Microcrédito avança sobre mercado de melhorias habitacionais no Brasil

Microcrédito avança sobre mercado de melhorias habitacionais no Brasil

Parceria entre ABCRED, Oikocredit e Habitat Brasil inicia desenvolvimento de modelo de crédito para reformas e ampliações

A Associação Brasileira de Entidades Operadoras de Microcrédito e Microfinanças (ABCRED), em parceria com a Oikocredit e a organização não governamental Habitat para a Humanidade Brasil, que se dedica à promoção da moradia digna, iniciou o desenvolvimento de um produto financeiro voltado à reforma e ampliação de moradias – um segmento ainda pouco atendido no país, apesar da alta demanda. A iniciativa, financiada pela Oikocredit, tem como objetivo desenhar um modelo replicável para instituições de microfinanças em todo o Brasil.

O movimento responde a um problema estrutural: mais de 26,5 milhões de domicílios urbanos brasileiros apresentam algum tipo de inadequação, o que representa 41,2% do total, segundo a Fundação João Pinheiro.

Na prática, trata-se de um universo expressivo de moradias com demanda potencial por melhorias, ainda pouco atendido por soluções estruturadas de crédito. Hoje, famílias de baixa renda que precisam reformar suas casas enfrentam uma lacuna: o crédito tradicional não atende esse perfil, e o financiamento habitacional convencional não contempla pequenas melhorias.

São intervenções essenciais, como construção de banheiros, correção de infiltrações, reforço estrutural ou ampliação de cômodos, geralmente realizadas na informalidade, ao longo de anos e sem planejamento técnico.

“A gente está falando de uma demanda real e recorrente, que ainda não encontrou soluções financeiras adequadas. Quando o crédito não chega, as famílias acabam resolvendo essas necessidades de forma mais lenta, mais cara e, muitas vezes, com risco maior”, afirma a presidente da ABCRED, Isabel Baggio.

A proposta da parceria é justamente preencher esse vazio, criando um produto adaptado à realidade das famílias e das instituições de microfinanças.

Diferentemente de iniciativas tradicionais, o projeto não começa com uma oferta pronta ao mercado. O foco inicial é o desenho técnico e operacional do produto, com base em dados, testes e validação em campo.

Diagnóstico

O modelo prevê etapas de diagnóstico das necessidades habitacionais dos clientes, desenvolvimento ou adaptação dos produtos financeiros, capacitação das equipes e implementação de projetos-piloto em diferentes regiões do país.

Participam dessa fase instituições como BluSol, Crecerto, CEAPE Brasil e Banco do Povo Crédito Solidário, que atuarão como laboratórios para a construção do modelo.

Um dos diferenciais da iniciativa é utilizar a capilaridade das instituições de microfinanças já em operação no Brasil, o que permite acelerar a implementação futura sem depender exclusivamente de novos canais ou políticas públicas.

A ABCRED reúne organizações com atuação em diferentes regiões do país, muitas delas com experiência consolidada em microcrédito produtivo e relacionamento direto com comunidades de baixa renda. A expectativa é que, ao final do processo, o produto esteja estruturado para ser replicado em escala.

Além de melhorar as condições de vida das famílias, esse tipo de financiamento tende a movimentar economias locais, gerar demanda para o setor de construção e reduzir custos públicos relacionados à saúde e à infraestrutura urbana.

“O microcrédito produtivo já mostrou que é possível estruturar soluções financeiras adaptadas à realidade de quem está fora do sistema tradicional. O avanço para o crédito habitacional segue essa mesma lógica, com potencial de escala e impacto econômico relevante”, afirma Isabel.

A parceria reúne três frentes complementares: a capilaridade e experiência das instituições de microfinanças associadas à ABCRED, a capacidad de financiamento de impacto da Oikocredit e o conhecimento técnico da Habitat para a Humanidade Brasil em melhorias habitacionais e desenvolvimento comunitário. Juntas, as organizações buscam estruturar um modelo de crédito que combine acesso financeiro, orientação técnica e potencial de escala, com foco na melhoria das condições de moradia no país.

“Essa parceria reúne dois elementos centrais. De um lado, a Oikocredit já vinha, em nível global, identificando a necessidade de ampliar produtos e ferramentas que contribuam para a melhoria da qualidade de vida dos clientes. De outro, as próprias instituições já observavam, na prática, a demanda por soluções voltadas à reforma habitacional”, afirma Nicolas Viedma Cestarolli, gerente regional da Oikocredit Cone Sul.

