Apagão de mão de obra desafia techs

Apagão de mão de obra desafia techs

Empregadores demonstraram a intenção de oferecer requalificação e atualização para 70% de seus funcionários

O desemprego atinge cerca de 9 milhões de brasileiros no início do ano e é considerado um problema crônico da economia do País. Por outro lado, a Associação Brasileira das Empresas de Tecnologia da Informação e Comunicação (Brasscom) estima que o País irá gerar, até 2025, cerca de 797 mil vagas no setor. O problema é que anualmente são formados 53 mil trabalhadores nesta área e seriam necessários muitos mais para suprir as vagas que serão abertas no período. Essa diferença entre oferta e procura é chamada de apagão de mão-de-obra, que começa a ser enfrentado pelas startups com soluções de automação na requalificação dos times, mas precisa também contar com relevantes ajustes estratégicos na política educacional.

Na avaliação do professor Francisco Borges, mestre em Políticas Públicas do Ensino e consultor da Fundação de Apoio à Tecnologia (FAT), esse “apagão” é resultado de políticas educacionais que ignoraram as reais demandas do mercado. “Alinhar essas expectativas é crucial para reduzir o desemprego, e o primeiro desafio hoje é a busca pela excelência da capacitação, aquém do necessário na maior parte dos casos”, diz.

De acordo com ele, atualmente, existem mais de 19 milhões de vagas de cursos de graduação técnica presenciais e mais de 13 milhões de vagas para cursos EaD. Ou seja, não se trata de um problema de quantidade de vagas para qualificação profissional, e sim para quais setores elas são ofertadas. “Às vezes, as políticas educacionais priorizam cursos descolados da realidade do mercado”, afirma.

Ele destaca que existem, nas Instituições de Ensino Superior públicas, cursos que sequer conseguem ocupar suas vagas por serem de baixa capacidade de empregabilidade. Não é diferente nas instituições privadas, que também precisam conhecer mais o mercado, entender as demandas dos setores produtivos e se preparar para garantir aos alunos um acesso a posições de aproveitamento real do saber e do fazer.

O que fazem as startups?

Neste cenário, reter talentos e motivar pessoas são práticas que ocupam ainda mais o topo da lista de prioridades das empresas. Uma das respostas mais eficazes encontradas foi a modernização dos programas de incentivo para adaptar suas funcionalidades rapidamente às necessidades de cada organização. Rodolfo Carvalho, CEO da Incentivar, primeira plataforma especializada em incentivo inteligente do Brasil, apostou neste modelo e, no último ano aumentou a quantidade de usuários na plataforma em 40%.

“Temos a solução para uma das maiores dores das empresas, que é justamente manter seus times devidamente motivados e focados nas metas traçadas. Não é à toa que tivemos um crescimento de mais de 30% em faturamento de janeiro de 2021 até agora e aumentamos consideravelmente nossa carteira de clientes no mesmo período”, afirma o gestor.

Há 3 anos no mercado, a Incentivar atualmente atende companhias de todos os portes. No total, são mais de 50 clientes incluindo marcas líderes de seus segmentos como Coca-Cola Femsa, iFood, Wizard, Remax, Hypera, Marilan, entre outras. Uma das vantagens do software é sua característica SaaS e White Label. Por meio de dashboards tanto os colaboradores quanto seus gestores podem acompanhar o desempenho e o quanto falta para a meta ser alcançada. Aliás, o aplicativo possibilita o uso inteligente com base nos dados coletados durante a campanha. É possível acompanhar os resultados segmentados de todos os participantes durante a campanha, saber quais produtos foram resgatados com pontos na plataforma, entre outras funcionalidades que facilitam a tomada de decisões e preparação das equipes.

Outras ferramentas que têm ganhado cada vez mais espaço para ajudar os colaboradores a melhorarem suas performances durante o treinamento estão relacionadas à Inteligência Artificial (IA). Um levantamento feito pelo Fórum Econômico Mundial (FEM), que compõe o relatório Future of Jobs, mostrou que apesar de empregadores demonstrarem a intenção de oferecer requalificação e atualização para 70% de seus funcionários, apenas 42% dos empregados estão dispostos a receber esta oportunidade de atualização profissional. Neste contexto, cresce a expectativa de que, neste ano, setores ainda pouco familiarizados com essas tecnologias emergentes, como a própria IA, apostem na recomendação automática de conteúdo e gamificação.

