Indústria da Construção faturou R$ 522,5 bilhões e empregou 2,5 milhões de trabalhadores em 2024

Indústria da Construção faturou R$ 522,5 bilhões e empregou 2,5 milhões de trabalhadores em 2024

O segmento de Obras de infraestrutura foi o mais relevante em termos valor de incorporações

O setor da Indústria da Construção gerou, em 2024, um valor total em incorporações, obras e/ou serviços de R$ 522,5 bilhões. Reunindo 191 mil empresas no país, empregou 2,5 milhões de pessoas, pagando R$ R$ 95,6 bilhões em salários. No ano, houve equilíbrio dos segmentos de Obras de infraestrutura, com R$ 200,9 bilhões (ou 38,4%) e Construção de edifícios, com R$ 198,9 bilhões (38,1%). Serviços especializados para construção responderam por 23,5% do valor do setor (R$ 122,8 bilhões).

Do total gerado pela indústria da construção, 33,0% tiveram como origem a demanda pelo setor público. No segmento de Obras de infraestrutura, a participação do setor público chegou a quase metade (48,2%) do valor gasto. Essas e outras informações integram a Pesquisa Anual da Indústria da Construção, divulgada hoje (10/06), pelo IBGE. A PAIC traz dados para Brasil, Grandes Regiões e Unidades da Federação.

“O principal ponto da Pesquisa em 2024 é o quão importante são as obras de infraestrutura dentro do cenário da Indústria da Construção no Brasil, não somente em termos de valor de obras mas em termos de remuneração paga. Além disso, mostra a importância do setor público nesse segmento, por exemplo, que corresponde a quase 50% das obras de infraestrutura do país”, explicou o gerente da Pesquisa, Marcelo Miranda.

Salários médios vão de 1,8 a 2,6 salários mínimos

A construção de edifícios ocupa o segundo lugar em valor, perdendo para Obras de infraestrutura, mas é o segmento que mais emprega. Do total de empregados, 35,7% estavam na Construção de edifícios, 34,4% em Serviços especializados para construção e 29,9% em Obras de infraestrutura.

Quanto ao valor das remunerações, o setor pratica salários médios mensais que vão de apenas 1,8 a 2,6 salários mínimos. A média do setor da Indústria da Construção foi de 13 pessoas ocupadas por empresa, com remuneração média mensal equivalente a 2,1 salários mínimos (s.m.). As empresas de Obras de infraestrutura apresentaram maior porte médio, com 39 funcionários por empresa, além da maior remuneração média mensal, de 2,6 salários mínimos. Já a Construção de edifícios apresentou média de 13 pessoas ocupadas por empresa e remuneração média de 1,9 salário mínimo. Já Serviços especializados para construção registrou média de 8 funcionários por empresa e remuneração de 1,8 salário mínimo.

Da análise de custos e despesas da indústria da construção depreende-se que os gastos com pessoal representaram o maior componente das despesas do setor em 2024, correspondendo a 30,7% do total. Em seguida, o consumo intermediário, exceto material de construção e serviços contratados a terceiros, com 22,5%; consumo de materiais de construção por 22,3%; demais despesas, 14,7%; e despesas com obras e serviços contratados a terceiros corresponderam a 9,7%.

Construção de rodovias, ferrovias, obras urbanas, obras de arte especiais e obras residenciais foram os grupamentos principais da PAIC.

Na PAIC, os produtos e serviços da Indústria da Construção foram organizados em sete grupamentos: Em 2024, construção de rodovias, ferrovias, obras urbanas e obras de arte especiais representaram o principal produto da construção, com participação de 22,8% do valor total das incorporações, obras e/ou serviços. Em seguida apareceram obras residenciais, com 22,2%, e Serviços especializados para construção, com 19,2% do total do valor gerado pela indústria da construção.

“Os serviços especializados para construção são aquelas atividades auxiliares à Indústria da Construção. Então, uma empresa que vai numa incorporação e faz uma pintura, ela está ali nos serviços. Uma empresa que faz cabeamento, uma empresa que faz a parte de encanamento de uma obra. Não são empresas específicas de construção de edifícios ou de obras de infraestrutura, elas fazem essas atividades auxiliares nas grandes incorporações e nas grandes obras. Embora ocupem a terceira colocação na maioria dessas atividades que a gente está olhando, ela não está muito disparada atrás das outras duas atividades em termos de pessoal ocupado, valor de obras e salários, e sabemos que têm crescido nos últimos anos”, ressaltou Marcelo Miranda.

Já o grau de concentração de mercado, medido pelo indicador Razão de concentração de ordem 8 (R8), que calcula o percentual do valor total das incorporações, obras e/ou serviços gerados pelas oito maiores empresas do setor, alcançou 3,1%, em 2024.

Região Sudeste concentrou maior participação

Em 2024, a Região Sudeste concentrou a maior participação tanto no emprego quanto no valor gerado pela indústria da construção, respondendo por 50,0% do pessoal ocupado e 49,4% do valor total das incorporações, obras e serviços da construção.

