Pequena indústria tem pior resultado desde a pandemia

Pequena indústria tem pior resultado desde a pandemia

Juros altos e custo de insumos pressionam empresas, aponta CNI

O desempenho das pequenas indústrias brasileiras atingiu o pior nível desde a pandemia de Covid-19, segundo pesquisa divulgada nesta segunda-feira (11) pela Confederação Nacional da Indústria (CNI). O levantamento mostra piora na produção, nas condições financeiras e na confiança dos empresários ao longo do primeiro trimestre de 2026.

De acordo com a pesquisa Panorama da Pequena Indústria, juros elevados, dificuldade de acesso ao crédito e aumento no custo das matérias-primas têm afetado diretamente as empresas de pequeno porte.

O índice que mede o desempenho das pequenas indústrias caiu para 43,7 pontos no primeiro trimestre deste ano.

Foi o menor resultado desde o segundo trimestre de 2020, período mais crítico da pandemia, quando o indicador chegou a 34,1 pontos.

O levantamento considera três fatores principais:

  • Volume de produção;
  • Uso da capacidade das fábricas;
  • Número de empregados.

Na prática, o resultado indica que pequenas empresas estão produzindo menos, utilizando menos sua estrutura e contratando menos trabalhadores.

Caixa pressionado

A situação financeira das pequenas indústrias também piorou. O índice que mede as condições financeiras caiu 2,5 pontos e chegou a 39 pontos, pior marca dos últimos cinco anos.

Esse indicador avalia:

  • Acesso ao crédito;
  • Margem de lucro;
  • Satisfação dos empresários com a situação financeira.

Em nota, a analista da CNI Julia Dias afirma que os juros altos dificultam ainda mais o financiamento para pequenas empresas, consideradas de maior risco pelos bancos. Segundo ela, o aumento no preço de insumos e matérias-primas, influenciado pela guerra no Oriente Médio, também reduziu a margem de lucro das indústrias.

Matéria-prima preocupa

A pesquisa mostra que o custo das matérias-primas se tornou uma das maiores preocupações do setor. Nas pequenas indústrias de transformação, o problema saltou da sexta para a segunda posição entre os principais entraves.

O percentual de empresários que citaram a dificuldade passou de 20% para 34,1% em apenas um trimestre.

Entre as pequenas empresas da construção civil, a preocupação com falta ou alto custo de insumos avançou de 4,1% para 18,1%.

Com isso, o tema saiu da 13ª para a 5ª posição entre os principais problemas do setor.

Juros elevados

A elevada carga tributária segue como principal dificuldade apontada pelas pequenas indústrias, apesar de ter perdido um pouco de força na comparação com o fim de 2025.

No setor da construção, os juros altos aparecem como o segundo maior problema enfrentado pelas empresas.

A preocupação com as taxas de juros subiu de 30,9% para 37,1% entre os empresários do segmento.

Segundo a CNI, os juros encarecem financiamentos, reduzem investimentos e dificultam o crescimento das pequenas empresas.

Confiança baixa

A confiança dos empresários também continua em queda. O Índice de Confiança do Empresário Industrial (Icei) das pequenas empresas ficou em 44,6 pontos em abril, menor nível desde junho de 2020.

O indicador está abaixo da linha de 50 pontos há 17 meses consecutivos, o que demonstra predominância de pessimismo no setor.

Expectativas moderadas

As expectativas para os próximos meses seguem cautelosas.

O índice de perspectivas da pequena indústria marcou 47,4 pontos, indicando visão moderada dos empresários sobre demanda, produção, contratações e investimentos.

O resultado mostra que, apesar da piora recente, parte das empresas ainda espera alguma recuperação gradual ao longo do ano.

Agência Brasil

Mirian Gasparin

Mirian Gasparin, natural de Curitiba, é formada em Comunicação Social com habilitação em Jornalismo pela Universidade Federal do Paraná e pós-graduada em Finanças Corporativas pela Universidade Federal do Paraná.Profissional com experiência de 50 anos na área de jornalismo, sendo 48 somente na área econômica, com trabalhos pela Rádio Cultura de Curitiba, Jornal Indústria & Comércio e Jornal Gazeta do Povo. Também foi assessora de imprensa das Secretarias de Estado da Fazenda, da Indústria, Comércio e Desenvolvimento Econômico e da Comunicação Social.Desde abril de 2006 é colunista de Negócios da Rádio BandNews Curitiba e escreveu para a revista Soluções do Sebrae/PR. Também é professora titular nos cursos de Jornalismo e Ciências Contábeis da Universidade Tuiuti do Paraná. Ministra cursos para empresários e executivos de empresas paranaenses, de São Paulo e Rio de Janeiro sobre Comunicação e Língua Portuguesa e faz palestras sobre Investimentos.Em julho de 2007 veio um novo desafio profissional, com o blog de Economia no Portal Jornale. Em abril de 2013 passou a ter um blog de Economia no portal Jornal e Notícias. E a partir de maio de 2014, quando completou 40 anos de jornalismo, lançou seu blog independente. Nestes 16 anos de blog, mais de 35 mil matérias foram postadas.Ao longo de sua carreira recebeu 20 prêmios, com destaque para o VII Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º e 3º lugar na categoria webjornalismo em 2023); Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º lugar Internet em 2017 e 2016);Prêmio Sistema Fiep de Jornalismo (1º lugar Internet – 2014 e 3º lugar Internet – 2015); Melhor Jornalista de Economia do Paraná concedido pelo Conselho Regional de Economia do Paraná (agosto de 2010); Prêmio Associação Comercial do Paraná de Jornalismo de Economia (outubro de 2010), Destaque do Jornalismo Econômico do Paraná -Shopping Novo Batel (março de 2011). Em dezembro de 2009 ganhou o prêmio Destaque em Radiodifusão nos Melhores do Ano do jornal Diário Popular. Demais prêmios: Prêmio Ceag de Jornalismo, Centro de Apoio à Pequena e Média Empresa do Paraná, atual Sebrae (1987), Prêmio Cidade de Curitiba na categoria Jornalismo Econômico da Câmara Municipal de Curitiba (1990), Prêmio Qualidade Paraná, da International, Exporters Services (1991), Prêmio Abril de Jornalismo, Editora Abril (1992), Prêmio destaque de Jornalismo Econômico, Fiat Allis (1993), Prêmio Mercosul e o Paraná, Federação das Indústrias do Estado do Paraná (1995), As mulheres pioneiras no jornalismo do Paraná, Conselho Estadual da Mulher do Paraná (1996), Mulher de Destaque, Câmara Municipal de Curitiba (1999), Reconhecimento profissional, Sindicato dos Engenheiros do Estado do Paraná (2005), Reconhecimento profissional, Rotary Club de Curitiba Gralha Azul (2005).Faz parte da publicação “Jornalistas Brasileiros – Quem é quem no Jornalismo de Economia”, livro organizado por Eduardo Ribeiro e Engel Paschoal que traz os maiores nomes do Jornalismo Econômico brasileiro.

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