54% dos brasileiros mudam planos de viagem por fatores econômicos

54% dos brasileiros mudam planos de viagem por fatores econômicos

Pesquisa Melhores Destinos mostra que alta nas passagens impulsiona uso de milhas, busca por promoções e maior flexibilidade nas viagens

A guerra no Oriente Médio tem impactado diretamente o comportamento de muitos viajantes. Um levantamento realizado pelo Melhores Destinos, maior site de divulgação de promoções de passagens aéreas do Brasil, revela que o aumento do preço do combustível de aviação e a variação do dólar são os principais fatores externos que mais impactam ou alteram os planos de viagem dos brasileiros. Essa é a preocupação de 53,80% dos entrevistados.

As inquietações dos brasileiros têm uma base muito clara: o combustível de aviação disparou nada menos do que 55% no Brasil neste mês, o que fez subir o preço das passagens aéreas. O aumento é decorrente do petróleo, que está flutuando em torno de US$ 100 – aumento, em média, superior a 50% desde o início do conflito. Parte disso se deve ao fato de que 20% da produção mundial da commodity passa pelo Estreito de Ormuz, controlado pelo Irã.

Mesmo em um contexto adverso, porém, a pesquisa mostrou que  39% dos brasileiros continuam viajando normalmente, mas adaptando alguns gastos. Entre as principais mudanças estão a troca de destino, escolhendo opções mais baratas (24,40% dos entrevistados), troca das viagens aéreas por carro ou ônibus (24,40%), e menos tempo de viagem (18,60%).

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O preço médio das passagens já teve um aumento no mês passado. Segundo a Agência Nacional de Aviação Civil (Anac), o valor ficou em R$ 707 em março entre as três maiores companhias aéreas brasileiras, já descontada a inflação. O aumento é de cerca de 15% sobre o mês anterior e de 17,8% sobre março do ano passado.

“O setor aéreo é muito sensível a mudanças de impacto econômico, e o combustível responde por mais de 30% dos custos das companhias aéreas. Por isso, não surpreende que os preços das passagens estejam em elevação”, afirma Leonardo Marques, diretor e fundador do Melhores Destinos.

O que fazer para viajar mais barato?

Para viajar de forma mais barata, os entrevistados apontaram a busca por alternativas que vão além do dinheiro e passaram a ficar mais de olho na flutuação dos preços das passagens.

Entre as principais estratégias dos viajantes estão o uso de milhas, pontos e programas de fidelidade (55,20%), o monitoramento de preços e promoções (53,40%) e a flexibilidade de datas, com prioridade para a baixa temporada e horários alternativos de viagem (44,40%).

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Além das estratégias de milhas e monitoramento, os entrevistados também indicaram os períodos que acreditam ser mais estratégicos para passeios mais baratos. As duas faixas do ano mais apontadas são as de baixa temporada, quando os preços são mais acessíveis, sobretudo em comparação às férias de julho ou de fim de ano.

A maioria (55,40%) acredita que o período de agosto a outubro é o mais adequado para viajar. Não muito longe, com 48,60% das preferências, está a época que vai de abril a junho.

“Neste contexto de passagens mais altas, vale a pena checar seu saldo de milhas e aproveitar as ofertas para transferir pontos do cartão para as companhias aéreas com bônus e ficar de olho em eventuais promoções, uma vez que a demanda tende a diminuir para algumas partes do mundo, como o Oriente Médio e a Ásia”, observa Marques.

O diretor revela que a importância das milhas é tanta que teve impacto até no conteúdo do site. Após quase 18 anos acompanhando apenas as passagens aéreas pagas em dinheiro, o Melhores Destinos começou a monitorar também as oportunidades de emissão de voos com milhas dos principais programas de fidelidade.

Brasileiros não abrem mão de conforto e segurança

Os preços até podem ter subido de maneira geral e ter gerado preocupação, mas o nível de exigência dos brasileiros que colocam o pé na estrada (ou nos ares) pouco mudou. De acordo com a pesquisa do Melhores Destinos, as prioridades são boas hospedagens, o que inclui conforto, higiene e infraestrutura (apontado por 51% dos entrevistados); segurança, que considera seguro viagem e assistência (44,40%) e a localização estratégica (37,80%).

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“De todas as estratégias, o seguro viagem certamente é fundamental, especialmente em viagens internacionais. Mas mais importante do que ter uma cobertura, é ficar atento às limitações, principalmente se a opção for pelo seguro do cartão de crédito. De maneira geral, as empresas do segmento costumam oferecer um portfólio mais completo de serviços”, destaca Marques.

Comprar passagem agora ou esperar?

Mesmo com tantas estratégias assertivas, uma dor de cabeça que pode aparecer em períodos de tanta incerteza no setor aéreo é sobre o momento da compra da passagem aérea.

Se os planos forem flexíveis, ou adiáveis, a melhor alternativa, caso o viajante não encontre um preço razoável para a sua viagem, é esperar. “Precisamos considerar dois cenários. Em primeiro lugar, o conflito pode acabar. Em segundo, o aumento das passagens muda a lógica de demanda. Isso faz com que alguns voos tenham uma ocupação abaixo da esperada, o que obriga empresas a reduzir preços”, explica Marques.

Se a viagem acontecer em qualquer cenário, a situação é bem diferente. Os preços já subiram, mas bem menos do que o aumento já praticado nos combustíveis. E com as incertezas que ainda permeiam o conflito, é arriscado deixar a passagem aérea para depois, pois pode ficar mais caro.

Metodologia

Para entender como os brasileiros buscam fazer viagens mais econômicas, nas últimas semanas, foram entrevistados 500 adultos (maiores de 18 anos) residentes em todas as regiões e conectados à internet. O índice de confiabilidade foi de 95%, e a margem de erro foi de 3,3 pontos percentuais.

Ao todo, os respondentes tiveram acesso a 8 questões, que abordaram de que forma fatores externos estão influenciando o comportamento dos viajantes, quais estratégias são adotadas para viagens baratas e quais são os detinos para viajar gastando menos. A organização das respostas possibilitou a criação de diferentes rankings, nos quais você confere cada alternativa apontada pelos entrevistados.

 

Mirian Gasparin

Mirian Gasparin, natural de Curitiba, é formada em Comunicação Social com habilitação em Jornalismo pela Universidade Federal do Paraná e pós-graduada em Finanças Corporativas pela Universidade Federal do Paraná.Profissional com experiência de 50 anos na área de jornalismo, sendo 48 somente na área econômica, com trabalhos pela Rádio Cultura de Curitiba, Jornal Indústria & Comércio e Jornal Gazeta do Povo. Também foi assessora de imprensa das Secretarias de Estado da Fazenda, da Indústria, Comércio e Desenvolvimento Econômico e da Comunicação Social.Desde abril de 2006 é colunista de Negócios da Rádio BandNews Curitiba e escreveu para a revista Soluções do Sebrae/PR. Também é professora titular nos cursos de Jornalismo e Ciências Contábeis da Universidade Tuiuti do Paraná. Ministra cursos para empresários e executivos de empresas paranaenses, de São Paulo e Rio de Janeiro sobre Comunicação e Língua Portuguesa e faz palestras sobre Investimentos.Em julho de 2007 veio um novo desafio profissional, com o blog de Economia no Portal Jornale. Em abril de 2013 passou a ter um blog de Economia no portal Jornal e Notícias. E a partir de maio de 2014, quando completou 40 anos de jornalismo, lançou seu blog independente. Nestes 16 anos de blog, mais de 35 mil matérias foram postadas.Ao longo de sua carreira recebeu 20 prêmios, com destaque para o VII Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º e 3º lugar na categoria webjornalismo em 2023); Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º lugar Internet em 2017 e 2016);Prêmio Sistema Fiep de Jornalismo (1º lugar Internet – 2014 e 3º lugar Internet – 2015); Melhor Jornalista de Economia do Paraná concedido pelo Conselho Regional de Economia do Paraná (agosto de 2010); Prêmio Associação Comercial do Paraná de Jornalismo de Economia (outubro de 2010), Destaque do Jornalismo Econômico do Paraná -Shopping Novo Batel (março de 2011). Em dezembro de 2009 ganhou o prêmio Destaque em Radiodifusão nos Melhores do Ano do jornal Diário Popular. Demais prêmios: Prêmio Ceag de Jornalismo, Centro de Apoio à Pequena e Média Empresa do Paraná, atual Sebrae (1987), Prêmio Cidade de Curitiba na categoria Jornalismo Econômico da Câmara Municipal de Curitiba (1990), Prêmio Qualidade Paraná, da International, Exporters Services (1991), Prêmio Abril de Jornalismo, Editora Abril (1992), Prêmio destaque de Jornalismo Econômico, Fiat Allis (1993), Prêmio Mercosul e o Paraná, Federação das Indústrias do Estado do Paraná (1995), As mulheres pioneiras no jornalismo do Paraná, Conselho Estadual da Mulher do Paraná (1996), Mulher de Destaque, Câmara Municipal de Curitiba (1999), Reconhecimento profissional, Sindicato dos Engenheiros do Estado do Paraná (2005), Reconhecimento profissional, Rotary Club de Curitiba Gralha Azul (2005).Faz parte da publicação “Jornalistas Brasileiros – Quem é quem no Jornalismo de Economia”, livro organizado por Eduardo Ribeiro e Engel Paschoal que traz os maiores nomes do Jornalismo Econômico brasileiro.

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