Turbulência na Bolsa de Valores gera oportunidades para quem faz day trade

Turbulência na Bolsa de Valores gera oportunidades para quem faz day trade

Volatilidade dos últimos meses e até escândalos financeiros como da Americanas atraem a atenção de quem quer ganhar dinheiro no curtíssimo prazo

Pode parecer estranho para os leigos, mas os efeitos do escândalo contábil em que a Lojas Americanas (AMER3) se envolveu – rombo de R$ 20 bilhões nas contas da empresa – e mesmo a alta volatilidade em geral registrada durante todo o ano de 2022 são as razões para que cada vez mais pessoas, a maioria jovens, busquem trabalhar como day trader no mercado financeiro brasileiro.

O aumento no interesse pela profissão de trader é atestado pela Axia Investing, plataforma fundada em 2017 pioneira no segmento de mesa proprietária no Brasil. Somente no ano passado, a Axia registrou crescimento de 40% no número de traders cadastrados, chegando hoje a mais de 4.000 profissionais aprovados para operar em sua mesa. Em comum, todos desejam ganhar dinheiro de forma rápida aproveitando o sobe e desce do mercado.

Por essa razão, as notícias recentes como a das Lojas Americanas, ao invés de assustar, servem de chamariz para essas pessoas. No dia seguinte ao anúncio do rombo, as ações da varejista caíram 77,33%, mais que suficiente para deixar muito investidor apavorado. Cada ação custava R$ 12 e passou a valer R$ 2,72. Acontece que, um dia após o desastre, os papéis da companhia voltaram a subir.

“E bem. Até por volta das 15h já haviam valorizado 34,92%, saltando para R$ 3,67. Ou seja, um trader experiente comprou essas ações quando estavam bem baratinhas na abertura do pregão e as revendeu no auge da alta, no mesmo dia, lucrando com isso”, explica Antônio Marcos Samad Júnior, CEO da Axia Investing. A grande vantagem de você operar no day trade, é que você não fica sujeito à esses “sustos” entre um pregão e outro. No dia seguinte as ações voltaram a abrir com um grande gap de baixa e nenhum day trader estava posicionado.

O CEO reforça que se não existisse volatilidade, ninguém ganharia. “Imagine um trader ou qualquer outro investidor comprar uma determinada ação por R$ 20 hoje e, meses depois, ela continuar a custar os mesmos R$ 20. Como não é assim, é possível fazer dinheiro diariamente, desde que o trader esteja devidamente preparado”.

Mesa proprietária

Para entender melhor o que é uma mesa proprietária, primeiro é preciso saber que trader é um profissional que tenta ganhar dinheiro com a compra e venda diária de papéis, contratos futuros, comodities ou qualquer outro ativo no mercado financeiro. Essa ação é conhecida no mercado como day trade que, em português, pode ser traduzido como negociação do dia. Esses papéis podem ser ações de empresas ou moedas estrangeiras (câmbio) só para citar dois exemplos.

O problema é que no método tradicional, o trader arrisca o próprio capital em suas investidas na Bolsa. Assim, ele tanto pode fazer dinheiro quanto pode perder parte ou todo o capital caso faça alguma previsão errada. Mas o trader que opera por meio de uma mesa proprietária não corre esse risco porque opera no mercado com o dinheiro da companhia, no caso, da Axia.

Claro que há todo um controle para limitar possíveis perdas a um patamar aceitável. A plataforma estipula quantos contratos poderão ser operados e o valor máximo de perda permitido. O sistema trava quando esse valor é atingido e só volta a funcionar no dia seguinte. Se o trader fechar o mês com lucro, ele recebe um percentual dos ganhos como forma de pagamento.

“É justamente essa segurança que tem atraído a atenção das pessoas, principalmente os mais jovens. Claro que, para ser admitido é preciso passar por um teste, que pode durar de 30 a 60 dias. Neste período o candidato tem de atingir as metas estipuladas. Embora não seja nosso foco, oferecemos cursos gratuitos e pagos para quem deseja obter conhecimento, mas eles não são obrigatórios. O importante é estar preparado e passar na avaliação”, explica Samad.

O executivo avalia que 2023 deve atrair ainda mais candidatos para o trabalho de day trade por duas razões semelhantes. A primeira é que o mercado financeiro, antes restrito à elite, está se popularizando. Da mesma forma, mais e mais pessoas tem aprendido sobre as vantagens que uma mesa proprietária oferece para quem está começando nesse segmento.

