Natura tem receita pressionada no Brasil e Argentina

No primeiro trimestre, receita líquida somou R$ 4,7 bilhões
A Natura (B3: NATU3) apresentou os resultados do primeiro trimestre de 2026, com receita líquida de R$ 4,7 bilhões, EBITDA de R$ 346 milhões e margem de 7,3%. O desempenho foi pressionado pela desaceleração macroeconômica e menor atividade e número de consultoras no principal mercado, o Brasil. Além disso, os números refletem os impactos da operação na Argentina, ainda em recuperação após a combinação com a Avon no segundo semestre de 2025, somados aos efeitos da retração do consumo e câmbio desfavorável naquele país.
Apesar dos desafios de receita, a Natura Brasil ganhou participação de mercado no trimestre com crescimento do sell out (venda para o consumidor final) e vem recuperando o canal de venda direta com aumento sequencial no número de consultoras de beleza. No país, as vendas digitais aumentaram +23,6% em relação ao ano anterior, impulsionadas por aumento de tráfego nas plataformas e por iniciativas como live commerce e digitalização contínua da rede de consultoras. No varejo, a receita aumentou 14,3%.
Excluída a Argentina, os demais mercados da América Hispânica apresentam boa performance nos três primeiros meses do ano. Esse resultado foi impulsionado por contribuição positiva dos mercados onde a integração com a Avon já está mais madura e pela recuperação contínua no México, onde a combinação das marcas foi realizada na primeira metade de 2025.
Na região hispânica como um todo, a marca Natura expandiu 7% em moeda constante.
Novo posicionamento
O 1T26 marcou também o início do relançamento da marca Avon no Brasil e no México, em março, com novo posicionamento e portfólio de inovação que será implementado de forma escalonada. Embora ainda esteja em estágio inicial e represente uma parcela pequena do volume total, o relançamento já impulsionou vendas acima das expectativas para os novos produtos da Avon e melhorou as métricas de saúde da marca.
A rentabilidade no trimestre foi impactada pela desaceleração da receita, somada a despesas não operacionais e não recorrentes em meio à implementação do novo modelo de operar da companhia, que já estabeleceu uma estrutura mais leve, ágil e eficiente a partir do início de 2026. Os custos relacionados a essa transição concentraram-se majoritariamente no 1T26.
No período, o fluxo de caixa (R$ -315 milhões) foi neutro se excluídas despesas extraordinárias da companhia (R$ 330 milhões), o que demonstra a resiliência do negócio, mesmo em um contexto de receita pressionada.
“Tendo implementado o novo modelo operacional sem rupturas, nosso foco está totalmente voltado para o crescimento sustentável da receita e expansão da rentabilidade. Mantemos nossa confiança no cumprimento dos compromissos para o ano de 2026, que inclui a evolução da margem anual frente a 2025 e uma robusta geração de caixa. A estrutura de capital otimizada e a disciplina rigorosa na alocação de recursos refletirão diretamente no retorno aos nossos acionistas”, comentou o CEO, João Paulo Ferreira.
Regeneração
No desempenho socioambiental, a Natura foi reconhecida como uma das Empresas Mais Éticas do Mundo pelo Ethisphere Institute, integrando pela 15ª vez o ranking que aponta companhias que estão liderando a definição e o avanço de padrões de ética nos negócios globalmente.
No Brasil, a companhia foi destaque no mais recente Índice de Sustentabilidade Empresarial da B3 (ISE B3), alcançando 2º lugar no ranking geral, avançando com relação ao ciclo anterior, quando ocupou a 6ª posição. A evolução reforça a consistência de uma agenda que combina geração de impacto socioambiental e criação de valor.








