Joias em ouro ganham força no consumo de valor

Joias em ouro ganham força no consumo de valor

Alta do metal e mudança no comportamento de compra reposicionam as joias como ativos duráveis e elevam a exigência por credibilidade no setor

A valorização do ouro no mercado internacional e a mudança no comportamento de consumo têm recolocado as joias no centro de decisões mais racionais de compra. O metal ultrapassou a marca de US$ 2.000 por onça em diferentes momentos recentes, segundo o World Gold Council, refletindo a busca global por ativos considerados mais seguros em períodos de instabilidade econômica. No Brasil, esse movimento tem impulsionado a procura por joias em ouro 18k, associadas à durabilidade e preservação de valor.

Débora De Landa, fundadora do Joais Kether com mais de 26 anos de atuação no setor, afirma que a escolha deixou de ser apenas estética. “O cliente quer entender o que está comprando. Ele busca segurança, procedência e a garantia de que aquela peça mantém valor ao longo do tempo”, diz.

A mudança acompanha uma transformação mais ampla no consumo. Relatórios recentes da McKinsey indicam que consumidores têm priorizado qualidade, longevidade e decisões mais conscientes, reduzindo compras impulsivas e aumentando o peso do custo-benefício no longo prazo.

Esse comportamento favorece categorias associadas à permanência, como as joias em ouro.

“A joia volta a ocupar um espaço mais estratégico no consumo. Não é apenas um acessório, mas algo que acompanha a vida e pode atravessar gerações”, afirma Débora de Landa.

Esse reposicionamento também eleva o nível de exigência em relação às marcas. Empresas com histórico consistente, transparência na procedência e relacionamento próximo com o cliente tendem a ganhar espaço. Ao mesmo tempo, cresce a resistência a produtos sem certificação ou com origem pouco clara. “Hoje, a confiança é decisiva. O cliente questiona, compara e quer ter certeza de que está fazendo uma escolha segura”, explica.

Crescimento aberto

Débora de Landa.

Para as empresas, o cenário abre espaço para crescimento, mas exige estrutura. A construção de autoridade passa por clareza na comunicação, consistência na entrega e presença em canais que reforcem proximidade, como atendimento personalizado e vendas digitais com interação direta. “A tecnologia ampliou o alcance, mas não substituiu o relacionamento. A confiança continua sendo construída no detalhe”, aponta.

A valorização do ouro também traz desafios operacionais. O aumento do custo da matéria-prima impacta o ticket médio e exige maior rigor na precificação, no controle de estoque e na gestão financeira. Além disso, há a necessidade de educar o consumidor sobre o valor real das peças. “Quando o cliente entende a diferença entre ouro e outros materiais, ele passa a avaliar a compra de outra forma e deixa de comparar apenas preço”, diz.

A especialista aponta cinco estratégias para marcas aproveitarem a valorização do ouro com mais confiança e rentabilidade

Antes de avançar nesse mercado, especialistas apontam que é necessário alinhar posicionamento, operação e comunicação para sustentar crescimento consistente.

  • Priorizar procedência e transparência
    A origem do ouro e a garantia de autenticidade devem ser claras. Certificação e comunicação objetiva reduzem a insegurança na compra. “Transparência é o que sustenta a relação com o cliente no longo prazo”, afirma.
  • Investir em atendimento consultivo
    A decisão de compra tende a ser mais criteriosa. O atendimento precisa orientar, esclarecer dúvidas e construir confiança ao longo da jornada. Isso aumenta a conversão e reduz objeções.
  • Estruturar canais digitais com proximidade
    Lives de vendas, redes sociais e e-commerce com interação direta ampliam alcance sem perder vínculo com o cliente. O modelo tem ganhado força no setor joalheiro.
  • Ajustar a precificação com base em valor percebido
    Mais do que repassar custos, é necessário comunicar o valor da peça, considerando design, acabamento e credibilidade da marca. Isso reduz sensibilidade ao preço.
  • Evitar promessas inconsistentes
    Comparações com produtos de menor qualidade ou promessas irreais comprometem a confiança e afetam a reputação da marca no médio prazo.

