Franquia ou negócio próprio: o que vale mais este ano

Franquia ou negócio próprio: o que vale mais este ano

Escolha do modelo impacta tempo de retorno, segurança e chances de sobrevivência

A decisão entre abrir uma franquia ou iniciar um negócio próprio tem ganhado peso em 2026, especialmente em um ambiente econômico ainda marcado por juros elevados e maior cautela dos empreendedores. Mais do que uma escolha de formato, o modelo adotado influencia diretamente o risco, o tempo de maturação e a taxa de sobrevivência da empresa.

Dados do Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas indicam que cerca de 60% das empresas no Brasil fecham antes de completar cinco anos de atividade, um indicador que reforça os desafios estruturais enfrentados por novos negócios.

No caso das franquias, a taxa de mortalidade no mesmo período é significativamente menor, frequentemente situada entre 5% e 15%, segundo levantamentos do setor. Ao mesmo tempo, o mercado de franquias segue em expansão. Segundo a Associação Brasileira de Franchising, o setor faturou R$ 301,7 bilhões em 2025, crescimento de 10,5% em relação ao ano anterior.

Para Carlos Fuzinelli, sócio-fundador e CEO da FVL Consórcios e especialista em expansão de franquias no setor financeiro, a escolha entre franquia e negócio próprio passa, principalmente, pelo perfil do empreendedor e pela capacidade de execução.

“Não existe um modelo melhor de forma absoluta. Existe o modelo mais adequado para cada momento e nível de experiência. O erro está em escolher sem entender os riscos envolvidos”, afirma Fuzinelli.

No modelo de negócio próprio, o empreendedor tem maior autonomia para definir estratégia, posicionamento e operação. Em contrapartida, assume integralmente os riscos da estruturação, validação do mercado e construção da marca. Esse processo tende a exigir mais tempo até a consolidação e geração de resultados consistentes.

“O negócio próprio oferece liberdade, mas cobra mais caro em aprendizado e tempo. O empreendedor precisa testar, ajustar e validar tudo sozinho”, diz.

Já a franquia opera com um modelo previamente estruturado, com marca consolidada, processos definidos e suporte contínuo. Isso reduz a curva de aprendizado e tende a aumentar a previsibilidade da operação, especialmente nos primeiros anos.

“No franchising, o empreendedor não começa do zero. Ele entra em um modelo validado, com metodologia e suporte. Isso reduz risco, mas exige disciplina para seguir padrões”, afirma.

Tempo de maturação

A diferença também aparece no tempo de maturação. Enquanto negócios próprios podem levar anos até atingir estabilidade, franquias costumam apresentar retorno mais rápido, dependendo do segmento e do modelo. No caso da FVL Consórcios, por exemplo, o retorno estimado pode começar a partir de três meses, segundo dados da própria empresa.

Outro fator relevante é a taxa de sobrevivência. Embora não exista um dado único consolidado para todos os setores, estudos do Sebrae indicam que negócios com modelo estruturado e suporte tendem a apresentar maior longevidade, principalmente nos primeiros anos de operação.

Apesar disso, o modelo de franquia também possui limitações. O empreendedor abre mão de parte da autonomia e precisa seguir diretrizes da franqueadora, além de arcar com taxas, como royalties e fundo de marketing.

“O risco na franquia é menor, mas não é inexistente. O resultado continua dependendo da execução local, da gestão e da capacidade comercial do empreendedor”, afirma.

Na prática, a escolha entre franquia e negócio próprio envolve três variáveis centrais: nível de experiência, disponibilidade de capital e tolerância ao risco. Empreendedores iniciantes tendem a buscar modelos mais estruturados, enquanto perfis mais experientes podem optar por negócios próprios em busca de maior escalabilidade e controle.

Com o crescimento do franchising e o aumento da profissionalização do empreendedorismo no país, a tendência é que modelos híbridos e mais estruturados ganhem espaço. Ainda assim, especialistas apontam que o fator decisivo continua sendo o planejamento.

“Empreender não é apenas abrir um negócio. É entender o modelo, os riscos e o tempo necessário para gerar resultado. Quando essa decisão é bem feita, aumenta muito a chance de sucesso”, conclui.

Mirian Gasparin

Mirian Gasparin, natural de Curitiba, é formada em Comunicação Social com habilitação em Jornalismo pela Universidade Federal do Paraná e pós-graduada em Finanças Corporativas pela Universidade Federal do Paraná.Profissional com experiência de 50 anos na área de jornalismo, sendo 48 somente na área econômica, com trabalhos pela Rádio Cultura de Curitiba, Jornal Indústria & Comércio e Jornal Gazeta do Povo. Também foi assessora de imprensa das Secretarias de Estado da Fazenda, da Indústria, Comércio e Desenvolvimento Econômico e da Comunicação Social.Desde abril de 2006 é colunista de Negócios da Rádio BandNews Curitiba e escreveu para a revista Soluções do Sebrae/PR. Também é professora titular nos cursos de Jornalismo e Ciências Contábeis da Universidade Tuiuti do Paraná. Ministra cursos para empresários e executivos de empresas paranaenses, de São Paulo e Rio de Janeiro sobre Comunicação e Língua Portuguesa e faz palestras sobre Investimentos.Em julho de 2007 veio um novo desafio profissional, com o blog de Economia no Portal Jornale. Em abril de 2013 passou a ter um blog de Economia no portal Jornal e Notícias. E a partir de maio de 2014, quando completou 40 anos de jornalismo, lançou seu blog independente. Nestes 16 anos de blog, mais de 35 mil matérias foram postadas.Ao longo de sua carreira recebeu 20 prêmios, com destaque para o VII Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º e 3º lugar na categoria webjornalismo em 2023); Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º lugar Internet em 2017 e 2016);Prêmio Sistema Fiep de Jornalismo (1º lugar Internet – 2014 e 3º lugar Internet – 2015); Melhor Jornalista de Economia do Paraná concedido pelo Conselho Regional de Economia do Paraná (agosto de 2010); Prêmio Associação Comercial do Paraná de Jornalismo de Economia (outubro de 2010), Destaque do Jornalismo Econômico do Paraná -Shopping Novo Batel (março de 2011). Em dezembro de 2009 ganhou o prêmio Destaque em Radiodifusão nos Melhores do Ano do jornal Diário Popular. Demais prêmios: Prêmio Ceag de Jornalismo, Centro de Apoio à Pequena e Média Empresa do Paraná, atual Sebrae (1987), Prêmio Cidade de Curitiba na categoria Jornalismo Econômico da Câmara Municipal de Curitiba (1990), Prêmio Qualidade Paraná, da International, Exporters Services (1991), Prêmio Abril de Jornalismo, Editora Abril (1992), Prêmio destaque de Jornalismo Econômico, Fiat Allis (1993), Prêmio Mercosul e o Paraná, Federação das Indústrias do Estado do Paraná (1995), As mulheres pioneiras no jornalismo do Paraná, Conselho Estadual da Mulher do Paraná (1996), Mulher de Destaque, Câmara Municipal de Curitiba (1999), Reconhecimento profissional, Sindicato dos Engenheiros do Estado do Paraná (2005), Reconhecimento profissional, Rotary Club de Curitiba Gralha Azul (2005).Faz parte da publicação “Jornalistas Brasileiros – Quem é quem no Jornalismo de Economia”, livro organizado por Eduardo Ribeiro e Engel Paschoal que traz os maiores nomes do Jornalismo Econômico brasileiro.

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