Empresas endividadas que possuem imóveis encontram no crédito internacional uma maneira de salvar seus negócios

Empresas endividadas que possuem imóveis encontram no crédito internacional uma maneira de salvar seus negócios

Não é segredo algum que uma grande parcela de empresas brasileiras têm passado, principalmente durante os últimos anos, por períodos economicamente difíceis. A pandemia de Covid-19 foi fator determinante, segundo a Serasa Experian, para que, ao menos, 6,3 milhões de empresas ficassem com dívidas atrasadas, muitas delas, tendo que encerrar suas atividades.

Esses dados, bastante recentes (jan/2023), levantam uma questão importante sobre o que os empresários têm conseguido, à nível de crédito, para tentarem ‘reequilibrar’ o caixa das empresas e evitarem a medida mais temida por todos os empresários: a falência.

Uma pesquisa realizada pela Fundação Getúlio Vargas (FGV)), aponta que a concessão de crédito no Brasil é extremamente baixa, principalmente em momentos de incerteza econômica, taxa Selic alta e outros fatores sócio-políticos-econômicos que podem atingir diretamente a economia no Brasil, o que, segundo a instituição, dificulta manter as empresas em funcionamento e criar novos investimentos.

A FGV estima que, para que as empresas voltem a crescer, seria necessário injetar aproximadamente R$ 514 bilhões de reais em crédito anualmente, o que está bem longe do que os bancos realmente emprestam às empresas, que não chegou nem a 24% deste valor no ano passado, segundo o BC (Banco Central).

O especialista em captação de crédito internacional, Luciano Bravo, CEO da Inteligência Comercial e Country Manager da Savel Capital Partners, alerta para o fato de que as empresas podem e, muitas vezes, devem recorrer a fundos internacionais para a captação de recursos para serem injetados em suas empresas.

Garantia

Bravo explica que, assim como ocorre aqui no Brasil, os investidores estrangeiros também exigem alguma garantia. A principal diferença está no valor obtido através desta garantia. Vejamos:

Numa instituição bancária convencional brasileira, é necessário que a empresa não tenha dívidas, assim como seus sócios também tenham o ‘nome limpo’ na praça. Além disso, pede-se sempre uma garantia, normalmente imobiliária, que sirva como uma espécie de ‘caução’ em caso de inadimplência da empresa.

O que ocorre é que, normalmente, principalmente para as médias empresas, o valor ofertado pelos bancos brasileiros corresponde a cerca de 30% a 50% do valor deste imóvel dado em garantia, que ainda precisa atender a outros padrões, como estar localizado num grande centro, por exemplo.

Ou seja: se a empresa disponibilizou um imóvel avaliado em R$ 30 milhões de reais, o banco oferecerá de crédito, com muita sorte, um valor máximo de R$ 10.5 milhões, com taxas de juros altíssimas que, caso inadimplidas, poderá custar o imóvel de R$ 30 milhões dado como garantia, o que é um verdadeiro ‘terror’ para o empresário brasileiro.

Ainda há o caso de empresas que faturam R$ 200 milhões e possuem um imóvel de R$ 100 milhões, e o banco muitas vezes tem uma oferta de no máximo R$ 10 milhões.

Luciano Bravo, explica que, no crédito internacional, os investidores estrangeiros aceitam garantias de qualquer natureza, sendo área rural, comercial ou industrial, operacional ou não, própria ou de terceiros. E a principal diferença está no valor oferecido pela garantia: de 50% a 80%, ao invés de 30% oferecido pelos bancos nacionais, com taxas bem menores, já que o crédito internacional não está sujeito a algumas tributações brasileiras.

Através do aporte de capital internacional, por exemplo, é possível tomar emprestado de 50 a 250% do valor correspondente ao faturamento médio anual do empresário, enquanto que, no Brasil, a maioria dos bancos oferecem, devido à legislação do BACEN (Banco Central), apenas 30% do valor do faturamento.

“Essa diferença é extremamente ‘gritante’ e determinante para o empresário brasileiro, que precisa sobreviver com as ‘migalhas’ que os grandes bancos brasileiros oferecem a eles. É quase impossível viabilizar uma operação que seja capaz de expandir, a não ser que a empresa possua recursos próprios para isso, o que, depois da pandemia, se tornou ainda mais difícil de ver.”, analisa Luciano Bravo, especialista em captação de crédito internacional.