“Com a convergência desses dois movimentos, estruturamos um programa piloto, que será desenvolvido ao longo de 2026, com participação das instituições microfinanceiras e apoio técnico da Habitat. A expectativa é ampliar a iniciativa e alcançar mais organizações ao final dessa fase”, completa.

Socorro Leite, diretora executiva da Habitat para a Humanidade Brasil, destaca que a organização atua há 34 anos apoiando famílias de baixa renda na melhoria das condições de moradia e conhece de perto a realidade habitacional no país. “Neste projeto, vamos apoiar instituições de microfinanças no desenho de produtos de crédito voltados à melhoria habitacional, ampliando as possibilidades de financiamento e suporte a essas famílias”, afirma.

Mirian Gasparin

Mirian Gasparin, natural de Curitiba, é formada em Comunicação Social com habilitação em Jornalismo pela Universidade Federal do Paraná e pós-graduada em Finanças Corporativas pela Universidade Federal do Paraná.Profissional com experiência de 50 anos na área de jornalismo, sendo 48 somente na área econômica, com trabalhos pela Rádio Cultura de Curitiba, Jornal Indústria & Comércio e Jornal Gazeta do Povo. Também foi assessora de imprensa das Secretarias de Estado da Fazenda, da Indústria, Comércio e Desenvolvimento Econômico e da Comunicação Social.Desde abril de 2006 é colunista de Negócios da Rádio BandNews Curitiba e escreveu para a revista Soluções do Sebrae/PR. Também é professora titular nos cursos de Jornalismo e Ciências Contábeis da Universidade Tuiuti do Paraná. Ministra cursos para empresários e executivos de empresas paranaenses, de São Paulo e Rio de Janeiro sobre Comunicação e Língua Portuguesa e faz palestras sobre Investimentos.Em julho de 2007 veio um novo desafio profissional, com o blog de Economia no Portal Jornale. Em abril de 2013 passou a ter um blog de Economia no portal Jornal e Notícias. E a partir de maio de 2014, quando completou 40 anos de jornalismo, lançou seu blog independente. Nestes 16 anos de blog, mais de 35 mil matérias foram postadas.Ao longo de sua carreira recebeu 20 prêmios, com destaque para o VII Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º e 3º lugar na categoria webjornalismo em 2023); Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º lugar Internet em 2017 e 2016);Prêmio Sistema Fiep de Jornalismo (1º lugar Internet – 2014 e 3º lugar Internet – 2015); Melhor Jornalista de Economia do Paraná concedido pelo Conselho Regional de Economia do Paraná (agosto de 2010); Prêmio Associação Comercial do Paraná de Jornalismo de Economia (outubro de 2010), Destaque do Jornalismo Econômico do Paraná -Shopping Novo Batel (março de 2011). Em dezembro de 2009 ganhou o prêmio Destaque em Radiodifusão nos Melhores do Ano do jornal Diário Popular. Demais prêmios: Prêmio Ceag de Jornalismo, Centro de Apoio à Pequena e Média Empresa do Paraná, atual Sebrae (1987), Prêmio Cidade de Curitiba na categoria Jornalismo Econômico da Câmara Municipal de Curitiba (1990), Prêmio Qualidade Paraná, da International, Exporters Services (1991), Prêmio Abril de Jornalismo, Editora Abril (1992), Prêmio destaque de Jornalismo Econômico, Fiat Allis (1993), Prêmio Mercosul e o Paraná, Federação das Indústrias do Estado do Paraná (1995), As mulheres pioneiras no jornalismo do Paraná, Conselho Estadual da Mulher do Paraná (1996), Mulher de Destaque, Câmara Municipal de Curitiba (1999), Reconhecimento profissional, Sindicato dos Engenheiros do Estado do Paraná (2005), Reconhecimento profissional, Rotary Club de Curitiba Gralha Azul (2005).Faz parte da publicação “Jornalistas Brasileiros – Quem é quem no Jornalismo de Economia”, livro organizado por Eduardo Ribeiro e Engel Paschoal que traz os maiores nomes do Jornalismo Econômico brasileiro.

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