Fundadores da Bematech e Cacau Show abrem palestras da Feira de Gestão

Pares de olhos atentos, vidrados mesmo. Ouvidos que não perdem nenhuma palavra. Boca fechada, mas aflita para fazer perguntas. E mãos prontas para aplaudir. Esta é a descrição da plateia de mais de 600 pessoas, na maioria estudantes, que acompanhou as palestras de dois mestres do empreendedorismo brasileiro. O primeiro dia da 11ª Feira de Gestão da FAE mostrou como dois jovens empreendedores montaram negócios de sucesso antes mesmo de deixar as salas de aula. A palestra magna de abertura do evento trouxe os empresários Alexandre Tadeu Costa (foto), da Cacau Show, e Marcel Malczewski, da Bematech, para falar sobre o tema “Jovens Empreendedores de Sucesso”.

Aos 17 anos de idade, Costa fundou a Cacau Show – fábrica de chocolates que hoje possui mais de mil lojas em todo o Brasil, mais de 5 mil colaboradores e um faturamento anual de R$ 1 bilhão. O atual vencedor da categoria Master do Prêmio Ernst & Young Empreendedor do Ano 2011 – reconhecimento pelas ideias inovadoras e pelo desenvolvimento de um negócio bem-sucedido e sustentável – contou na palestra como conseguiu criar uma empresa reconhecida nacionalmente a partir de um ovo de Páscoa, em 1988.

“Nessa época eu revendia chocolates de uma indústria e realizei a venda de 2.000 ovos de 50g para uma escolinha de crianças. Como não sabia que este tamanho estava fora de linha e, dessa forma, não poderia atender os meus clientes, resolvi inovar. Com dinheiro emprestado de um tio, comprei a matéria-prima e, com a ajuda de um profissional, produzi o produto”, relembrou Costa. A iniciativa deu tão certo que o empresário não apenas atendeu os clientes, mas ainda gerou lucro com a produção própria dos doces (U$ 500 em 14 dias) e, consequentemente, deu o primeiro passo no ramo de chocolates artesanais.

Para ele, a Cacau Show foi um acidente. “Eu nem sabia o que era um business plan. A primeira responsabilidade que assumi foi o compromisso com o cliente, que mantenho até hoje”, lembrou. Ele contou que, na época, o chocolate artesanal era muito caro e a Cacau Show surgiu com a proposta de oferecer produto de qualidade a um preço acessível.

Começar aos 17 anos foi importante, relembrou Costa: “hoje eu não tenho mais a mesma energia”, contou. Para ele, o líder deve estar preparado para a mudança de papéis dentro da organização, com o passar do tempo. “O empreendedor não pode ser o gargalo de crescimento da empresa. Ele tem que ter disposição para mudar de papel, com o desenvolvimento do negócio”, afirmou.

A caminhada do empresário nesses 23 anos tem sido doce, é claro, mas árdua. Ele assegurou que, para ter sucesso no negócio, é preciso muito mais que uma ideia na cabeça: “empreender é, sobretudo, uma questão de atitude – muito trabalho, determinação, paixão e capacitação técnica são fundamentais”, revelou. “Na vida, podemos ter dois papéis: vítima ou protagonista. Empreender significa assumir o papel de protagonista perante a vida”, finalizou.

Ao contrário de Alexandre, que começou o empreendimento dentro de casa e tendo como exemplo a atividade da máe – venda de porta em porta, Marcel Malczewski (foto) partiu de duas dissertações de mestrado para iniciar o negócio. “Foram as dissertações brasileiras mais bem-sucedidas em termos comerciais”, comemorou.  Aos 24 anos, no final da década de 80, formado em Engenharia Eletrônica, ele e o sócio Wolney Betiol, criaram a Bematech. “O início foi dentro da escola. Dois engenheiros recém-formados que trouxeram um projeto novo, uma nova tecnologia que dava todos os sinais de que ia dar certo e alavancar os negócios”, explicou. Segundo ele, na época, a tecnologia era muito precária, “mas muito divertida”, lembrou. “Iniciamos na época do Plano Collor, com uma inflação de 70% ao mês. As instituições de fomento não estavam emprestando dinheiro para novos projetos”, contou. Com esse panorama, o investimento de oito empresários paranaenses, na quantia de U$ 150 mil por 50% de participação na empresa foi fundamental para o início do negócio. “Na época, não se falava em angel investors no Brasil”, garantiu Malcewiski.

A empresa de tecnologia nasceu em 1990 com o objetivo de oferecer soluções de automação bancária. Com o sucesso nos negócios, alguns anos depois a Bematech passou a atuar também na automação comercial. Em 2000, essa direção foi consolidada e impulsionada pela explosão nas vendas de impressoras fiscais no Brasil. Após a abertura de capital na Bovespa em 2007, a Bematech entrou para o seleto grupo de empresas de tecnologia, cujos papéis chegaram a se valorizaram mais de 100% nos últimos doze meses. Em três anos (2007-2009), a empresa realizou oito aquisições. Atualmente, a Bematech possui uma unidade (matriz), localizada em Curitiba, 11 filiais no Brasil e cinco subsidiárias internacionais (EUA, China, Argentina e Taiwan). Hoje, a companhia possui mais de 5 mil investidores e o executivo, que deixou a presidência da Bematech para atuar no Conselho de Administração, divide suas atenções entre os investidores, o negócio, a família e o lazer.

Para os universitários presentes no evento, Malcewiski deixou um recado: o ambiente acadêmico é o mais propício para o desenvolvimento de um  negócio. “Deve-se aproveitar o tempo e a liberdade que se tem enquanto está na faculdade para planejar o resto da vida, pois quando sair da faculdade, não terá tanto tempo para planejar, pensar, criar”, finalizou.

A 11ª Feira de Gestão acontece até 22 de setembro, da FAE Centro, em Curitiba (PR). O evento traz modelos inovadores e soluções de gestão para as áreas de saúde, habitação, mobilidade, inclusão e energia – alguns dos Desafios do Milênio propostos pela Organização das Nações Unidas (ONU). Além de três palestras magnas e cinco painéis temáticos, a Feira de Gestão apresenta os melhores trabalhos acadêmicos dentro dos cinco Desafios do Milênio propostos.

Soma

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