Lei do capital estrangeiro

A Lei 4.131 de 1962, que trata sobre a aplicação de capital estrangeiro, permite ainda que haja a isenção de tributos sobre o capital principal entrante no país. O crédito internacional é tributado sobre juros simples, o que permite ao empresário um custo bem menor do dinheiro para sua operação no Brasil.

De acordo com estimativas da Agência das Nações Unidas para o Comércio e Desenvolvimento (Unctad), o Brasil fechou 2021 ocupando a sétima posição entre os países que mais receberam investimentos de capital estrangeiro, somando mais de US$ 58 bilhões (em dólar) de investimentos.

“Isso prova quanto o investidor estrangeiro acredita no Brasil e no potencial do empreendedorismo brasileiro. E mostra, ainda, que estão dispostos a investir grandes quantias em empresas brasileiras mas, por falta de conhecimento, a maioria dos empresários ficam de fora, fazendo com que esses valores acabem apenas na mão das grandes corporações, que detém esse conhecimento”, conclui Luciano Bravo, que fornece, frequentemente, palestras e mentorias ensinando sobre o aporte de capital internacional para empresários brasileiros, e atua diretamente com operações de captação de crédito internacional por meio da Inteligência Comercial.

 

Mirian Gasparin

Mirian Gasparin, natural de Curitiba, é formada em Comunicação Social com habilitação em Jornalismo pela Universidade Federal do Paraná e pós-graduada em Finanças Corporativas pela Universidade Federal do Paraná.Profissional com experiência de 50 anos na área de jornalismo, sendo 48 somente na área econômica, com trabalhos pela Rádio Cultura de Curitiba, Jornal Indústria & Comércio e Jornal Gazeta do Povo. Também foi assessora de imprensa das Secretarias de Estado da Fazenda, da Indústria, Comércio e Desenvolvimento Econômico e da Comunicação Social.Desde abril de 2006 é colunista de Negócios da Rádio BandNews Curitiba e escreveu para a revista Soluções do Sebrae/PR. Também é professora titular nos cursos de Jornalismo e Ciências Contábeis da Universidade Tuiuti do Paraná. Ministra cursos para empresários e executivos de empresas paranaenses, de São Paulo e Rio de Janeiro sobre Comunicação e Língua Portuguesa e faz palestras sobre Investimentos.Em julho de 2007 veio um novo desafio profissional, com o blog de Economia no Portal Jornale. Em abril de 2013 passou a ter um blog de Economia no portal Jornal e Notícias. E a partir de maio de 2014, quando completou 40 anos de jornalismo, lançou seu blog independente. Nestes 16 anos de blog, mais de 35 mil matérias foram postadas.Ao longo de sua carreira recebeu 20 prêmios, com destaque para o VII Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º e 3º lugar na categoria webjornalismo em 2023); Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º lugar Internet em 2017 e 2016);Prêmio Sistema Fiep de Jornalismo (1º lugar Internet – 2014 e 3º lugar Internet – 2015); Melhor Jornalista de Economia do Paraná concedido pelo Conselho Regional de Economia do Paraná (agosto de 2010); Prêmio Associação Comercial do Paraná de Jornalismo de Economia (outubro de 2010), Destaque do Jornalismo Econômico do Paraná -Shopping Novo Batel (março de 2011). Em dezembro de 2009 ganhou o prêmio Destaque em Radiodifusão nos Melhores do Ano do jornal Diário Popular. Demais prêmios: Prêmio Ceag de Jornalismo, Centro de Apoio à Pequena e Média Empresa do Paraná, atual Sebrae (1987), Prêmio Cidade de Curitiba na categoria Jornalismo Econômico da Câmara Municipal de Curitiba (1990), Prêmio Qualidade Paraná, da International, Exporters Services (1991), Prêmio Abril de Jornalismo, Editora Abril (1992), Prêmio destaque de Jornalismo Econômico, Fiat Allis (1993), Prêmio Mercosul e o Paraná, Federação das Indústrias do Estado do Paraná (1995), As mulheres pioneiras no jornalismo do Paraná, Conselho Estadual da Mulher do Paraná (1996), Mulher de Destaque, Câmara Municipal de Curitiba (1999), Reconhecimento profissional, Sindicato dos Engenheiros do Estado do Paraná (2005), Reconhecimento profissional, Rotary Club de Curitiba Gralha Azul (2005).Faz parte da publicação “Jornalistas Brasileiros – Quem é quem no Jornalismo de Economia”, livro organizado por Eduardo Ribeiro e Engel Paschoal que traz os maiores nomes do Jornalismo Econômico brasileiro.

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