Canetas emagrecedoras transformam consumo e diminuem em 22,7% gastos com cesta básica

Estudo mostra aumento nos custos com beleza e bem-estar
O avanço do uso de canetas emagrecedoras no Brasil já começa a redesenhar o comportamento de consumo e gerar impactos relevantes na economia.
Pesquisa inédita realizada pela Reds Research, empresa parte do HSR Specialist Researchers, maior grupo independente de pesquisa de mercado do país, com 1.000 usuários em todo o país aponta que o uso desses medicamentos pode redistribuir cerca de R$ 56,9 bilhões por ano entre setores, alterando prioridades de gasto e hábitos cotidianos. Mais do que um efeito sobre o peso, o estudo mostra que o tratamento desencadeia uma mudança estrutural no estilo de vida, com reflexos diretos em áreas como alimentação, saúde, beleza e moda.
Entre os setores analisados, a alimentação é o mais impactado negativamente. Após o início do tratamento, o gasto médio mensal com alimentos cai cerca de 12%, por indivíduo, com destaque para a redução de 22,7% na cesta básica, considerada a maior destruição de valor entre as categorias analisadas. A diminuição do apetite e a mudança nos hábitos alimentares explicam o movimento, que também afeta restaurantes (-9,9%), delivery (-3,4%) e bebidas (-3,9%).
Na contramão, o setor de beleza e bem-estar aparece como o principal beneficiado. Os gastos crescem quase 18% após o início do uso, impulsionados por um aumento na autoestima e maior foco em autocuidado. O estudo indica aumento na frequência de consumo de serviços como skincare, tratamentos corporais e salão de beleza, refletindo uma nova relação dos usuários com o próprio corpo.
Serviços de saúde
A jornada de emagrecimento também altera a forma como os brasileiros consomem serviços de saúde. Milhões passam a frequentar especialistas como endocrinologistas, nutricionistas e psicólogos, além de adotar suplementos alimentares. Ao mesmo tempo, o gasto total com saúde apresenta leve queda, indicando uma redistribuição interna — com menos consultas gerais e maior foco em atendimentos específicos ligados ao tratamento.
Outro setor diretamente impactado é o de moda, que registra retração de cerca de 7% nos gastos, mas com dinâmicas específicas. A mudança corporal leva à renovação gradual do guarda-roupa, beneficiando categorias como roupas esportivas e peças do dia a dia.
Uso atinge mais de 15 milhões de brasileiros
A pesquisa estima que cerca de 30% da população adulta de áreas metropolitanas com acesso à internet já usou ou usa canetas emagrecedoras, o equivalente a aproximadamente 15,4 milhões de pessoas. O perfil dos usuários é majoritariamente feminino (55%), concentrado entre 25 e 59 anos, e com maior presença nas regiões Sudeste e Nordeste. Outro dado relevante é que apenas 30% utilizam os medicamentos com indicação médica, evidenciando um alto uso off-label no país.
Para além de um fenômeno de saúde, as canetas emagrecedoras inauguram um novo padrão de consumo no Brasil. O estudo mostra que o dinheiro economizado com alimentação é, em grande parte, redirecionado para autocuidado, beleza e bem-estar — sinalizando uma transformação mais ampla na forma como os brasileiros priorizam gastos.
Se a tendência se consolidar, os efeitos podem se ampliar nos próximos anos, criando vencedores e pressionando setores tradicionais da economia.








