BNDES tem lucro de R$ 3,1 bilhões no primeiro trimestre

BNDES tem lucro de R$ 3,1 bilhões no primeiro trimestre

Em 12 meses, lucro bate novo recorde, com R$ 15,6 bilhões

O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) registrou lucro recorrente de R$ 3,1 bilhões no primeiro trimestre de 2026, crescimento de 17% sobre o resultado de 2025. No acumulado dos últimos 12 meses encerrados em março, o lucro recorrente, de R$ 15,6 bilhões, foi o maior da história, alta de 22% em relação a 2022 (R$ 12,5 bilhões). Nos primeiros meses de 2026, os ativos totais se aproximam de R$ 1 trilhão, atingindo R$ 995 bilhões, maior valor nominal da história, crescendo mais de 45% desde 2022, e a carteira de crédito alcançou R$ 678,2 bilhões, alta de 14% em relação a 2025 e maior patamar desde 2016.

Os resultados foram divulgados nesta terça-feira, em São Paulo, em coletiva de imprensa com a presença do presidente do Banco, Aloizio Mercadante, e dos diretores Alexandre Abreu, Nelson Barbosa, Tereza Campello, Maria Fernanda Coelho e Jean Uema.

Para Mercadante, o Banco vem numa trajetória de crescimento “muito forte, consistente e de qualidade”. “Isso tem a ver com a percepção dos empresários e do mercado em relação às entregas do BNDES: cada vez temos mais projetos chegando”, comemorou. Mercadante sinalizou a criação de oficinas do Banco pelo país para auxiliar e agilizar o crédito para novos clientes, com projetos mais alinhados às diretrizes do BNDES.

“As consultas, aprovações e desembolsos cresceram fortemente nesse trimestre, apesar de todos os desafios que tivemos nesse período”, afirmou, lembrando o impacto das guerras pelo mundo nas economia do Brasil e global. “Em relação ao BNDES, os dados são inquestionáveis e o mais importante é o crescimento com qualidade. Estamos chegando com 1 trilhão de ativos, a inadimplência de longe a menor do mercado e o lucro recorrente, um resultado do nosso trabalho, recorde histórico. é um resultado muito consistente e promissor porque quando temos carteira e ativos significa que temos fôlego, estamos prontos para os desafios que teremos pela frente para continuar nessa trajetória”.

O desempenho operacional da instituição também manteve a trajetória de crescimento no primeiro trimestre de 2026, com aprovações e desembolsos superando as marcas dos últimos anos. As aprovações de crédito somaram R$ 45,7 bilhões, aumento de 37% em relação ao primeiro trimestre de 2025 e de 254% sobre 2022.

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“Em injeção de crédito que o BNDES promoveu neste trimestre – a gente tem aqui as aprovações de crédito do BNDES e aquilo que o BNDES atuou como garantidor, o fundo FGI, garantindo operações de crédito liberado pelos bancos pela rede bancária estatal e privada – temos R$ 66,5 bilhões, o que comparado com o mesmo período do ano passado é um incremento de 21%”, destacou Alexandres Abreu. “Quando comparo esse mesmo número com o primeiro trimestre de 2022, esse crescimento é de praticamente 400%, cinco vezes mais. Essa é a contribuição que o BNDES deu para o crédito no Brasil.”

Os desembolsos do BNDES atingiram R$ 36,2 bilhões no trimestre, aumento de 44% em relação ao mesmo período de 2025 e de 145% frente ao primeiro trimestre de 2022, garantindo a continuidade do crescimento da carteira expandida. Destaque para os setores da indústria, com alta de 67% (R$ 8 bilhões) frente a 2025, infraestrutura, crescimento de 51% (R$ 13,4 bilhões) e agropecuária, com 40% (R$ 9,1 bilhões).

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No período, as consultas somaram R$ 84,4 bilhões, crescimento de 65% sobre 2025 e de 490% sobre 2022.

