IA avança nas empresas, mas governança ainda não acompanha ritmo de adoção

IA avança nas empresas, mas governança ainda não acompanha ritmo de adoção

Pesquisa da Gartner mostra que 93% dos líderes de auditoria já utilizam IA, mas apenas 38% têm uma estratégia definida para a tecnologia

A adoção de Inteligência Artificial já faz parte da rotina de grande parte das equipes de auditoria, mas o avanço do uso da tecnologia ainda não é acompanhado pela mesma evolução em estratégia. É o que mostra uma nova pesquisa da Gartner, segundo a qual 93% dos líderes de auditoria relatam algum nível de uso de IA, enquanto apenas 38% afirmam contar com uma estratégia definida para a tecnologia. O levantamento ouviu 743 profissionais de auditoria em 2026.

O cenário revela um movimento que começa a se repetir em diferentes áreas das organizações: a IA chega primeiro às atividades do dia a dia, enquanto políticas, responsabilidades, avaliação de riscos e mecanismos de controle precisam correr para acompanhar a velocidade de adoção.

Na auditoria, por exemplo, o uso da tecnologia ainda está concentrado principalmente em tarefas pontuais. Segundo a Gartner, 60% dos entrevistados utilizam IA para elaborar questões, classificações ou relatórios de auditoria, 41% para revisar documentos e 35% para preparar comunicações com stakeholders. Já aplicações mais estruturais aparecem em menor escala: 35% utilizam IA em avaliação de riscos e planejamento de auditoria, 26% em gestão do conhecimento e apenas 12% em revisões de garantia da qualidade.

Para a Vultus, empresa brasileira de cibersegurança, o dado reforça uma questão que vai além da escolha das ferramentas: as organizações precisam ter visibilidade sobre como a IA está sendo utilizada e estabelecer critérios para controlar os riscos associados a esses usos.

“O ponto não é simplesmente decidir se a empresa pode ou não utilizar Inteligência Artificial. A tecnologia já está presente nas organizações e tende a se espalhar por diferentes áreas e processos. O desafio passa a ser entender onde ela está sendo utilizada, quais dados estão envolvidos, quais decisões ou ações dependem desses sistemas e quem é responsável por acompanhar esses riscos”, afirma Marcus Marques, diretor de Consultoria Estratégia da Vultus.

A preocupação ganha outra dimensão conforme a IA deixa de ser utilizada apenas como ferramenta de produtividade e passa a assumir funções mais autônomas. Sistemas capazes de acessar bases de dados, consultar aplicações, utilizar APIs e executar determinadas ações ampliam os potenciais ganhos para as empresas, mas também aumentam a necessidade de definir limites de acesso, mecanismos de supervisão, registros das atividades e formas de contenção.

Nesse contexto, uma política de uso de IA, isoladamente, pode não ser suficiente. Para acompanhar a evolução da tecnologia, a governança precisa considerar também aspectos como identificação dos casos de uso, classificação de riscos, definição de responsabilidades, avaliação dos controles e acompanhamento contínuo.

“A governança precisa acompanhar o ciclo de vida do uso da IA. Não basta estabelecer uma política e considerá-la concluída. Conforme surgem novos modelos, aplicações e agentes, os riscos mudam e os controles precisam ser reavaliados. É uma capacidade que precisa evoluir junto com a própria adoção da tecnologia”, acrescenta Marcus.

A própria Gartner alerta que medir o sucesso da IA apenas pela quantidade de usuários ou pelos ganhos de produtividade pode deixar de fora impactos mais amplos sobre os resultados e a tomada de decisão. Para os analistas, as iniciativas precisam estar relacionadas à qualidade, à consistência e à geração de insights de risco.

É nesse cenário que a discussão sobre Governança de IA ganha espaço entre áreas como Segurança da Informação, Tecnologia, Auditoria, Riscos, Jurídico, Compliance, Dados e Negócios. Mais do que restringir o uso da tecnologia, a governança busca criar mecanismos para que a organização tenha clareza sobre seus usos e consiga tomar decisões proporcionais aos riscos envolvidos.

A Vultus passou a atuar também nessa frente, apoiando organizações na estruturação da Governança de IA a partir da avaliação de maturidade, identificação e priorização de riscos, definição de políticas e responsabilidades, validação de controles e construção de planos de evolução. A abordagem utiliza referências como ISO/IEC 42001, NIST AI RMF e Google SAIF, adaptadas ao contexto e ao nível de maturidade de cada organização.

A tendência, portanto, não é que as empresas precisem escolher entre adotar IA ou controlá-la. À medida que a tecnologia se torna parte dos processos corporativos, a capacidade de entender seus usos, estabelecer limites e acompanhar seus riscos passa a ser uma condição para ampliar a adoção de forma sustentável.

Crédito da foto: Freepik

Mirian Gasparin

Mirian Gasparin, natural de Curitiba, é formada em Comunicação Social com habilitação em Jornalismo pela Universidade Federal do Paraná e pós-graduada em Finanças Corporativas pela Universidade Federal do Paraná.Profissional com experiência de 50 anos na área de jornalismo, sendo 48 somente na área econômica, com trabalhos pela Rádio Cultura de Curitiba, Jornal Indústria & Comércio e Jornal Gazeta do Povo. Também foi assessora de imprensa das Secretarias de Estado da Fazenda, da Indústria, Comércio e Desenvolvimento Econômico e da Comunicação Social.Desde abril de 2006 é colunista de Negócios da Rádio BandNews Curitiba e escreveu para a revista Soluções do Sebrae/PR. Também é professora titular nos cursos de Jornalismo e Ciências Contábeis da Universidade Tuiuti do Paraná. Ministra cursos para empresários e executivos de empresas paranaenses, de São Paulo e Rio de Janeiro sobre Comunicação e Língua Portuguesa e faz palestras sobre Investimentos.Em julho de 2007 veio um novo desafio profissional, com o blog de Economia no Portal Jornale. Em abril de 2013 passou a ter um blog de Economia no portal Jornal e Notícias. E a partir de maio de 2014, quando completou 40 anos de jornalismo, lançou seu blog independente. Nestes 16 anos de blog, mais de 35 mil matérias foram postadas.Ao longo de sua carreira recebeu 20 prêmios, com destaque para o VII Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º e 3º lugar na categoria webjornalismo em 2023); Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º lugar Internet em 2017 e 2016);Prêmio Sistema Fiep de Jornalismo (1º lugar Internet – 2014 e 3º lugar Internet – 2015); Melhor Jornalista de Economia do Paraná concedido pelo Conselho Regional de Economia do Paraná (agosto de 2010); Prêmio Associação Comercial do Paraná de Jornalismo de Economia (outubro de 2010), Destaque do Jornalismo Econômico do Paraná -Shopping Novo Batel (março de 2011). Em dezembro de 2009 ganhou o prêmio Destaque em Radiodifusão nos Melhores do Ano do jornal Diário Popular. Demais prêmios: Prêmio Ceag de Jornalismo, Centro de Apoio à Pequena e Média Empresa do Paraná, atual Sebrae (1987), Prêmio Cidade de Curitiba na categoria Jornalismo Econômico da Câmara Municipal de Curitiba (1990), Prêmio Qualidade Paraná, da International, Exporters Services (1991), Prêmio Abril de Jornalismo, Editora Abril (1992), Prêmio destaque de Jornalismo Econômico, Fiat Allis (1993), Prêmio Mercosul e o Paraná, Federação das Indústrias do Estado do Paraná (1995), As mulheres pioneiras no jornalismo do Paraná, Conselho Estadual da Mulher do Paraná (1996), Mulher de Destaque, Câmara Municipal de Curitiba (1999), Reconhecimento profissional, Sindicato dos Engenheiros do Estado do Paraná (2005), Reconhecimento profissional, Rotary Club de Curitiba Gralha Azul (2005).Faz parte da publicação “Jornalistas Brasileiros – Quem é quem no Jornalismo de Economia”, livro organizado por Eduardo Ribeiro e Engel Paschoal que traz os maiores nomes do Jornalismo Econômico brasileiro.

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