Otimismo de executivos de finanças em relação à economia do Brasil volta a crescer

A grande preocupação é com a estrutura tributária das empresas
O otimismo dos executivos de finanças com o futuro da economia brasileira recuperou a tendência de crescimento que apresentava no ano passado. O levantamento divulgado pelo Instituto Brasileiro de Executivos de Finanças de São Paulo (Ibef-SP) e pela Saint Paul Escola de Negócios, referente ao segundo trimestre de 2023 (abril, maio e junho), indica que o Índice de Confiança do CFO (iCFO) melhorou em relação ao trimestre anterior.
A pesquisa é feita trimestralmente para captar a confiança dos CFOs quanto ao desempenho futuro do país e dos negócios no Brasil. Para isso, são verificadas as percepções dos executivos quanto à macroeconomia, ao setor e à empresa de atuação para os próximos 12 meses. Com os sinais de fim da pandemia da Covid-19, em 2021, o índice bateu recorde de alta, mas havia sofrido queda no fim de 2022, por conta do período eleitoral. Agora, o iCFO aponta o primeiro sinal recente de aumento, registrando 126 pontos percentuais, enquanto em dezembro passado o índice era de 123,9.
Crescimento econômico
Nos primeiros três meses de 2023, o índice referente à macroeconomia (iCFOm) foi o que teve maior variação, apesar de ainda refletir instabilidade no cenário econômico. Enquanto no levantamento do primeiro trimestre o número registrado havia sido 11,8 pontos percentuais menor que o período anterior, neste segundo trimestre houve um aumento de 5 pontos, passando de 120,5 para 125,5.
Seguindo a tendência, os executivos de finanças ficaram mais otimistas em relação a índices que medem o avanço macroeconômico do país, como a inflação. Se no primeiro trimestre a perspectiva de registro do IPCA era de 5,8%, no último levantamento passou para 4,6%. As expectativas para o Produto Interno Bruto do país (PIB) e a taxa de valorização do real também melhoraram. No caso do PIB, o índice médio previsto foi de 1,5% para 2,4%. Já o câmbio esperado passou de R$/US$ 5,32 para R$/US$ 4,85.
Para a presidente do IBEF-SP, Magali Leite, os números registrados traduzem as perspectivas de aumento do otimismo para o ano. “Os executivos de finanças que respondem à pesquisa do iCFO atuam diretamente nos setores produtivos da economia, acompanhando de perto o desempenho esperado para suas organizações, com representatividade da amostra dessa pesquisa no PIB doméstico”, explica.
A variação positiva também foi observada nos índices referentes ao setor e à empresa. Respectivamente, o iCFOs (setor) alcançou 126,3 pontos, com um aumento de 1,1 ponto percentual, e o iCFOe (empresa) chegou a 126,2 pontos, subindo 0,2 pontos em relação ao período anterior. Na análise do CEO da Saint Paul Escola de Negócios, Ph.D José Cláudio Securato, o crescimento dos índices se justifica pelo cenário da economia nacional. “A melhora do iCFO reflete indicadores macroeconômicos melhores no período: PIB, emprego, inflação e expectativas de queda de juros, mostrando um certo descolamento do Brasil com o cenário externo que vem desacelerado e com juros muito elevados”, aponta.
Preocupações e ambiente
O levantamento também aponta que, dentre as principais preocupações indicadas pelos CFOs, a estrutura tributária está em primeiro lugar, mencionada por 14,3% dos respondentes. “A nova discussão sobre o tema no Congresso Nacional pode tê-lo elevado ao topo da lista e se justifica porque o setor empresarial tem inúmeras demandas em relação ao sistema tributário brasileiro”, pontua Magali.
Em segundo lugar no ranking de preocupações ficou a demanda do mercado interno, mencionado por 13,6% dos CFOs; em terceiro, a atração, retenção e motivação de talentos (8,6%), e em quarto, as políticas governamentais e setoriais (7,9%). O ambiente político e a inflação, que no trimestre anterior figuravam na terceira e quarta posições, respectivamente, não ocuparam colocações relevantes neste trimestre.
A pesquisa iCFO também traz dados sobre possíveis destinos de investimentos para os próximos 12 meses. No último trimestre, o item mais citado foi novamente a ampliação da capacidade instalada, citada por 27,7% dos respondentes. Em segundo lugar, com aumento no número de citações, ficou o investimento em TI, com 23% – o tema é recorrente entre as três primeiras posições desde o início do levantamento, em 2016.