“Muitas pessoas têm curiosidade de atuar no mercado financeiro, mas recuam devido aos riscos de perdas. A mesa proprietária assume o risco e elimina a possibilidade de perda por parte de quem opera. Assim, o trader trabalha com mais tranquilidade e vai ganhando experiência ao mesmo tempo que obtém lucro com câmbio ou ações”, explica.

Ganhos podem ser altos

Em geral, quem começa a operar no mercado financeiro está em busca de uma renda complementar. Mas há casos em que a nova atividade se torna a principal. Mateus Rodrigues Tavares, de 30 anos, é um exemplo disso. Ele usou a mesa proprietária como porta de entrada para o mercado financeiro e, hoje, triplica sua renda atuando como day trader da Axia nas horas vagas.

Nascido e residente em Uberlândia (MG), Tavares conta que trabalha em uma empresa do ramo de transporte como analista financeiro, onde recebe R$ 3 mil mensais. Ele opera apenas duas horas por dia, pois ainda continua no emprego formal. Como tem de cumprir horário, sobra pouco tempo para fazer day trade. Mesmo assim, seus ganhos no novo trabalho têm superado o do emprego pela CLT. “Na média o trade me garante ganho três vezes maior, mas teve um mês que faturei R$ 13 mil”, afirma o operador de mercado. “Agora o day trade é a renda principal”

Mirian Gasparin

Mirian Gasparin, natural de Curitiba, é formada em Comunicação Social com habilitação em Jornalismo pela Universidade Federal do Paraná e pós-graduada em Finanças Corporativas pela Universidade Federal do Paraná. Profissional com experiência de 50 anos na área de jornalismo, sendo 48 somente na área econômica, com trabalhos pela Rádio Cultura de Curitiba, Jornal Indústria & Comércio e Jornal Gazeta do Povo. Também foi assessora de imprensa das Secretarias de Estado da Fazenda, da Indústria, Comércio e Desenvolvimento Econômico e da Comunicação Social. Desde abril de 2006 é colunista de Negócios da Rádio BandNews Curitiba e escreveu para a revista Soluções do Sebrae/PR. Também é professora titular nos cursos de Jornalismo e Ciências Contábeis da Universidade Tuiuti do Paraná. Ministra cursos para empresários e executivos de empresas paranaenses, de São Paulo e Rio de Janeiro sobre Comunicação e Língua Portuguesa e faz palestras sobre Investimentos. Em julho de 2007 veio um novo desafio profissional, com o blog de Economia no Portal Jornale. Em abril de 2013 passou a ter um blog de Economia no portal Jornal e Notícias. E a partir de maio de 2014, quando completou 40 anos de jornalismo, lançou seu blog independente. Nestes 16 anos de blog, mais de 35 mil matérias foram postadas. Ao longo de sua carreira recebeu 20 prêmios, com destaque para o VII Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º e 3º lugar na categoria webjornalismo em 2023); Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º lugar Internet em 2017 e 2016);Prêmio Sistema Fiep de Jornalismo (1º lugar Internet – 2014 e 3º lugar Internet – 2015); Melhor Jornalista de Economia do Paraná concedido pelo Conselho Regional de Economia do Paraná (agosto de 2010); Prêmio Associação Comercial do Paraná de Jornalismo de Economia (outubro de 2010), Destaque do Jornalismo Econômico do Paraná -Shopping Novo Batel (março de 2011). Em dezembro de 2009 ganhou o prêmio Destaque em Radiodifusão nos Melhores do Ano do jornal Diário Popular. Demais prêmios: Prêmio Ceag de Jornalismo, Centro de Apoio à Pequena e Média Empresa do Paraná, atual Sebrae (1987), Prêmio Cidade de Curitiba na categoria Jornalismo Econômico da Câmara Municipal de Curitiba (1990), Prêmio Qualidade Paraná, da International, Exporters Services (1991), Prêmio Abril de Jornalismo, Editora Abril (1992), Prêmio destaque de Jornalismo Econômico, Fiat Allis (1993), Prêmio Mercosul e o Paraná, Federação das Indústrias do Estado do Paraná (1995), As mulheres pioneiras no jornalismo do Paraná, Conselho Estadual da Mulher do Paraná (1996), Mulher de Destaque, Câmara Municipal de Curitiba (1999), Reconhecimento profissional, Sindicato dos Engenheiros do Estado do Paraná (2005), Reconhecimento profissional, Rotary Club de Curitiba Gralha Azul (2005). Faz parte da publicação “Jornalistas Brasileiros – Quem é quem no Jornalismo de Economia”, livro organizado por Eduardo Ribeiro e Engel Paschoal que traz os maiores nomes do Jornalismo Econômico brasileiro.

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