Felicidade no trabalho: ricos valorizam mais depois dos 30 anos; classe média, na adolescência e juventude

Felicidade no trabalho: ricos valorizam mais depois dos 30 anos; classe média, na adolescência e juventude

Contrariando o senso comum, uma pesquisa da Onlinecurriculo descobriu que é na juventude o período no qual a classe média pensa em mudar de carreira para obter felicidade no trabalho, enquanto quem vem de classes mais altas começa a dar importância para o assunto após os 30 anos. O estudo conduzido em março consultou 500 pessoas acima de 16 anos, de todos os perfis socioeconômicos e regiões do país sobre suas opiniões a respeito da transição de carreira.

Pelo menos 41% dos participantes pertencentes às classes A e B entre os 30 e 39 anos disseram considerar mudar de carreira para obter mais propósito e felicidade no trabalho. Já entre a classe C, que possui renda equivalente a da classe média, 42,4% dos participantes dos 16 aos 24 anos afirmaram ter o objetivo como meta ao buscar uma nova área. Entre os mais pobres, pertencentes às classes D e E, este desejo também é grande. Pelo menos 35% dos jovens nesta faixa etária levam isto em consideração.

Para os participantes da pesquisa, a satisfação no trabalho pode vir ainda em várias roupagens. Outros motivos citados para a transição de carreira, além da busca pela felicidade em si, foram a busca por uma jornada de trabalho flexível, melhora da saúde física e mental, viabilidade de prioridades pessoais como casamento e nascimento de um filho, dentre outros.

Importância da felicidade

Entre os adolescentes e jovens adultos de classes mais altas, a relevância da felicidade no trabalho para motivar uma mudança de carreira é quase a metade dos grupos já citados: cerca de 23%. Para quem passou dos 40 anos, o tema volta a importar apenas para 25,5% dos participantes.

Curiosamente, é nos primeiros anos da vida laboral que a classe média cogita mudar de área pensando em ser mais feliz. Com o passar dos anos, esse aspecto vai deixando de ser uma razão chave para a busca de uma nova carreira. Após os 25 anos, pelo menos 34% dos respondentes ainda se importam com isso, caindo para 13,6% após os 50 anos.

“Pode ser porque encontraram a área ideal já no início ou porque descobriram não ser felizes no trabalho bem cedo e já realizaram a transição… De qualquer forma, é um dado interessante. Ainda que as finanças sejam uma questão para a classe média, ela pensa logo cedo em conciliar o trabalho com a satisfação pessoal”, opina Lotte van Rijswijk, Content Team Lead da Onlinecurriculo.

Uma surpresa dos resultados foi a queda do motivo entre os participantes das classes D e E na faixa dos 25 aos 29 anos. Apenas 9% deles disseram que mudariam de carreira para perseguir a felicidade. 

Apesar de importar mais para alguns que para outros, as empresas têm se preocupado em oferecer políticas que incentivem a felicidade no trabalho, como forma de reter talentos. Durante a pandemia, o cargo de gestor da felicidade se popularizou, alcançando big techs como o Google. Percebendo o crescimento da demanda, o Instituto Feliciência, um centro de formação nos campos da ciência relacionados ao bem-estar humano e à felicidade, trouxe a certificação Chief Happiness Officer para o Brasil em março de 2020.

Após a formação, o salário de um profissional com este cargo pode variar entre R$ 15 mil e R$ 30 mil reais. E os benefícios deste investimento são provados cientificamente. De acordo com uma pesquisa da Harvard Business Review, colaboradores satisfeitos são 31% mais produtivos, 85% mais eficientes e 300% mais inovadores.

“É irrefutável que quando as empresas olham para as necessidades de seus colaboradores para além dos benefícios e salários, a satisfação com o emprego e vontade de trazer retornos cresce exponencialmente”, diz Lotte.

Mas dinheiro também importa

Apesar de a felicidade pesar bastante para alguns profissionais que desejam mudar de carreira, a maioria ainda busca a melhoria dos salários e os benefícios ao fazer a transição. Apenas entre as classes mais altas nos grupos de 40 a 49 anos e 50 ou mais é que os profissionais não levam o lado financeiro tão em conta para trocar de profissão.

Outros motivos que praticamente empatam com o aumento de salário e benefícios (mencionada por 41,8% desta faixa etária) foram a necessidade de mais saúde física e mental e a vontade de explorar novas habilidades, cada uma citada por 39,5% dos participantes. Para as classes média e baixa nesta faixa de idade, a remuneração ainda motiva 66,4% das pessoas a mudar de carreira. 

