Dólar bate R$ 1,94 e já se reflete no caixa das empresas e no bolso dos consumidores

O assunto mais comentado neste momento é a alta do dólar. Em relação ao real, a moeda norte-americana já valorizou 23% somente neste mês e vai mexer com o bolso das empresas e dos consumidores. O dólar comercial abriu na manhá desta quinta-feira (22) a R$ 1,90 e á s 10 horas bateu a casa de R$ 1,94. O dólar turismo está sendo cotado  a R$ 2,05. Já as bolsas do mundo inteiro despencaram.  Na ásia, as principais Bolsas fecharam com perdas entre 2,78% (Xangai) e 5,26% (Hong Kong). O Ibovespa nas primeiras operações desta quinta-feira (22) registrava queda de 3,14%, aos 54.223 pontos. Na Europa, a Bolsa de Londres desaba 4,85%, enquanto as Bolsas de Paris e Frankfurt retrocedem 5,03% e 4,58%, respectivamente.

Além da preocupação com a crise europeia, analistas ainda apontam a frustração dos investidores com o plano anunciado na quarta-feira (21) pelo banco central dos EUA (o Federal Reserve) para reestimular a economia.
No Brasil, o mais preocupante é a inflação, pois segundo as consultorias econômicas, se o dólar continuar subindo, as metas de inflação serão estouradas.

Está enganado aquele que pensa que não tem nada a ver com o dólar. A alta do dólar acaba batendo em praticante todos os produtos, do simples pãozinho aos combustíveis. No caso do pãozinho e dos derivados da farinha o reajuste acontece porque nós importamos metade do trigo que consumimos. Já no caso do café, nós somos grandes produtores, mas como se trata de uma commodity, seu preço é cotado em dólar. E os combustíveis então são os primeiros a sofrer reajustes que automaticamente são  repassados para o transporte das mercadorias e daí o aumento se dá em cadeia.

Eu conversei com o conselheiro do Instituto Brasileiro de Executivos de Finanças do Paraná (Ibef/PR), o economista Luis Afonso Cerqueira,  e ele me disse que no caso específico das empresas, as mais afetadas são as que têm dívida em dólar. በque como a cotação da moeda norte-americana vinha caindo há mais de dois anos, muitas empresas fizeram empréstimos em dólar no exterior, inclusive porque as taxas de captação lá  fora também são bem menores. Agora estas companhias vão sofrer as consequências de tal decisão. Também as empresas exportadoras que tomam empréstimos através de Adiantamentos de Contratos de Cá¢mbio,  os ACCs, vão pagar mais caro. Por outro lado, as exportadoras vão ganhar em  função de que vão receber mais por suas vendas no comércio internacional. As empresas importadoras  começam a se apavorar, pois os pedidos para atender as encomendas de final de ano estão chegando.

Quem viajou para o exterior nos últimos dias vai receber sua fatura de cartão de crédito pelo menos 20% mais alta este mês. Também os pacotes tuísticos para o exterior, que estavam muito atraentes nos últimos meses ficarão mais caros. Em julho, por exemplo, o dólar era cotado aqui a R$ 1,50.

Eu conversei também com o diretor da Soviagem Turismo e Cá¢mbio, Alessandro Catenacci, e ele não aconselha, neste momento,  comprar dólar como investimento. Apenas quem está embarcando para o exterior e deixou para a última hora deve comprar dólar. O euro está sendo vendido nesta quinta-feira (22) a R$ 2,73.

Soma

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