Startups climáticas ganham força na América Latina e atraem investidores para agro, alimentos e economia circular

Startups climáticas ganham força na América Latina e atraem investidores para agro, alimentos e economia circular

Crise climática acelera uma nova onda de inovação na região, com startups que transformam desafios ambientais em negócios escaláveis

A corrida global por soluções contra a crise climática está abrindo espaço para uma nova geração de startups na América Latina. O setor, que já movimenta bilhões em investimentos no mundo, começa a ganhar protagonismo regional em áreas estratégicas como agro, alimentos e economia circular.

Segundo levantamento divulgado durante a preparação para a COP30, o mercado global de startups climáticas deve atrair cerca de US$ 80 bilhões até 2029, mas apenas 4% desse capital chega à América Latina e à África. Ainda assim, especialistas apontam que o cenário regional é especialmente promissor, graças a ativos como biodiversidade, relevância no sistema alimentar global e capacidade de escalar soluções em parceria com grandes empresas.

Esse contexto tem direcionado o interesse de investidores para áreas onde a região apresenta vantagens competitivas claras. Para Humberto Matsuda, membro do Comitê de Investimentos da Kamay Ventures, o momento favorece startups que conseguem unir impacto ambiental mensurável, eficiência operacional e modelos de negócio escaláveis. “A América Latina tem uma combinação única de desafios estruturais e ativos naturais. Isso cria oportunidades enormes para startups que atuam em agro, alimentos, economia circular e soluções baseadas na natureza, especialmente quando conectadas a grandes empresas e cadeias globais”, afirma.

Dentro desse movimento, Agtechs e Foodtechs despontam como alguns dos segmentos mais dinâmicos. Essas startups vêm redesenhando a forma como os alimentos são produzidos, desenvolvidos e consumidos, impulsionadas tanto pelas mudanças climáticas quanto pelas novas expectativas dos consumidores. Dados do Rural Tech Report 2025 mostram que o Brasil recebeu R$ 627,2 milhões em investimentos em agtechs e foodtechs apenas no primeiro semestre de 2025, com destaque para o aporte de R$ 280 milhões na Mombak, startup focada em reflorestamento. Na mesma direção, o Radar Agtech Brasil registrou um crescimento de 224% no número de incubadoras e de 90% nas aceleradoras voltadas ao agro entre 2023 e 2024.

Esses números refletem uma aceleração na adoção de tecnologias voltadas à regeneração de solos, biotecnologia, redução de insumos químicos e desenvolvimento de alimentos mais saudáveis e resilientes. Mais do que mitigar impactos ambientais, essas soluções buscam aumentar produtividade, eficiência e competitividade ao longo de toda a cadeia de valor.

Em paralelo, a economia circular avança como uma nova lógica de negócios na região. Iniciativas como o Plano Nacional de Economia Circular 2025–2034, lançado pelo governo brasileiro, estabelecem metas para transformar resíduos em ativos, estimular o uso de materiais de base biológica e promover embalagens regenerativas. Esse ambiente regulatório e de mercado tem aproximado startups de cadeias produtivas inteiras, abrindo espaço para modelos que nascem alinhados à escassez de recursos, às novas regulações ambientais e às demandas de consumidores e empresas.

Para Humberto Matsuda, esse cenário sinaliza uma mudança estrutural na forma de investir. “Impacto ambiental deixou de ser um bônus e passou a ser parte central da lógica de negócios. As maiores oportunidades estão em startups que resolvem problemas climáticos estruturais da região e, ao mesmo tempo, entregam eficiência, escala e retorno”, reforça.

Essas reflexões sobre inovação, clima e investimento estarão no centro do Kamay Code, evento da Kamay Ventures, que acontece no dia 18 de março, no Museu do Amanhã, no Rio de Janeiro. Criado para ser uma ponte entre o talento empreendedor e os grandes desafios corporativos, o evento é um espaço de encontro entre quem desenvolve tecnologia e quem busca inovação aplicada, com impacto real nos negócios e na sociedade. Startups interessadas em fazer negócios com a Coca-Cola ou com outras corporações do setor, assim como captar recursos com a Kamay Ventures, também podem se inscrever pelo link e participar da conferência. Mais informações no site do Kamay Code.

Mirian Gasparin

Mirian Gasparin, natural de Curitiba, é formada em Comunicação Social com habilitação em Jornalismo pela Universidade Federal do Paraná e pós-graduada em Finanças Corporativas pela Universidade Federal do Paraná.Profissional com experiência de 50 anos na área de jornalismo, sendo 48 somente na área econômica, com trabalhos pela Rádio Cultura de Curitiba, Jornal Indústria & Comércio e Jornal Gazeta do Povo. Também foi assessora de imprensa das Secretarias de Estado da Fazenda, da Indústria, Comércio e Desenvolvimento Econômico e da Comunicação Social.Desde abril de 2006 é colunista de Negócios da Rádio BandNews Curitiba e escreveu para a revista Soluções do Sebrae/PR. Também é professora titular nos cursos de Jornalismo e Ciências Contábeis da Universidade Tuiuti do Paraná. Ministra cursos para empresários e executivos de empresas paranaenses, de São Paulo e Rio de Janeiro sobre Comunicação e Língua Portuguesa e faz palestras sobre Investimentos.Em julho de 2007 veio um novo desafio profissional, com o blog de Economia no Portal Jornale. Em abril de 2013 passou a ter um blog de Economia no portal Jornal e Notícias. E a partir de maio de 2014, quando completou 40 anos de jornalismo, lançou seu blog independente. Nestes 16 anos de blog, mais de 35 mil matérias foram postadas.Ao longo de sua carreira recebeu 20 prêmios, com destaque para o VII Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º e 3º lugar na categoria webjornalismo em 2023); Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º lugar Internet em 2017 e 2016);Prêmio Sistema Fiep de Jornalismo (1º lugar Internet – 2014 e 3º lugar Internet – 2015); Melhor Jornalista de Economia do Paraná concedido pelo Conselho Regional de Economia do Paraná (agosto de 2010); Prêmio Associação Comercial do Paraná de Jornalismo de Economia (outubro de 2010), Destaque do Jornalismo Econômico do Paraná -Shopping Novo Batel (março de 2011). Em dezembro de 2009 ganhou o prêmio Destaque em Radiodifusão nos Melhores do Ano do jornal Diário Popular. Demais prêmios: Prêmio Ceag de Jornalismo, Centro de Apoio à Pequena e Média Empresa do Paraná, atual Sebrae (1987), Prêmio Cidade de Curitiba na categoria Jornalismo Econômico da Câmara Municipal de Curitiba (1990), Prêmio Qualidade Paraná, da International, Exporters Services (1991), Prêmio Abril de Jornalismo, Editora Abril (1992), Prêmio destaque de Jornalismo Econômico, Fiat Allis (1993), Prêmio Mercosul e o Paraná, Federação das Indústrias do Estado do Paraná (1995), As mulheres pioneiras no jornalismo do Paraná, Conselho Estadual da Mulher do Paraná (1996), Mulher de Destaque, Câmara Municipal de Curitiba (1999), Reconhecimento profissional, Sindicato dos Engenheiros do Estado do Paraná (2005), Reconhecimento profissional, Rotary Club de Curitiba Gralha Azul (2005).Faz parte da publicação “Jornalistas Brasileiros – Quem é quem no Jornalismo de Economia”, livro organizado por Eduardo Ribeiro e Engel Paschoal que traz os maiores nomes do Jornalismo Econômico brasileiro.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *