Medo do tarifaço leva ouro à maior cotação em duas semanas

Medo do tarifaço leva ouro à maior cotação em duas semanas

Dólar mais fraco favorece o metal, enquanto petróleo e juros seguem como fatores de pressão sobre a cotação

O ouro foi cotado a US$ 4.119,00 por onça-troy, voltando a avançar nesta quarta-feira (22), enquanto no mercado internacional chegou a superar US$ 4.140, maior nível em duas  semanas.

Para o especialista da Corretora Ourominas, Mauriciano Cavalcante, a alta não está ligada a um único fator. O dólar perdeu força, tornando o ouro mais barato para compradores que operam em outras moedas, enquanto investidores voltaram a montar posições após a cotação ter encontrado sustentação próxima dos US$ 4 mil nos últimos pregões. “Essa combinação de câmbio mais favorável e compras após a correção recente explica parte importante da recuperação observada hoje”, disse o especialista.

Ao mesmo tempo, o avanço encontra um limite no mercado de juros. O petróleo subiu mais de 3% e voltou a operar próximo das máximas de 6 semanas diante das dificuldades no transporte de petróleo pelo Oriente Médio. Energia mais cara aumenta o risco de pressão sobre a inflação americana e reduz o espaço para uma política monetária mais branda. Atualmente, o mercado atribui cerca de 70% de probabilidade a uma alta dos juros dos Estados Unidos em setembro.

Aumento dos juros

Cavalcante explica que quanto maior essa expectativa em relação a alta dos juros, maior tende a ser o rendimento oferecido pelos títulos americanos e, consequentemente, maior o custo de oportunidade de manter ouro, que não oferece remuneração periódica. Outro fator que passa a entrar nessa conta é o tarifaço de 25% dos Estados Unidos sobre produtos brasileiros, que entrou em vigor nesta quarta-feira. Isoladamente, a medida não deve determinar a direção internacional do ouro, mas uma ampliação das disputas tarifárias pode alterar expectativas de inflação, câmbio e crescimento.

“Tarifas mais altas encarecem produtos importados e podem aumentar a pressão sobre preços, dificultando uma redução dos juros americanos. Ao mesmo tempo, uma eventual escalada comercial ou reação brasileira tende a aumentar a volatilidade cambial. Para o investidor brasileiro, uma desvalorização do real também pode elevar o preço do ouro em moeda local, mesmo que a cotação internacional apresente menor variação.Por isso, a continuidade do movimento dependerá de uma combinação entre dólar, petróleo, juros e política comercial”, afirma o especialista da Ourominas.

Na sua avaliação, caso a moeda americana continue perdendo força e as expectativas de juros parem de subir, o ouro pode encontrar espaço para sustentar níveis acima dos US$ 4.100. Por outro lado, petróleo mais caro ou tarifas que aumentem a pressão inflacionária podem manter os juros elevados e limitar esse avanço. “O efeito do tarifaço sobre o metal tende a ganhar relevância principalmente se houver uma escalada das medidas comerciais, porque isso adicionaria pressão sobre inflação e câmbio justamente em um momento em que o mercado já tenta definir a trajetória dos juros americanos”, concluiCavalcante.

Crédito da foto: Magnific

Mirian Gasparin

Mirian Gasparin, natural de Curitiba, é formada em Comunicação Social com habilitação em Jornalismo pela Universidade Federal do Paraná e pós-graduada em Finanças Corporativas pela Universidade Federal do Paraná.Profissional com experiência de 50 anos na área de jornalismo, sendo 48 somente na área econômica, com trabalhos pela Rádio Cultura de Curitiba, Jornal Indústria & Comércio e Jornal Gazeta do Povo. Também foi assessora de imprensa das Secretarias de Estado da Fazenda, da Indústria, Comércio e Desenvolvimento Econômico e da Comunicação Social.Desde abril de 2006 é colunista de Negócios da Rádio BandNews Curitiba e escreveu para a revista Soluções do Sebrae/PR. Também é professora titular nos cursos de Jornalismo e Ciências Contábeis da Universidade Tuiuti do Paraná. Ministra cursos para empresários e executivos de empresas paranaenses, de São Paulo e Rio de Janeiro sobre Comunicação e Língua Portuguesa e faz palestras sobre Investimentos.Em julho de 2007 veio um novo desafio profissional, com o blog de Economia no Portal Jornale. Em abril de 2013 passou a ter um blog de Economia no portal Jornal e Notícias. E a partir de maio de 2014, quando completou 40 anos de jornalismo, lançou seu blog independente. Nestes 16 anos de blog, mais de 35 mil matérias foram postadas.Ao longo de sua carreira recebeu 20 prêmios, com destaque para o VII Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º e 3º lugar na categoria webjornalismo em 2023); Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º lugar Internet em 2017 e 2016);Prêmio Sistema Fiep de Jornalismo (1º lugar Internet – 2014 e 3º lugar Internet – 2015); Melhor Jornalista de Economia do Paraná concedido pelo Conselho Regional de Economia do Paraná (agosto de 2010); Prêmio Associação Comercial do Paraná de Jornalismo de Economia (outubro de 2010), Destaque do Jornalismo Econômico do Paraná -Shopping Novo Batel (março de 2011). Em dezembro de 2009 ganhou o prêmio Destaque em Radiodifusão nos Melhores do Ano do jornal Diário Popular. Demais prêmios: Prêmio Ceag de Jornalismo, Centro de Apoio à Pequena e Média Empresa do Paraná, atual Sebrae (1987), Prêmio Cidade de Curitiba na categoria Jornalismo Econômico da Câmara Municipal de Curitiba (1990), Prêmio Qualidade Paraná, da International, Exporters Services (1991), Prêmio Abril de Jornalismo, Editora Abril (1992), Prêmio destaque de Jornalismo Econômico, Fiat Allis (1993), Prêmio Mercosul e o Paraná, Federação das Indústrias do Estado do Paraná (1995), As mulheres pioneiras no jornalismo do Paraná, Conselho Estadual da Mulher do Paraná (1996), Mulher de Destaque, Câmara Municipal de Curitiba (1999), Reconhecimento profissional, Sindicato dos Engenheiros do Estado do Paraná (2005), Reconhecimento profissional, Rotary Club de Curitiba Gralha Azul (2005).Faz parte da publicação “Jornalistas Brasileiros – Quem é quem no Jornalismo de Economia”, livro organizado por Eduardo Ribeiro e Engel Paschoal que traz os maiores nomes do Jornalismo Econômico brasileiro.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *