Planejamento para viver de renda começa antes da aposentadoria

Planejamento para viver de renda começa antes da aposentadoria

Uma conta simples ajuda a medir se o brasileiro está no caminho certo para construir renda passiva, e aponta por que adiar esse planejamento custa caro

O debate sobre aposentadoria costuma ganhar espaço apenas quando a carreira já está avançada, mas especialistas alertam que, do ponto de vista financeiro, o planejamento para viver de renda começa muito antes. Em um país onde a renda futura depende cada vez mais de iniciativas individuais, cresce a atenção a métodos simples que ajudam a medir se o patrimônio está sendo construído no ritmo adequado.

Uma dessas referências é a lógica dos 2% ao ano de renda passiva por tempo trabalhado. A conta funciona como um indicador de progresso: a cada ano de vida profissional, o ideal seria estruturar fontes de renda capazes de gerar, no futuro, cerca de 2% do custo anual de vida. Ao longo de 40 a 50 anos de carreira, isso permitiria atingir um patamar próximo de autonomia financeira, reduzindo a dependência exclusiva de aposentadorias formais.

O alerta se justifica diante do cenário demográfico e previdenciário. Dados do Banco Central e do IBGE mostram que a população brasileira está envelhecendo mais rápido do que o mercado de trabalho consegue absorver, enquanto a taxa de reposição do INSS tende a ser insuficiente para manter o padrão de vida da maioria dos trabalhadores. Ainda assim, grande parte das pessoas posterga decisões estruturais sobre renda passiva.

Erro

Entre os erros mais comuns está concentrar o planejamento apenas nos últimos anos da carreira, quando o tempo deixa de ser aliado. Outro equívoco recorrente é confundir acumulação de dinheiro com geração de renda. Ter patrimônio sem fluxo previsível não garante tranquilidade financeira no longo prazo, especialmente em períodos de inflação ou instabilidade econômica.

Para Juciel Oliveira, educador financeiro, estrategista patrimonial e CEO da Monteo, a dificuldade está menos na falta de renda e mais na ausência de método. “A maioria das pessoas trabalha décadas sem uma métrica clara. A lógica dos 2% ajuda justamente a responder se o esforço de hoje está construindo renda futura ou apenas sustentando o consumo atual”, afirma.

Consórcio

Nesse contexto, o consórcio vem sendo incorporado como acelerador do planejamento patrimonial. Ao permitir a aquisição programada de ativos, especialmente imóveis, sem juros, a modalidade viabiliza a construção gradual de patrimônio gerador de renda, mesmo para quem ainda está longe da aposentadoria. A previsibilidade das parcelas e a possibilidade de alinhar prazos ao ciclo profissional tornam o consórcio compatível com estratégias de longo prazo.

Segundo Juciel, o diferencial está na antecipação. “Quando o consórcio é usado cedo, ele aproveita o fator tempo. O ativo começa a ser estruturado enquanto a pessoa ainda está na fase produtiva, o que reduz a pressão financeira no futuro”, explica. Em vez de depender exclusivamente de aportes elevados mais tarde, o planejamento dilui o esforço ao longo da carreira.

Outro ponto relevante é a disciplina. Ao contrário de investimentos pontuais, o consórcio exige constância, o que ajuda a transformar o planejamento em hábito. Para muitos investidores, essa regularidade é decisiva para sair da intenção e avançar na construção de renda passiva.

O especialista ressalta que viver de renda não é um evento repentino, mas um processo cumulativo.

“Quem deixa para pensar nisso apenas aos 50 ou 60 anos normalmente precisa assumir riscos maiores ou comprometer liquidez. Quando o planejamento começa cedo, o crescimento do patrimônio ocorre de forma mais equilibrada”, diz Juciel.

Com incertezas previdenciárias e o aumento da longevidade da população, a discussão sobre renda passiva ganha relevância. A conta dos 2% não é uma fórmula fechada, mas funciona como um termômetro ao indicar se o brasileiro está transformando tempo de trabalho em renda futura, ou apenas adiando uma decisão que tende a se tornar mais complexa com o passar dos anos.

Mirian Gasparin

Mirian Gasparin, natural de Curitiba, é formada em Comunicação Social com habilitação em Jornalismo pela Universidade Federal do Paraná e pós-graduada em Finanças Corporativas pela Universidade Federal do Paraná.Profissional com experiência de 50 anos na área de jornalismo, sendo 48 somente na área econômica, com trabalhos pela Rádio Cultura de Curitiba, Jornal Indústria & Comércio e Jornal Gazeta do Povo. Também foi assessora de imprensa das Secretarias de Estado da Fazenda, da Indústria, Comércio e Desenvolvimento Econômico e da Comunicação Social.Desde abril de 2006 é colunista de Negócios da Rádio BandNews Curitiba e escreveu para a revista Soluções do Sebrae/PR. Também é professora titular nos cursos de Jornalismo e Ciências Contábeis da Universidade Tuiuti do Paraná. Ministra cursos para empresários e executivos de empresas paranaenses, de São Paulo e Rio de Janeiro sobre Comunicação e Língua Portuguesa e faz palestras sobre Investimentos.Em julho de 2007 veio um novo desafio profissional, com o blog de Economia no Portal Jornale. Em abril de 2013 passou a ter um blog de Economia no portal Jornal e Notícias. E a partir de maio de 2014, quando completou 40 anos de jornalismo, lançou seu blog independente. Nestes 16 anos de blog, mais de 35 mil matérias foram postadas.Ao longo de sua carreira recebeu 20 prêmios, com destaque para o VII Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º e 3º lugar na categoria webjornalismo em 2023); Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º lugar Internet em 2017 e 2016);Prêmio Sistema Fiep de Jornalismo (1º lugar Internet – 2014 e 3º lugar Internet – 2015); Melhor Jornalista de Economia do Paraná concedido pelo Conselho Regional de Economia do Paraná (agosto de 2010); Prêmio Associação Comercial do Paraná de Jornalismo de Economia (outubro de 2010), Destaque do Jornalismo Econômico do Paraná -Shopping Novo Batel (março de 2011). Em dezembro de 2009 ganhou o prêmio Destaque em Radiodifusão nos Melhores do Ano do jornal Diário Popular. Demais prêmios: Prêmio Ceag de Jornalismo, Centro de Apoio à Pequena e Média Empresa do Paraná, atual Sebrae (1987), Prêmio Cidade de Curitiba na categoria Jornalismo Econômico da Câmara Municipal de Curitiba (1990), Prêmio Qualidade Paraná, da International, Exporters Services (1991), Prêmio Abril de Jornalismo, Editora Abril (1992), Prêmio destaque de Jornalismo Econômico, Fiat Allis (1993), Prêmio Mercosul e o Paraná, Federação das Indústrias do Estado do Paraná (1995), As mulheres pioneiras no jornalismo do Paraná, Conselho Estadual da Mulher do Paraná (1996), Mulher de Destaque, Câmara Municipal de Curitiba (1999), Reconhecimento profissional, Sindicato dos Engenheiros do Estado do Paraná (2005), Reconhecimento profissional, Rotary Club de Curitiba Gralha Azul (2005).Faz parte da publicação “Jornalistas Brasileiros – Quem é quem no Jornalismo de Economia”, livro organizado por Eduardo Ribeiro e Engel Paschoal que traz os maiores nomes do Jornalismo Econômico brasileiro.

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