Com a reforma tributária, tributação das bets sobe para 42% até 2033

Com a reforma tributária, tributação das bets sobe para 42% até 2033

Hoje, carga tributária consome 31,9% da receita bruta das empresas legalizadas

O mês de janeiro consolidou o primeiro ano completo do setor de apostas de quota-fixa sob o novo marco regulatório no Brasil, permitindo, pela primeira vez, uma mensuração precisa da carga econômica sobre a atividade. O segmento registrou um faturamento de R$ 37 bilhões no último ano, de acordo com dados da Secretaria de Prêmios e Apostas (SPA), do Ministério da Fazenda. Desse montante, a arrecadação total destinada aos cofres públicos, incluindo tributos federais e municipais, ultrapassou R$ 10,7 bilhões.

No entanto, um estudo técnico detalhado da LCA Consultoria, encomendado pelo Instituto Brasileiro de Jogo Responsável (IBJR), revela que a sustentabilidade desse modelo está sob risco severo. Segundo o levantamento, a incidência tributária federal sobre o faturamento das bets chega a ser, por exemplo, seis vezes maior que no setor de telecomunicações e 1,6 vez superior a outros serviços intensivos em tecnologia.

A análise aponta que a carga tributária e regulatória total consome atualmente 31,9% do Gross Gaming Revenue (GGR) – que é a receita bruta das empresas legalizadas. Essa estrutura de incidência é composta por 19,4% de tributos diretos sobre o consumo e destinações sociais, 4,5% sobre a renda (IRPJ e CSLL), 4,9% em encargos regulatórios específicos e 3,1% em tributos indiretos da cadeia produtiva.

Com a transição da Reforma Tributária (IBS/CBS) e o escalonamento das destinações sociais, que subirão de 12% para 15% até 2028, o peso total da tributação deve saltar para 32,7% em 2026 e atingir críticos 42,0% até 2033. Para o IBJR, essa pressão fiscal cria uma assimetria competitiva insustentável. Enquanto os operadores autorizados garantem o pagamento de tributos e investem em mecanismos de segurança, tais como reconhecimento facial, limite de tempo e de depósito, as casas de apostas clandestinas, que representam 51% do mercado, operam com custo tributário zero.

“Aumentar impostos para quem segue a lei é um incentivo direto ao mercado clandestino, que já drena R$ 10,8 bilhões da economia brasileira sem oferecer qualquer proteção ao cidadão”, afirma André Gelfi, diretor, conselheiro e cofundador do IBJR. “Sobretaxar o setor legalizado é, na prática, entregar o consumidor brasileiro de bandeja para sites piratas que financiam o crime organizado”, completa.

De acordo com Eric Brasil, economista e diretor da LCA, esse cenário de aumentos frequentes na carga tributária das bets legalizadas afasta cada vez mais o Brasil do grupo de países que conseguem garantir um mercado com alta canalização, ou seja, baixa participação de apostas ilegais. “Diversos estudos mostram a importância de uma carga tributária competitiva como parte da estratégia de combate à clandestinidade. Nossa prioridade deveria ser a redução da atividade ilegal, protegendo os consumidores e, por consequência, aumentando a arrecadação via operadoras regulamentadas. No entanto, estamos escolhendo o caminho oposto”, revela.

Além do peso fiscal, o estudo da LCA destaca a relevância socioeconômica de um setor que emprega 15,5 mil pessoas, direta ou indiretamente. Com uma média salarial de R$ 7 mil, valor 118% superior à média nacional de remuneração, a indústria de apostas tornou-se um gerador de renda qualificada e o principal motor do esporte brasileiro, já que o segmento é o que mais patrocina clubes da Série A do futebol nacional.

“O jogo sempre existiu e sempre existirá. A única escolha possível é entre um mercado controlado pelo Estado, que protege e arrecada, ou um mercado clandestino, que alimenta o crime”, reforça Gelfi. Para o IBJR, a manutenção de uma carga tributária equilibrada é a única ferramenta capaz de garantir a canalização do mercado para um ambiente seguro e legal.

Mirian Gasparin

Mirian Gasparin, natural de Curitiba, é formada em Comunicação Social com habilitação em Jornalismo pela Universidade Federal do Paraná e pós-graduada em Finanças Corporativas pela Universidade Federal do Paraná.Profissional com experiência de 50 anos na área de jornalismo, sendo 48 somente na área econômica, com trabalhos pela Rádio Cultura de Curitiba, Jornal Indústria & Comércio e Jornal Gazeta do Povo. Também foi assessora de imprensa das Secretarias de Estado da Fazenda, da Indústria, Comércio e Desenvolvimento Econômico e da Comunicação Social.Desde abril de 2006 é colunista de Negócios da Rádio BandNews Curitiba e escreveu para a revista Soluções do Sebrae/PR. Também é professora titular nos cursos de Jornalismo e Ciências Contábeis da Universidade Tuiuti do Paraná. Ministra cursos para empresários e executivos de empresas paranaenses, de São Paulo e Rio de Janeiro sobre Comunicação e Língua Portuguesa e faz palestras sobre Investimentos.Em julho de 2007 veio um novo desafio profissional, com o blog de Economia no Portal Jornale. Em abril de 2013 passou a ter um blog de Economia no portal Jornal e Notícias. E a partir de maio de 2014, quando completou 40 anos de jornalismo, lançou seu blog independente. Nestes 16 anos de blog, mais de 35 mil matérias foram postadas.Ao longo de sua carreira recebeu 20 prêmios, com destaque para o VII Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º e 3º lugar na categoria webjornalismo em 2023); Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º lugar Internet em 2017 e 2016);Prêmio Sistema Fiep de Jornalismo (1º lugar Internet – 2014 e 3º lugar Internet – 2015); Melhor Jornalista de Economia do Paraná concedido pelo Conselho Regional de Economia do Paraná (agosto de 2010); Prêmio Associação Comercial do Paraná de Jornalismo de Economia (outubro de 2010), Destaque do Jornalismo Econômico do Paraná -Shopping Novo Batel (março de 2011). Em dezembro de 2009 ganhou o prêmio Destaque em Radiodifusão nos Melhores do Ano do jornal Diário Popular. Demais prêmios: Prêmio Ceag de Jornalismo, Centro de Apoio à Pequena e Média Empresa do Paraná, atual Sebrae (1987), Prêmio Cidade de Curitiba na categoria Jornalismo Econômico da Câmara Municipal de Curitiba (1990), Prêmio Qualidade Paraná, da International, Exporters Services (1991), Prêmio Abril de Jornalismo, Editora Abril (1992), Prêmio destaque de Jornalismo Econômico, Fiat Allis (1993), Prêmio Mercosul e o Paraná, Federação das Indústrias do Estado do Paraná (1995), As mulheres pioneiras no jornalismo do Paraná, Conselho Estadual da Mulher do Paraná (1996), Mulher de Destaque, Câmara Municipal de Curitiba (1999), Reconhecimento profissional, Sindicato dos Engenheiros do Estado do Paraná (2005), Reconhecimento profissional, Rotary Club de Curitiba Gralha Azul (2005).Faz parte da publicação “Jornalistas Brasileiros – Quem é quem no Jornalismo de Economia”, livro organizado por Eduardo Ribeiro e Engel Paschoal que traz os maiores nomes do Jornalismo Econômico brasileiro.

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