Consumo consciente

O avanço das joias em ouro também se conecta a uma tendência mais ampla de consumo consciente. Dados da NielsenIQ mostram que consumidores estão mais atentos ao custo-benefício e ao valor de longo prazo, priorizando produtos duráveis em vez de compras descartáveis. Esse comportamento favorece segmentos que combinam valor financeiro e significado simbólico.

Para a empresária, o momento tende a consolidar marcas que já operam com consistência. “Quem construiu reputação ao longo do tempo sai na frente. O cliente está mais informado e menos disposto a correr riscos”, afirma. Segundo ela, a mudança deve permanecer. “A joia deixa de ser impulso e volta a ser escolha estratégica.”

Crédito da foto: Freepik

Mirian Gasparin

Mirian Gasparin, natural de Curitiba, é formada em Comunicação Social com habilitação em Jornalismo pela Universidade Federal do Paraná e pós-graduada em Finanças Corporativas pela Universidade Federal do Paraná.Profissional com experiência de 50 anos na área de jornalismo, sendo 48 somente na área econômica, com trabalhos pela Rádio Cultura de Curitiba, Jornal Indústria & Comércio e Jornal Gazeta do Povo. Também foi assessora de imprensa das Secretarias de Estado da Fazenda, da Indústria, Comércio e Desenvolvimento Econômico e da Comunicação Social.Desde abril de 2006 é colunista de Negócios da Rádio BandNews Curitiba e escreveu para a revista Soluções do Sebrae/PR. Também é professora titular nos cursos de Jornalismo e Ciências Contábeis da Universidade Tuiuti do Paraná. Ministra cursos para empresários e executivos de empresas paranaenses, de São Paulo e Rio de Janeiro sobre Comunicação e Língua Portuguesa e faz palestras sobre Investimentos.Em julho de 2007 veio um novo desafio profissional, com o blog de Economia no Portal Jornale. Em abril de 2013 passou a ter um blog de Economia no portal Jornal e Notícias. E a partir de maio de 2014, quando completou 40 anos de jornalismo, lançou seu blog independente. Nestes 16 anos de blog, mais de 35 mil matérias foram postadas.Ao longo de sua carreira recebeu 20 prêmios, com destaque para o VII Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º e 3º lugar na categoria webjornalismo em 2023); Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º lugar Internet em 2017 e 2016);Prêmio Sistema Fiep de Jornalismo (1º lugar Internet – 2014 e 3º lugar Internet – 2015); Melhor Jornalista de Economia do Paraná concedido pelo Conselho Regional de Economia do Paraná (agosto de 2010); Prêmio Associação Comercial do Paraná de Jornalismo de Economia (outubro de 2010), Destaque do Jornalismo Econômico do Paraná -Shopping Novo Batel (março de 2011). Em dezembro de 2009 ganhou o prêmio Destaque em Radiodifusão nos Melhores do Ano do jornal Diário Popular. Demais prêmios: Prêmio Ceag de Jornalismo, Centro de Apoio à Pequena e Média Empresa do Paraná, atual Sebrae (1987), Prêmio Cidade de Curitiba na categoria Jornalismo Econômico da Câmara Municipal de Curitiba (1990), Prêmio Qualidade Paraná, da International, Exporters Services (1991), Prêmio Abril de Jornalismo, Editora Abril (1992), Prêmio destaque de Jornalismo Econômico, Fiat Allis (1993), Prêmio Mercosul e o Paraná, Federação das Indústrias do Estado do Paraná (1995), As mulheres pioneiras no jornalismo do Paraná, Conselho Estadual da Mulher do Paraná (1996), Mulher de Destaque, Câmara Municipal de Curitiba (1999), Reconhecimento profissional, Sindicato dos Engenheiros do Estado do Paraná (2005), Reconhecimento profissional, Rotary Club de Curitiba Gralha Azul (2005).Faz parte da publicação “Jornalistas Brasileiros – Quem é quem no Jornalismo de Economia”, livro organizado por Eduardo Ribeiro e Engel Paschoal que traz os maiores nomes do Jornalismo Econômico brasileiro.

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