afetada. Entre 2021 e 2022, aumentou de 47% para 60% a proporção de empresas que contratariam mais colaboradores em meio à antecipação dos recebíveis.

Apesar das consequências dos atrasos nos pagamentos, 60% das empresas declararam que reconhecem a necessidade de tornar o nosso negócio mais resiliente. Para elas, o foco deve estar em se tornar mais consciente a respeito do ambiente de risco e melhorar a gestão de dívidas.

Mirian Gasparin

Mirian Gasparin, natural de Curitiba, é formada em Comunicação Social com habilitação em Jornalismo pela Universidade Federal do Paraná e pós-graduada em Finanças Corporativas pela Universidade Federal do Paraná.Profissional com experiência de 50 anos na área de jornalismo, sendo 48 somente na área econômica, com trabalhos pela Rádio Cultura de Curitiba, Jornal Indústria & Comércio e Jornal Gazeta do Povo. Também foi assessora de imprensa das Secretarias de Estado da Fazenda, da Indústria, Comércio e Desenvolvimento Econômico e da Comunicação Social.Desde abril de 2006 é colunista de Negócios da Rádio BandNews Curitiba e escreveu para a revista Soluções do Sebrae/PR. Também é professora titular nos cursos de Jornalismo e Ciências Contábeis da Universidade Tuiuti do Paraná. Ministra cursos para empresários e executivos de empresas paranaenses, de São Paulo e Rio de Janeiro sobre Comunicação e Língua Portuguesa e faz palestras sobre Investimentos.Em julho de 2007 veio um novo desafio profissional, com o blog de Economia no Portal Jornale. Em abril de 2013 passou a ter um blog de Economia no portal Jornal e Notícias. E a partir de maio de 2014, quando completou 40 anos de jornalismo, lançou seu blog independente. Nestes 16 anos de blog, mais de 35 mil matérias foram postadas.Ao longo de sua carreira recebeu 20 prêmios, com destaque para o VII Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º e 3º lugar na categoria webjornalismo em 2023); Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º lugar Internet em 2017 e 2016);Prêmio Sistema Fiep de Jornalismo (1º lugar Internet – 2014 e 3º lugar Internet – 2015); Melhor Jornalista de Economia do Paraná concedido pelo Conselho Regional de Economia do Paraná (agosto de 2010); Prêmio Associação Comercial do Paraná de Jornalismo de Economia (outubro de 2010), Destaque do Jornalismo Econômico do Paraná -Shopping Novo Batel (março de 2011). Em dezembro de 2009 ganhou o prêmio Destaque em Radiodifusão nos Melhores do Ano do jornal Diário Popular. Demais prêmios: Prêmio Ceag de Jornalismo, Centro de Apoio à Pequena e Média Empresa do Paraná, atual Sebrae (1987), Prêmio Cidade de Curitiba na categoria Jornalismo Econômico da Câmara Municipal de Curitiba (1990), Prêmio Qualidade Paraná, da International, Exporters Services (1991), Prêmio Abril de Jornalismo, Editora Abril (1992), Prêmio destaque de Jornalismo Econômico, Fiat Allis (1993), Prêmio Mercosul e o Paraná, Federação das Indústrias do Estado do Paraná (1995), As mulheres pioneiras no jornalismo do Paraná, Conselho Estadual da Mulher do Paraná (1996), Mulher de Destaque, Câmara Municipal de Curitiba (1999), Reconhecimento profissional, Sindicato dos Engenheiros do Estado do Paraná (2005), Reconhecimento profissional, Rotary Club de Curitiba Gralha Azul (2005).Faz parte da publicação “Jornalistas Brasileiros – Quem é quem no Jornalismo de Economia”, livro organizado por Eduardo Ribeiro e Engel Paschoal que traz os maiores nomes do Jornalismo Econômico brasileiro.

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