Incerteza global eleva régua da assessoria de investimentos

Incerteza global eleva régua da assessoria de investimentos

Com avanço da IA, mudanças tributárias e maior exigência dos investidores, mercado demanda assessores mais técnicos, transparentes e orientados por dados

A combinação de tensões geopolíticas, transformação digital acelerada e mudanças regulatórias têm redefinido o mercado financeiro e colocado à prova a qualidade da assessoria de investimentos no Brasil. Em um ambiente mais volátil e complexo, investidores passam a questionar não apenas onde alocar seus recursos, mas principalmente se estão sendo orientados por profissionais preparados para esse novo cenário.

Dados recentes do setor mostram que o número de investidores pessoas físicas na B3 já ultrapassa a marca de 5 milhões, refletindo um movimento consistente de democratização do acesso ao mercado. Ao mesmo tempo, a diversificação internacional ganha força, impulsionada por alterações nas regras de tributação de ativos no exterior, como as novas diretrizes para offshores no Imposto de Renda de 2026. Esse contexto amplia a necessidade de orientação qualificada e atualizada.

Nesse cenário, especialistas apontam que o papel do assessor de investimentos passa por uma transformação estrutural. De acordo com Guilherme Cassuli , CEO da WP Manager, a atuação tradicional, focada na distribuição de produtos, já não é suficiente para atender às demandas atuais.

“A evolução do mercado exige que o assessor deixe de ser apenas um intermediador e passe a atuar como um verdadeiro estrategista patrimonial. Isso envolve domínio técnico, visão macroeconômica e capacidade de traduzir cenários complexos em decisões práticas para o cliente”, afirma Utpadel.

Entre os principais desafios técnicos, está a compreensão aprofundada de conceitos como marcação a mercado — especialmente em produtos de renda fixa atrelados à inflação, como o Tesouro IPCA+ — que podem apresentar oscilações no curto prazo mesmo sendo considerados conservadores no longo prazo. A falta de entendimento sobre esses mecanismos ainda é uma das principais causas de frustração entre investidores.

Profissionais atualizados

Além disso, as mudanças na tributação de investimentos no exterior exigem atenção redobrada. A definição entre estruturas opacas e transparentes, bem como a tributação periódica de lucros, passa a impactar diretamente o planejamento financeiro de clientes com patrimônio diversificado, exigindo atualização constante dos profissionais do setor.

Outro vetor de transformação é a incorporação da Inteligência Artificial na rotina dos assessores. Ferramentas baseadas em IA têm permitido analisar grandes volumes de dados em tempo real, identificar tendências e gerar insights mais rápidos. No entanto, o diferencial competitivo não está apenas no acesso à tecnologia, mas na capacidade de utilizá-la para oferecer recomendações contextualizadas e personalizadas.

“O uso da IA não substitui o assessor, mas amplia sua capacidade analítica. O profissional que consegue transformar dados em estratégia ganha relevância em um mercado cada vez mais orientado por informação”, complementa o CEO.

Paralelamente, cresce a expectativa dos investidores por um atendimento mais próximo e integrado, semelhante ao modelo de family office. Isso inclui uma visão consolidada de patrimônio, alinhamento entre objetivos de curto, médio e longo prazo e maior transparência na relação — especialmente em relação à forma de remuneração dos assessores, tema que ganha destaque com o avanço da portabilidade de investimentos.

Tecnologia

Para viabilizar esse novo modelo de atuação, a tecnologia operacional também se torna peça-chave. Soluções que automatizam a gestão de comissões, estruturas societárias e rotinas administrativas permitem que o assessor reduza o tempo dedicado a tarefas operacionais e amplie o foco no relacionamento e na estratégia.

É nesse contexto que a WP Manager se posiciona como uma aliada do mercado, oferecendo softwares especializados que aumentam a eficiência, garantem maior controle e promovem transparência nas operações — fatores essenciais em um ambiente mais competitivo e regulado.