Utilizando como base os dados do trabalho produzido pelo FEM, o fundador da Beedoo, plataforma de comunicação e capacitação para equipes operacionais, Álvaro Manzione, acrescenta que, em média, as empresas estimam que cerca de 40% dos trabalhadores precisarão de uma nova requalificação a cada seis meses. Além disso, 94% dos líderes empresariais esperam que seus funcionários adquiram novas habilidades no trabalho o quanto antes. “Suprir uma demanda com este volume e nesta velocidade é uma tarefa praticamente impossível de ser executada pelos métodos tradicionais de treinamento. Por isso, as empresas estão buscando a cada dia novas tecnologias e metodologias de ensino profissional”, diz.

Mirian Gasparin

Mirian Gasparin, natural de Curitiba, é formada em Comunicação Social com habilitação em Jornalismo pela Universidade Federal do Paraná e pós-graduada em Finanças Corporativas pela Universidade Federal do Paraná.Profissional com experiência de 50 anos na área de jornalismo, sendo 48 somente na área econômica, com trabalhos pela Rádio Cultura de Curitiba, Jornal Indústria & Comércio e Jornal Gazeta do Povo. Também foi assessora de imprensa das Secretarias de Estado da Fazenda, da Indústria, Comércio e Desenvolvimento Econômico e da Comunicação Social.Desde abril de 2006 é colunista de Negócios da Rádio BandNews Curitiba e escreveu para a revista Soluções do Sebrae/PR. Também é professora titular nos cursos de Jornalismo e Ciências Contábeis da Universidade Tuiuti do Paraná. Ministra cursos para empresários e executivos de empresas paranaenses, de São Paulo e Rio de Janeiro sobre Comunicação e Língua Portuguesa e faz palestras sobre Investimentos.Em julho de 2007 veio um novo desafio profissional, com o blog de Economia no Portal Jornale. Em abril de 2013 passou a ter um blog de Economia no portal Jornal e Notícias. E a partir de maio de 2014, quando completou 40 anos de jornalismo, lançou seu blog independente. Nestes 16 anos de blog, mais de 35 mil matérias foram postadas.Ao longo de sua carreira recebeu 20 prêmios, com destaque para o VII Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º e 3º lugar na categoria webjornalismo em 2023); Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º lugar Internet em 2017 e 2016);Prêmio Sistema Fiep de Jornalismo (1º lugar Internet – 2014 e 3º lugar Internet – 2015); Melhor Jornalista de Economia do Paraná concedido pelo Conselho Regional de Economia do Paraná (agosto de 2010); Prêmio Associação Comercial do Paraná de Jornalismo de Economia (outubro de 2010), Destaque do Jornalismo Econômico do Paraná -Shopping Novo Batel (março de 2011). Em dezembro de 2009 ganhou o prêmio Destaque em Radiodifusão nos Melhores do Ano do jornal Diário Popular. Demais prêmios: Prêmio Ceag de Jornalismo, Centro de Apoio à Pequena e Média Empresa do Paraná, atual Sebrae (1987), Prêmio Cidade de Curitiba na categoria Jornalismo Econômico da Câmara Municipal de Curitiba (1990), Prêmio Qualidade Paraná, da International, Exporters Services (1991), Prêmio Abril de Jornalismo, Editora Abril (1992), Prêmio destaque de Jornalismo Econômico, Fiat Allis (1993), Prêmio Mercosul e o Paraná, Federação das Indústrias do Estado do Paraná (1995), As mulheres pioneiras no jornalismo do Paraná, Conselho Estadual da Mulher do Paraná (1996), Mulher de Destaque, Câmara Municipal de Curitiba (1999), Reconhecimento profissional, Sindicato dos Engenheiros do Estado do Paraná (2005), Reconhecimento profissional, Rotary Club de Curitiba Gralha Azul (2005).Faz parte da publicação “Jornalistas Brasileiros – Quem é quem no Jornalismo de Economia”, livro organizado por Eduardo Ribeiro e Engel Paschoal que traz os maiores nomes do Jornalismo Econômico brasileiro.

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