Considerando somente operações para entes públicos, principalmente estados e municípios, entre janeiro de 2023 e março de 2026 foram aprovados R$ 41 bilhões em novas operações, montante que representa 7,3 vezes as operações realizadas entre 2019 e 2022. Os recursos se destinaram, principalmente, a projetos de impacto social e climático, como mobilidade urbana, infraestrutura logística, adaptação climática e resiliência.

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Para micro, pequenas e médias empresas (MPMEs) as aprovações de crédito somaram R$ 29 bilhões, o que representa um aumento de 120% em relação ao primeiro trimestre de 2025 e de 333% sobre 2022. As garantias prestadas por fundos garantidores em operações realizadas por agentes financeiros alcançaram R$ 20,8 bilhões, totalizando o volume de R$ 49,8 bilhões de apoio a tais empresas, aumento de 44% comparado ao primeiro trimestre de 2025 e de 592% a igual período de 2022.

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“O BNDES tem uma estratégia muito clara, que vem sendo implementada desde 2023, voltada para o crescimento regional, especialmente nas regiões Norte e Nordeste, para que a gente possa diminuir a assimetria que ainda existe”, observou a diretora Maria Fernanda Coelho. “Em relação ao crédito e ao investimento para essas regiões, temos atuado de forma estratégica com as micro, pequenas e médias empresas. Essa é também uma demanda tanto do Consórcio Nordeste, quanto do Consórcio da Amazônia Legal. Temos o programa BNDES Mais Perto de Você, onde a gente articula as federações das indústrias e todo setor produtivo – comércio, serviço, indústrias, agropecuária – e leva informações em relação aos nossos produtos e serviços. Isso já aconteceu em Roraima, no Amapá, em Rondônia e nos outros estados”.

A inadimplência de 0,046% (90 dias) permanece expressivamente inferior à do Sistema Financeiro Nacional (4,33% geral e 0,60% para grandes empresas em março de 2026), evidenciando a solidez da carteira de crédito do BNDES.

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O lucro líquido recorrente de R$ 3,1 bilhões representa um aumento de 17% em relação ao primeiro trimestre de 2025 sendo que, no acumulado dos últimos 12 meses (R$ 15,6 bilhões) é o maior da história, representando crescimento de 22% em relação a 2022 (R$ 12,5 bilhões).

Destaca-se que o resultado financeiro do BNDES foi beneficiado pelos ganhos de crédito, oriundos do crescimento dos ativos como um todo.

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Ativos

Em 31 de março de 2026, os ativos totais do Sistema BNDES somaram R$ 995 bilhões, aumento de R$ 32,2 bilhões (3,3%) em relação a dezembro de 2025, especialmente pelo crescimento de R$ 23,9 bilhões da carteira de participações societárias e de R$ 14,7 bilhões da carteira de crédito expandida. O resultado de 2026 representa alta de 45% sobre 2022 (R$ 684 bilhões).

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Os financiamentos de créditos, repasses, debêntures e outros ativos de concessão de crédito, que compõem a carteira de crédito expandida, atingiram o montante de R$ 678 bilhões em 31 de março de 2026 (2,2% acima de dezembro de 2025), influenciado pela apropriação de juros e atualização monetária e pela integralização de debêntures. O montante é R$ 235 bilhões maior que o primeiro trimestre de 2022.

A carteira de participações societárias totalizou R$ 110,3 bilhões, aumento de 27,7% em relação à posição de dezembro 2025 pela valorização dos investimentos em empresas não coligadas. Petrobras, JBS, Axia Energia (Eletrobras) e Copel seguem como principais empresas investidas em termos de carteira total.

Desde janeiro de 2023, a carteira variou R$ 47,6 bilhões (incluindo compras de R$ 6,7 bilhões), foram vendidos R$ 6,4 bilhões e recebidos R$ 27,4 bilhões de proventos.

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O patrimônio líquido atingiu R$ 192 bilhões, em 31 de março de 2026, aumento de R$ 19,7 bilhões frente ao encerramento de 2025 em virtude do lucro líquido (incluindo vendas de ações) de R$ 3,9 bilhões no trimestre, e do efeito positivo do ajuste a valor de mercado de ativos (principalmente ações e debêntures) de R$ 15,8 bilhões, líquido de tributos.