Independente de qual seja o incentivo, o receio de se frustrar com a nova área e não encontrar oportunidades ainda impedem os jovens e adultos de 16 a 24 anos vindos das classes mais altas de mudar de carreira. Entre a classe média e baixa, a preocupação em dominar a nova habilidade é maior. Para driblar estes empecilhos, ambos os grupos disseram considerar mais o apoio familiar como suporte.

Os profissionais acima dos 25 anos, nas classes altas, possuem os mesmos medos de seus colegas no início de carreira, assim como os de classe média e baixa. No entanto, para ambos, a condição financeira é o que mais importa para tomar a decisão de se aventurar em uma nova área.

A única exceção foram os profissionais de 40 anos em diante, pertencentes à classe média-baixa, para os quais o apoio da família e condição financeira são equivalentes. “Apesar de não haver idade para mudar de carreira, quanto mais experiência e responsabilidades alguém possui, mais o apoio dos pares é essencial”, opina Rijswijk, “O importante é que as pessoas estão priorizando sua felicidade. Arrisco dizer que a construção de profissionais felizes e mais produtivos se tornará cada vez mais uma tendência para as empresas no futuro”.

Mirian Gasparin

Mirian Gasparin, natural de Curitiba, é formada em Comunicação Social com habilitação em Jornalismo pela Universidade Federal do Paraná e pós-graduada em Finanças Corporativas pela Universidade Federal do Paraná.Profissional com experiência de 50 anos na área de jornalismo, sendo 48 somente na área econômica, com trabalhos pela Rádio Cultura de Curitiba, Jornal Indústria & Comércio e Jornal Gazeta do Povo. Também foi assessora de imprensa das Secretarias de Estado da Fazenda, da Indústria, Comércio e Desenvolvimento Econômico e da Comunicação Social.Desde abril de 2006 é colunista de Negócios da Rádio BandNews Curitiba e escreveu para a revista Soluções do Sebrae/PR. Também é professora titular nos cursos de Jornalismo e Ciências Contábeis da Universidade Tuiuti do Paraná. Ministra cursos para empresários e executivos de empresas paranaenses, de São Paulo e Rio de Janeiro sobre Comunicação e Língua Portuguesa e faz palestras sobre Investimentos.Em julho de 2007 veio um novo desafio profissional, com o blog de Economia no Portal Jornale. Em abril de 2013 passou a ter um blog de Economia no portal Jornal e Notícias. E a partir de maio de 2014, quando completou 40 anos de jornalismo, lançou seu blog independente. Nestes 16 anos de blog, mais de 35 mil matérias foram postadas.Ao longo de sua carreira recebeu 20 prêmios, com destaque para o VII Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º e 3º lugar na categoria webjornalismo em 2023); Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º lugar Internet em 2017 e 2016);Prêmio Sistema Fiep de Jornalismo (1º lugar Internet – 2014 e 3º lugar Internet – 2015); Melhor Jornalista de Economia do Paraná concedido pelo Conselho Regional de Economia do Paraná (agosto de 2010); Prêmio Associação Comercial do Paraná de Jornalismo de Economia (outubro de 2010), Destaque do Jornalismo Econômico do Paraná -Shopping Novo Batel (março de 2011). Em dezembro de 2009 ganhou o prêmio Destaque em Radiodifusão nos Melhores do Ano do jornal Diário Popular. Demais prêmios: Prêmio Ceag de Jornalismo, Centro de Apoio à Pequena e Média Empresa do Paraná, atual Sebrae (1987), Prêmio Cidade de Curitiba na categoria Jornalismo Econômico da Câmara Municipal de Curitiba (1990), Prêmio Qualidade Paraná, da International, Exporters Services (1991), Prêmio Abril de Jornalismo, Editora Abril (1992), Prêmio destaque de Jornalismo Econômico, Fiat Allis (1993), Prêmio Mercosul e o Paraná, Federação das Indústrias do Estado do Paraná (1995), As mulheres pioneiras no jornalismo do Paraná, Conselho Estadual da Mulher do Paraná (1996), Mulher de Destaque, Câmara Municipal de Curitiba (1999), Reconhecimento profissional, Sindicato dos Engenheiros do Estado do Paraná (2005), Reconhecimento profissional, Rotary Club de Curitiba Gralha Azul (2005).Faz parte da publicação “Jornalistas Brasileiros – Quem é quem no Jornalismo de Economia”, livro organizado por Eduardo Ribeiro e Engel Paschoal que traz os maiores nomes do Jornalismo Econômico brasileiro.

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