A Região Nordeste ocupou a segunda posição no valor gerado pela construção, com participação de 17,9%, seguida pela Região Sul, com 17,0%. As Regiões Centro-Oeste e Norte responderam por 9,1% e 6,5%, respectivamente. Em relação ao pessoal ocupado, o Sudeste foi seguido pelas Regiões Nordeste, Sul, Centro-Oeste e Norte, com participações de 19,6%, 16,2%, 8,2% e 6,0%, respectivamente.

Impacto da mudança da RAIS para eSocial nas pesquisas

A mudança da RAIS para o eSocial impactou o desenho amostral das pesquisas e culminou no início de uma nova série das pesquisas estruturais econômicas, incluindo a PAIC. Isso significa que os dados coletados antes e depois dessas mudanças não são diretamente comparáveis, pois o universo de empresas e os critérios de seleção mudaram.

Nos anos recentes, as pesquisas do IBGE foram impactadas pela mudança na fonte administrativa utilizada na atualização do Cadastro Central de Empresas – Cempre, com a substituição, em 2022, da Relação Anual de Informações Sociais (RAIS) pelo Sistema de Escrituração Digital das Obrigações Fiscais, Previdenciárias e Trabalhistas (eSocial).

A transição gerou uma quebra na série em várias atividades do âmbito das pesquisas, reduzindo temporariamente o número de empresas. Em 2023, foram aplicados ajustes de calibração voltados a mitigar esses efeitos e preservar a coerência das estimativas. Em 2024, houve a quebra definitiva da série histórica das pesquisas com a introdução do novo indicador de atividades oriundo dos registros administrativos da Secretaria Especial da Receita Federal do Brasil.

 

 

Mirian Gasparin

Mirian Gasparin, natural de Curitiba, é formada em Comunicação Social com habilitação em Jornalismo pela Universidade Federal do Paraná e pós-graduada em Finanças Corporativas pela Universidade Federal do Paraná.Profissional com experiência de 50 anos na área de jornalismo, sendo 48 somente na área econômica, com trabalhos pela Rádio Cultura de Curitiba, Jornal Indústria & Comércio e Jornal Gazeta do Povo. Também foi assessora de imprensa das Secretarias de Estado da Fazenda, da Indústria, Comércio e Desenvolvimento Econômico e da Comunicação Social.Desde abril de 2006 é colunista de Negócios da Rádio BandNews Curitiba e escreveu para a revista Soluções do Sebrae/PR. Também é professora titular nos cursos de Jornalismo e Ciências Contábeis da Universidade Tuiuti do Paraná. Ministra cursos para empresários e executivos de empresas paranaenses, de São Paulo e Rio de Janeiro sobre Comunicação e Língua Portuguesa e faz palestras sobre Investimentos.Em julho de 2007 veio um novo desafio profissional, com o blog de Economia no Portal Jornale. Em abril de 2013 passou a ter um blog de Economia no portal Jornal e Notícias. E a partir de maio de 2014, quando completou 40 anos de jornalismo, lançou seu blog independente. Nestes 16 anos de blog, mais de 35 mil matérias foram postadas.Ao longo de sua carreira recebeu 20 prêmios, com destaque para o VII Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º e 3º lugar na categoria webjornalismo em 2023); Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º lugar Internet em 2017 e 2016);Prêmio Sistema Fiep de Jornalismo (1º lugar Internet – 2014 e 3º lugar Internet – 2015); Melhor Jornalista de Economia do Paraná concedido pelo Conselho Regional de Economia do Paraná (agosto de 2010); Prêmio Associação Comercial do Paraná de Jornalismo de Economia (outubro de 2010), Destaque do Jornalismo Econômico do Paraná -Shopping Novo Batel (março de 2011). Em dezembro de 2009 ganhou o prêmio Destaque em Radiodifusão nos Melhores do Ano do jornal Diário Popular. Demais prêmios: Prêmio Ceag de Jornalismo, Centro de Apoio à Pequena e Média Empresa do Paraná, atual Sebrae (1987), Prêmio Cidade de Curitiba na categoria Jornalismo Econômico da Câmara Municipal de Curitiba (1990), Prêmio Qualidade Paraná, da International, Exporters Services (1991), Prêmio Abril de Jornalismo, Editora Abril (1992), Prêmio destaque de Jornalismo Econômico, Fiat Allis (1993), Prêmio Mercosul e o Paraná, Federação das Indústrias do Estado do Paraná (1995), As mulheres pioneiras no jornalismo do Paraná, Conselho Estadual da Mulher do Paraná (1996), Mulher de Destaque, Câmara Municipal de Curitiba (1999), Reconhecimento profissional, Sindicato dos Engenheiros do Estado do Paraná (2005), Reconhecimento profissional, Rotary Club de Curitiba Gralha Azul (2005).Faz parte da publicação “Jornalistas Brasileiros – Quem é quem no Jornalismo de Economia”, livro organizado por Eduardo Ribeiro e Engel Paschoal que traz os maiores nomes do Jornalismo Econômico brasileiro.

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