Índice de Basileia

O BNDES mantém índices de capital sólidos bem acima do mínimo regulatório.  Em 31 de março de 2026, o Índice de Basileia atingiu 24,1% (25,2% em dezembro de 2025), mantendo situação confortável com relação do limite de 10,5% exigido pelo Banco Central. O decréscimo observado em relação ao apurado em dezembro de 2025 reflete o aumento dos ativos ponderados pelo risco, principalmente pela valorização da carteira de ações, em proporção superior ao crescimento do patrimônio de referência, relacionado com as variações do patrimônio líquido mencionadas.

Mirian Gasparin

Mirian Gasparin, natural de Curitiba, é formada em Comunicação Social com habilitação em Jornalismo pela Universidade Federal do Paraná e pós-graduada em Finanças Corporativas pela Universidade Federal do Paraná.Profissional com experiência de 50 anos na área de jornalismo, sendo 48 somente na área econômica, com trabalhos pela Rádio Cultura de Curitiba, Jornal Indústria & Comércio e Jornal Gazeta do Povo. Também foi assessora de imprensa das Secretarias de Estado da Fazenda, da Indústria, Comércio e Desenvolvimento Econômico e da Comunicação Social.Desde abril de 2006 é colunista de Negócios da Rádio BandNews Curitiba e escreveu para a revista Soluções do Sebrae/PR. Também é professora titular nos cursos de Jornalismo e Ciências Contábeis da Universidade Tuiuti do Paraná. Ministra cursos para empresários e executivos de empresas paranaenses, de São Paulo e Rio de Janeiro sobre Comunicação e Língua Portuguesa e faz palestras sobre Investimentos.Em julho de 2007 veio um novo desafio profissional, com o blog de Economia no Portal Jornale. Em abril de 2013 passou a ter um blog de Economia no portal Jornal e Notícias. E a partir de maio de 2014, quando completou 40 anos de jornalismo, lançou seu blog independente. Nestes 16 anos de blog, mais de 35 mil matérias foram postadas.Ao longo de sua carreira recebeu 20 prêmios, com destaque para o VII Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º e 3º lugar na categoria webjornalismo em 2023); Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º lugar Internet em 2017 e 2016);Prêmio Sistema Fiep de Jornalismo (1º lugar Internet – 2014 e 3º lugar Internet – 2015); Melhor Jornalista de Economia do Paraná concedido pelo Conselho Regional de Economia do Paraná (agosto de 2010); Prêmio Associação Comercial do Paraná de Jornalismo de Economia (outubro de 2010), Destaque do Jornalismo Econômico do Paraná -Shopping Novo Batel (março de 2011). Em dezembro de 2009 ganhou o prêmio Destaque em Radiodifusão nos Melhores do Ano do jornal Diário Popular. Demais prêmios: Prêmio Ceag de Jornalismo, Centro de Apoio à Pequena e Média Empresa do Paraná, atual Sebrae (1987), Prêmio Cidade de Curitiba na categoria Jornalismo Econômico da Câmara Municipal de Curitiba (1990), Prêmio Qualidade Paraná, da International, Exporters Services (1991), Prêmio Abril de Jornalismo, Editora Abril (1992), Prêmio destaque de Jornalismo Econômico, Fiat Allis (1993), Prêmio Mercosul e o Paraná, Federação das Indústrias do Estado do Paraná (1995), As mulheres pioneiras no jornalismo do Paraná, Conselho Estadual da Mulher do Paraná (1996), Mulher de Destaque, Câmara Municipal de Curitiba (1999), Reconhecimento profissional, Sindicato dos Engenheiros do Estado do Paraná (2005), Reconhecimento profissional, Rotary Club de Curitiba Gralha Azul (2005).Faz parte da publicação “Jornalistas Brasileiros – Quem é quem no Jornalismo de Economia”, livro organizado por Eduardo Ribeiro e Engel Paschoal que traz os maiores nomes do Jornalismo Econômico brasileiro.

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