“O assessor preparado para o cenário atual é aquele que combina conhecimento técnico, uso inteligente da tecnologia e entendimento profundo do cliente. Sem essa tríade, torna-se cada vez mais difícil entregar valor real em um mercado que evolui em ritmo acelerado”, conclui Utpadel.

Diante da crescente sofisticação dos investidores e da complexidade do ambiente econômico, a tendência é clara: a assessoria de investimentos no Brasil caminha para um modelo mais estratégico, consultivo e orientado por dados, onde a confiança será construída não apenas por resultados, mas pela qualidade da orientação oferecida.

Crédito da foto: Freepik

Mirian Gasparin

Mirian Gasparin, natural de Curitiba, é formada em Comunicação Social com habilitação em Jornalismo pela Universidade Federal do Paraná e pós-graduada em Finanças Corporativas pela Universidade Federal do Paraná.Profissional com experiência de 50 anos na área de jornalismo, sendo 48 somente na área econômica, com trabalhos pela Rádio Cultura de Curitiba, Jornal Indústria & Comércio e Jornal Gazeta do Povo. Também foi assessora de imprensa das Secretarias de Estado da Fazenda, da Indústria, Comércio e Desenvolvimento Econômico e da Comunicação Social.Desde abril de 2006 é colunista de Negócios da Rádio BandNews Curitiba e escreveu para a revista Soluções do Sebrae/PR. Também é professora titular nos cursos de Jornalismo e Ciências Contábeis da Universidade Tuiuti do Paraná. Ministra cursos para empresários e executivos de empresas paranaenses, de São Paulo e Rio de Janeiro sobre Comunicação e Língua Portuguesa e faz palestras sobre Investimentos.Em julho de 2007 veio um novo desafio profissional, com o blog de Economia no Portal Jornale. Em abril de 2013 passou a ter um blog de Economia no portal Jornal e Notícias. E a partir de maio de 2014, quando completou 40 anos de jornalismo, lançou seu blog independente. Nestes 16 anos de blog, mais de 35 mil matérias foram postadas.Ao longo de sua carreira recebeu 20 prêmios, com destaque para o VII Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º e 3º lugar na categoria webjornalismo em 2023); Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º lugar Internet em 2017 e 2016);Prêmio Sistema Fiep de Jornalismo (1º lugar Internet – 2014 e 3º lugar Internet – 2015); Melhor Jornalista de Economia do Paraná concedido pelo Conselho Regional de Economia do Paraná (agosto de 2010); Prêmio Associação Comercial do Paraná de Jornalismo de Economia (outubro de 2010), Destaque do Jornalismo Econômico do Paraná -Shopping Novo Batel (março de 2011). Em dezembro de 2009 ganhou o prêmio Destaque em Radiodifusão nos Melhores do Ano do jornal Diário Popular. Demais prêmios: Prêmio Ceag de Jornalismo, Centro de Apoio à Pequena e Média Empresa do Paraná, atual Sebrae (1987), Prêmio Cidade de Curitiba na categoria Jornalismo Econômico da Câmara Municipal de Curitiba (1990), Prêmio Qualidade Paraná, da International, Exporters Services (1991), Prêmio Abril de Jornalismo, Editora Abril (1992), Prêmio destaque de Jornalismo Econômico, Fiat Allis (1993), Prêmio Mercosul e o Paraná, Federação das Indústrias do Estado do Paraná (1995), As mulheres pioneiras no jornalismo do Paraná, Conselho Estadual da Mulher do Paraná (1996), Mulher de Destaque, Câmara Municipal de Curitiba (1999), Reconhecimento profissional, Sindicato dos Engenheiros do Estado do Paraná (2005), Reconhecimento profissional, Rotary Club de Curitiba Gralha Azul (2005).Faz parte da publicação “Jornalistas Brasileiros – Quem é quem no Jornalismo de Economia”, livro organizado por Eduardo Ribeiro e Engel Paschoal que traz os maiores nomes do Jornalismo Econômico brasileiro.

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