B3 lucra 4,3% a menos no 2º trimestre do ano

B3 lucra 4,3% a menos no 2º trimestre do ano

Maior proximidade do início do ciclo de redução de juros e melhores perspectivas sobre o crescimento da economia influenciam mercado de ações

A B3 S.A. (B3SA3) divulgou nesta quinta-feira (10) os resultados financeiros do segundo trimestre de 2023. A receita total atingiu R$ 2,5 bilhões, em linha com o segundo trimestre de 2022 e com o primeiro trimestre de 2023. O lucro líquido recorrente foi de R$ 1,2 bilhão, o que representa queda de 4,3% em comparação ao mesmo período do ano passado e queda de 3,9% em relação ao primeiro trimestre.

Os dados de inflação abaixo do esperado estimularam os mercados a precificar o início do ciclo de queda na taxa de juros para o terceiro trimestre do ano, que se concretizou em agosto. A maior clareza sobre as perspectivas macroeconômicas refletiu no mercado à vista de ações, onde o volume financeiro médio diário negociado (ADTV) totalizou R$ 26,9 bilhões, o que representa um crescimento de 6,7% na comparação com o trimestre anterior. Em relação ao mesmo período do ano passado, o número representa queda de 6,7%.

Outro destaque do trimestre foi o desempenho dos derivativos listados. O volume médio diário negociado (ADV) totalizou 6,4 milhões de contratos, 49,5% acima do segundo trimestre de 2022 e 6,3% acima do primeiro trimestre de 2023, refletindo principalmente o desempenho dos contratos de juros em reais, que apresentaram recorde histórico.

Ainda no desempenho operacional, os juros elevados continuaram favorecendo os volumes no segmento de balcão, com destaque para o crescimento de 22,6% no estoque de instrumentos de renda fixa e de 29,8% no estoque do Tesouro Direto, comparado ao mesmo período do ano passado.

Ao longo do trimestre, a B3 reafirmou o seu objetivo com a disciplina de custos. As despesas totais apresentaram crescimento de 2,0% e 0,8% em relação ao segundo trimestre de 2022 e ao primeiro trimestre de 2023, respectivamente, somando R$ 859 milhões. As demonstrações financeiras incluem os dados de Neurotech a partir de 12 de maio, já que a aquisição da empresa foi concluída nesta data. Excluindo os efeitos da consolidação da Neurotech, as despesas teriam somado R$ 846,2 milhões, o que representaria 0,4% acima do mesmo período no ano passado e 0,7% abaixo do último trimestre, bem abaixo da inflação.

“Após a conclusão do projeto de eficiência, estamos focados em manter o controle das despesas da Companhia, mas sem comprometer o nosso planejamento de crescimento, que envolve reforçar nosso core business e desenvolver as adjacências de nossos negócios principais”, comenta André Veiga Milanez, diretor-executivo Financeiro, Administrativo e de Relações com Investidores.

No segundo trimestre, a B3 anunciou diversos avanços estratégicos. Em junho, a B3 anunciou o lançamento de uma nova plataforma para emissão, registro e negociação de ativos tokenizados. Em julho, firmou uma nova parceria com a Nasdaq para evoluir a arquitetura tecnológica da plataforma de clearing da Companhia, e também anunciou o lançamento de uma nova plataforma em nuvem para negociação de ativos de renda fixa, visando aumentar a transparência na precificação de ativos e possibilitar maiores volumes e automatização nas negociações.

As distribuições aos acionistas totalizaram R$ 1,2 bilhão no trimestre, sendo R$ 556,1 milhões em recompras, R$ 351,5 milhões em juros sobre capital próprio e R$ 306,6 milhões em dividendos.

Receita do segmento Listados

No segundo trimestre, o segmento de listados gerou receita de R$ 1,5 bilhão (61,5% do total), o que representa queda de 5,9% em relação ao mesmo período de 2022. No mercado de ações e instrumentos de renda variável, houve queda de 6,7% no ADTV de ações à vista, refletindo um contínuo cenário de taxas de juros elevadas e menor market cap. Os contratos futuros de índices registraram redução de 9,0% no número médio de contratos negociados, resultado explicado pela queda na negociação da versão mini desses contratos.

O número médio de contas na depositária de renda variável aumentou 19,8%. O crescimento é um reflexo de uma oferta pública que atraiu um grande número de pessoas físicas em 2021 e que teve o fim do lock-up no último trimestre de 2022, além da busca contínua dos investidores individuais por maior diversificação em seus portfólios.

Receita do segmento Balcão

O segmento de balcão obteve receita de R$ 365,4 milhões (14,8% do total), o que significa aumento de 14,5% em relação ao segundo trimestre de 2022. O volume de novas emissões de instrumentos de captação bancária cresceu 10,3% no período, puxado principalmente pelo aumento das emissões de CDB, que representaram 75,8% das novas emissões durante o trimestre, enquanto o estoque médio registrado cresceu 11,9%.

