Salões de beleza ainda enfrentam desafios para controlar o lucro e organizar as finanças

Salões de beleza ainda enfrentam desafios para controlar o lucro e organizar as finanças

Falta de gestão financeira compromete decisões e pode limitar o crescimento do setor

A rotina intensa e a agenda lotada nem sempre refletem um negócio financeiramente saudável. No setor de beleza, muitos salões ainda operam sem clareza sobre quanto realmente lucram ao final do mês, o que pode comprometer desde o pagamento de despesas até decisões estratégicas, como contratação de equipe, reajuste de preços e investimentos.

A ausência de um fluxo de caixa estruturado impede que o empreendedor enxergue com precisão os custos do negócio e identifique desperdícios, taxas e despesas variáveis que afetam diretamente a margem de lucro. Com isso, mesmo estabelecimentos com alta demanda podem enfrentar dificuldades para manter estabilidade financeira e crescer de forma sustentável.

“É muito comum ver negócios com a agenda cheia, mas sem clareza sobre o que realmente sobra no fim do mês. O fluxo de caixa é o que permite transformar o movimento em resultado. Sem esse controle, o empreendedor acaba tomando decisões no escuro”, afirma Marcel Gewerc, CEO da Trinks.

Falta de controle dificulta crescimento e aumenta riscos

Quando a gestão financeira é feita apenas de forma pontual, geralmente em momentos de aperto, o salão tende a perder previsibilidade. Isso aumenta o risco de atrasos, dívidas e desequilíbrios no caixa, além de dificultar a organização de metas e planejamento.

Outro ponto crítico é a falta de separação entre contas pessoais e empresariais, prática que pode mascarar o desempenho real do salão e impedir que o empreendedor entenda se o negócio está, de fato, se sustentando ou apenas girando.

Gestão financeira como diferencial competitivo

Com um mercado cada vez mais concorrido, dominar os números deixou de ser apenas uma tarefa administrativa e passou a ser um diferencial competitivo. O controle financeiro permite entender quais serviços são mais rentáveis, ajustar custos, revisar comissões, negociar fornecedores e tomar decisões com mais segurança.

Além disso, despesas variáveis como consumo de produtos, taxas de pagamento e custos operacionais podem comprometer significativamente o resultado quando não são monitoradas de forma contínua.

“Quando o empreendedor domina os números do negócio, ele deixa de apagar incêndios e passa a atuar de forma estratégica. O fluxo de caixa traz previsibilidade e segurança para crescer com consistência”, complementa Gewerc.

Tecnologia como aliada na organização

Ferramentas digitais e sistemas de gestão têm contribuído para a profissionalização do setor, permitindo automatizar processos, reduzir erros e acompanhar indicadores financeiros com mais agilidade. Com isso, o fluxo de caixa deixa de ser apenas um controle básico e passa a funcionar como uma ferramenta ativa de gestão, apoiando decisões e antecipando riscos.

Dados do levantamento da Trinks

Um levantamento realizado pela Trinks com profissionais do setor de beleza e bem-estar reforça esse cenário: apenas 45,3% afirmam saber exatamente quanto lucraram no último mês, enquanto mais de 60% dizem ainda misturar finanças pessoais com as do negócio. O estudo também mostra que 34,7% acompanham o financeiro diariamente, mas 32% admitem não fazer esse controle com frequência. Os dados indicam que, apesar do alto volume de trabalho e do movimento constante nos salões, a falta de organização financeira ainda impede muitos empreendedores de enxergar com clareza os resultados reais do próprio negócio.

Mirian Gasparin

Mirian Gasparin, natural de Curitiba, é formada em Comunicação Social com habilitação em Jornalismo pela Universidade Federal do Paraná e pós-graduada em Finanças Corporativas pela Universidade Federal do Paraná. Profissional com experiência de 50 anos na área de jornalismo, sendo 48 somente na área econômica, com trabalhos pela Rádio Cultura de Curitiba, Jornal Indústria & Comércio e Jornal Gazeta do Povo. Também foi assessora de imprensa das Secretarias de Estado da Fazenda, da Indústria, Comércio e Desenvolvimento Econômico e da Comunicação Social. Desde abril de 2006 é colunista de Negócios da Rádio BandNews Curitiba e escreveu para a revista Soluções do Sebrae/PR. Também é professora titular nos cursos de Jornalismo e Ciências Contábeis da Universidade Tuiuti do Paraná. Ministra cursos para empresários e executivos de empresas paranaenses, de São Paulo e Rio de Janeiro sobre Comunicação e Língua Portuguesa e faz palestras sobre Investimentos. Em julho de 2007 veio um novo desafio profissional, com o blog de Economia no Portal Jornale. Em abril de 2013 passou a ter um blog de Economia no portal Jornal e Notícias. E a partir de maio de 2014, quando completou 40 anos de jornalismo, lançou seu blog independente. Nestes 16 anos de blog, mais de 35 mil matérias foram postadas. Ao longo de sua carreira recebeu 20 prêmios, com destaque para o VII Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º e 3º lugar na categoria webjornalismo em 2023); Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º lugar Internet em 2017 e 2016);Prêmio Sistema Fiep de Jornalismo (1º lugar Internet – 2014 e 3º lugar Internet – 2015); Melhor Jornalista de Economia do Paraná concedido pelo Conselho Regional de Economia do Paraná (agosto de 2010); Prêmio Associação Comercial do Paraná de Jornalismo de Economia (outubro de 2010), Destaque do Jornalismo Econômico do Paraná -Shopping Novo Batel (março de 2011). Em dezembro de 2009 ganhou o prêmio Destaque em Radiodifusão nos Melhores do Ano do jornal Diário Popular. Demais prêmios: Prêmio Ceag de Jornalismo, Centro de Apoio à Pequena e Média Empresa do Paraná, atual Sebrae (1987), Prêmio Cidade de Curitiba na categoria Jornalismo Econômico da Câmara Municipal de Curitiba (1990), Prêmio Qualidade Paraná, da International, Exporters Services (1991), Prêmio Abril de Jornalismo, Editora Abril (1992), Prêmio destaque de Jornalismo Econômico, Fiat Allis (1993), Prêmio Mercosul e o Paraná, Federação das Indústrias do Estado do Paraná (1995), As mulheres pioneiras no jornalismo do Paraná, Conselho Estadual da Mulher do Paraná (1996), Mulher de Destaque, Câmara Municipal de Curitiba (1999), Reconhecimento profissional, Sindicato dos Engenheiros do Estado do Paraná (2005), Reconhecimento profissional, Rotary Club de Curitiba Gralha Azul (2005). Faz parte da publicação “Jornalistas Brasileiros – Quem é quem no Jornalismo de Economia”, livro organizado por Eduardo Ribeiro e Engel Paschoal que traz os maiores nomes do Jornalismo Econômico brasileiro.

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