Exportações de sucata ferrosa mantêm alta em abril, mas mercado ruim e sonegação preocupam

Exportações de sucata ferrosa mantêm alta em abril, mas mercado ruim e sonegação preocupam

Para maio, expectativa é de queda expressiva

As exportações de sucata ferrosa, insumo usado na fabricação de aço, mantiveram a tendência de alta em abril, para 82.443 toneladas, mais 14,7% em relação ao mesmo mês do ano passado (71.877 toneladas), mas a expectativa é de que haja uma queda expressiva neste mês de maio, em função da menor atratividade com a baixa nos preços no exterior e uma taxa de câmbio desfavorável.

De janeiro a abril, as exportações atingiram 251.103 toneladas neste ano, um aumento de 30,5% em relação às 192.489 toneladas nos primeiros quatro meses de 2022, conforme dados do Ministério da Economia, Secex. O baixo consumo interno, em função do desaquecimento econômico, com menor produção de veículos e outros setores da indústria, como a construção civil, grandes consumidores de aço, explicam a menor demanda pela sucata no país.

Segundo Clineu Alvarenga, presidente do Instituto Nacional da Reciclagem (Inesfa), órgão de classe que representa mais de 5,6 mil recicladores que reinserem insumos recicláveis no ciclo da cadeia produtiva, além da queda de compras no mercado interno e a perspectivas de desaquecimento das exportações, outro fator que é motivo de grande preocupação do Inesfa e os recicladores do Brasil é a sonegação de impostos. “Empresas com atividades suspeitas, sem alvará de funcionamento, licenças ambientais e muitas vezes sequer locais definidos, sonegam impostos para levar vantagem de forma desleal no mercado, vendendo sucatas metálicas para indústrias de transformação”, diz.

Sonegação

A aquisição de insumos metálicos de baixa qualidade por parte de indústrias de transformação, sem se importarem com a sonegação que antecede a comercialização, vem acentuando a concorrência desleal e ocasionando preocupação as empresas comprometidas com o desenvolvimento da siderurgia.

“Trata-se de uma concorrência desleal em detrimento das empresas legalizadas há décadas e comprometidas com o desenvolvimento da siderurgia de nosso país, indo na contramão dos critérios ESG (Environmental, Social and Governance) e de compliance”, além de ocasionar prejuízos ambientais, afirma Alvarenga”

O Inesfa, que participou em abril do Conselho Mundial das Associações de Reciclagem, em Nashville (EUA), debateu, entre outros temas, a sonegação. “Durante muitos anos a Europa enfrentou problemas de sonegação e concorrência desleal, assim como no Brasil atualmente. Isto só acabou quando foram zerados os impostos da cadeia”, diz Clineu.

Conforme o presidente do Inesfa, com a queda nos preços internacionais da sucata desde meados de abril (a Turquia, um dos maiores consumidores, reduziu o preço da tonelada de US$ 450, em 15 de abril, para US$ 375 semana passada), “não há por que as usinas siderúrgicas do Brasil pagarem mais pelo insumo no mercado interno ao concorrerem com os recicladores na compra”.

“O mercado interno não tem boas perspectivas para os próximos meses. A nossa previsão é de alguma melhora a partir da implementação do plano econômico”, acrescenta Alvarenga.

Frente Parlamentar da Reciclagem

Para discutir os interesses do setor no Congresso, a FPRB – Frente Parlamentar dos Recicladores do Brasil, que reúne mais de 209 deputados federais, será reinstalada no próximo dia 18, das 8h30 às 12 horas, no Auditório Nereu Ramos, na Câmara dos Deputados, em Brasília.

A Frente dos Recicladores, presidida pelo Deputado Federal Vinícius de Carvalho (Republicanos/SP), foi criada visando sensibilizar o governo e parlamentares sobre o papel essencial e estratégico da reciclagem ao país e ainda para a Política Nacional de Resíduos Sólidos e ao cumprimento de compromissos assumidos nas reuniões das Conferências do Clima da ONU (COP).

Mirian Gasparin

Mirian Gasparin, natural de Curitiba, é formada em Comunicação Social com habilitação em Jornalismo pela Universidade Federal do Paraná e pós-graduada em Finanças Corporativas pela Universidade Federal do Paraná.Profissional com experiência de 50 anos na área de jornalismo, sendo 48 somente na área econômica, com trabalhos pela Rádio Cultura de Curitiba, Jornal Indústria & Comércio e Jornal Gazeta do Povo. Também foi assessora de imprensa das Secretarias de Estado da Fazenda, da Indústria, Comércio e Desenvolvimento Econômico e da Comunicação Social.Desde abril de 2006 é colunista de Negócios da Rádio BandNews Curitiba e escreveu para a revista Soluções do Sebrae/PR. Também é professora titular nos cursos de Jornalismo e Ciências Contábeis da Universidade Tuiuti do Paraná. Ministra cursos para empresários e executivos de empresas paranaenses, de São Paulo e Rio de Janeiro sobre Comunicação e Língua Portuguesa e faz palestras sobre Investimentos.Em julho de 2007 veio um novo desafio profissional, com o blog de Economia no Portal Jornale. Em abril de 2013 passou a ter um blog de Economia no portal Jornal e Notícias. E a partir de maio de 2014, quando completou 40 anos de jornalismo, lançou seu blog independente. Nestes 16 anos de blog, mais de 35 mil matérias foram postadas.Ao longo de sua carreira recebeu 20 prêmios, com destaque para o VII Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º e 3º lugar na categoria webjornalismo em 2023); Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º lugar Internet em 2017 e 2016);Prêmio Sistema Fiep de Jornalismo (1º lugar Internet – 2014 e 3º lugar Internet – 2015); Melhor Jornalista de Economia do Paraná concedido pelo Conselho Regional de Economia do Paraná (agosto de 2010); Prêmio Associação Comercial do Paraná de Jornalismo de Economia (outubro de 2010), Destaque do Jornalismo Econômico do Paraná -Shopping Novo Batel (março de 2011). Em dezembro de 2009 ganhou o prêmio Destaque em Radiodifusão nos Melhores do Ano do jornal Diário Popular. Demais prêmios: Prêmio Ceag de Jornalismo, Centro de Apoio à Pequena e Média Empresa do Paraná, atual Sebrae (1987), Prêmio Cidade de Curitiba na categoria Jornalismo Econômico da Câmara Municipal de Curitiba (1990), Prêmio Qualidade Paraná, da International, Exporters Services (1991), Prêmio Abril de Jornalismo, Editora Abril (1992), Prêmio destaque de Jornalismo Econômico, Fiat Allis (1993), Prêmio Mercosul e o Paraná, Federação das Indústrias do Estado do Paraná (1995), As mulheres pioneiras no jornalismo do Paraná, Conselho Estadual da Mulher do Paraná (1996), Mulher de Destaque, Câmara Municipal de Curitiba (1999), Reconhecimento profissional, Sindicato dos Engenheiros do Estado do Paraná (2005), Reconhecimento profissional, Rotary Club de Curitiba Gralha Azul (2005).Faz parte da publicação “Jornalistas Brasileiros – Quem é quem no Jornalismo de Economia”, livro organizado por Eduardo Ribeiro e Engel Paschoal que traz os maiores nomes do Jornalismo Econômico brasileiro.

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