Os outros instrumentos de renda fixa registraram crescimento de 40,7% nas emissões, influenciados pelo aumento de 32,1% nas emissões de instrumentos do mercado imobiliário e 38,3% nas emissões de instrumentos do agronegócio. Já o estoque médio de instrumentos de dívida corporativa aumentou 16,1%. Outro destaque do mercado de renda fixa foi o contínuo crescimento do Tesouro Direto, cujo número de investidores e o estoque médio cresceram 12,1% e 29,8%, respectivamente.

Infraestrutura para Financiamento

O segmento Infraestrutura para Financiamento obteve receita de R$ 112,8 milhões (4,6% do total), o que representou aumento de 1,9%, principalmente em razão do aumento nos financiamentos e vendas de veículos no período. O número de veículos vendidos no Brasil subiu 7,1%, refletindo uma melhora desse mercado devido ao crescimento nas vendas de motos. Já em relação aos financiamentos, o crescimento foi de 4,2%, protagonizado também pelo financiamento de motos.

Tecnologia, Dados e Serviços

O segmento Tecnologia, Dados e Serviços teve receita de R$ 473,3 milhões (19,1% do total), alta de 8,0% em relação ao segundo trimestre de 2022. A quantidade média de clientes do serviço de utilização mensal dos sistemas de balcão aumentou 9,9%, resultado, principalmente, do crescimento da indústria de fundos no Brasil. Houve também crescimento de 6,2% no número de clientes que utilizam os serviços de co-location.

O documento com as informações completas sobre os resultados operacionais para o segundo trimestre de 2023 está disponível no site de RI da B3.

Mirian Gasparin

Mirian Gasparin, natural de Curitiba, é formada em Comunicação Social com habilitação em Jornalismo pela Universidade Federal do Paraná e pós-graduada em Finanças Corporativas pela Universidade Federal do Paraná.Profissional com experiência de 50 anos na área de jornalismo, sendo 48 somente na área econômica, com trabalhos pela Rádio Cultura de Curitiba, Jornal Indústria & Comércio e Jornal Gazeta do Povo. Também foi assessora de imprensa das Secretarias de Estado da Fazenda, da Indústria, Comércio e Desenvolvimento Econômico e da Comunicação Social.Desde abril de 2006 é colunista de Negócios da Rádio BandNews Curitiba e escreveu para a revista Soluções do Sebrae/PR. Também é professora titular nos cursos de Jornalismo e Ciências Contábeis da Universidade Tuiuti do Paraná. Ministra cursos para empresários e executivos de empresas paranaenses, de São Paulo e Rio de Janeiro sobre Comunicação e Língua Portuguesa e faz palestras sobre Investimentos.Em julho de 2007 veio um novo desafio profissional, com o blog de Economia no Portal Jornale. Em abril de 2013 passou a ter um blog de Economia no portal Jornal e Notícias. E a partir de maio de 2014, quando completou 40 anos de jornalismo, lançou seu blog independente. Nestes 16 anos de blog, mais de 35 mil matérias foram postadas.Ao longo de sua carreira recebeu 20 prêmios, com destaque para o VII Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º e 3º lugar na categoria webjornalismo em 2023); Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º lugar Internet em 2017 e 2016);Prêmio Sistema Fiep de Jornalismo (1º lugar Internet – 2014 e 3º lugar Internet – 2015); Melhor Jornalista de Economia do Paraná concedido pelo Conselho Regional de Economia do Paraná (agosto de 2010); Prêmio Associação Comercial do Paraná de Jornalismo de Economia (outubro de 2010), Destaque do Jornalismo Econômico do Paraná -Shopping Novo Batel (março de 2011). Em dezembro de 2009 ganhou o prêmio Destaque em Radiodifusão nos Melhores do Ano do jornal Diário Popular. Demais prêmios: Prêmio Ceag de Jornalismo, Centro de Apoio à Pequena e Média Empresa do Paraná, atual Sebrae (1987), Prêmio Cidade de Curitiba na categoria Jornalismo Econômico da Câmara Municipal de Curitiba (1990), Prêmio Qualidade Paraná, da International, Exporters Services (1991), Prêmio Abril de Jornalismo, Editora Abril (1992), Prêmio destaque de Jornalismo Econômico, Fiat Allis (1993), Prêmio Mercosul e o Paraná, Federação das Indústrias do Estado do Paraná (1995), As mulheres pioneiras no jornalismo do Paraná, Conselho Estadual da Mulher do Paraná (1996), Mulher de Destaque, Câmara Municipal de Curitiba (1999), Reconhecimento profissional, Sindicato dos Engenheiros do Estado do Paraná (2005), Reconhecimento profissional, Rotary Club de Curitiba Gralha Azul (2005).Faz parte da publicação “Jornalistas Brasileiros – Quem é quem no Jornalismo de Economia”, livro organizado por Eduardo Ribeiro e Engel Paschoal que traz os maiores nomes do Jornalismo Econômico brasileiro.

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