Em meio a recorde de inadimplência, brasileiros buscam alternativas após negativa de crédito dos bancos

Em meio a recorde de inadimplência, brasileiros buscam alternativas após negativa de crédito dos bancos

Especialista explica caminhos legais e práticos para as mais de 30% de famílias inadimplentes no país

O Brasil atravessa um momento crítico para quem depende de crédito. O país voltou a bater recorde de inadimplência, ultrapassando a marca de 80 milhões de consumidores negativados, segundo dados da Serasa Experian, o maior número da série histórica. O cenário tem impacto direto na concessão de empréstimos, tornando as análises mais rígidas e podendo aumentar as negativas por parte das instituições financeiras.

Diante desse contexto, muitos consumidores acreditam que ter um empréstimo recusado significa ficar sem alternativas. Marco Afonso, executivo de negócios da Simplic, plataforma de empréstimos 100% online, destaca que a recusa de crédito não é um ponto final. Como cada instituição financeira possui suas próprias políticas de análise, as condições variam de uma instituição para outra e podem ser revistas ao longo do tempo.

“É natural que, em meio aos recordes de inadimplência, algumas instituições fiquem mais conservadoras devido ao risco do crédito. Mas isso não significa que o consumidor ficou sem saída. Existem mecanismos regulatórios, novas instituições financeiras e possibilidades de renegociação que podem ajudar a destravar o acesso ao crédito”, afirma.

1. Solicitar revisão formal

Uma das alternativas pouco conhecida pelos consumidores é a possibilidade de solicitar uma revisão formal da análise de crédito junto ao banco. Embora as instituições financeiras não sejam obrigadas a aprovar empréstimos, elas precisam seguir regras de transparência previstas pelo Conselho Monetário Nacional (CMN) e pelo próprio Banco Central, especialmente em relação à análise cadastral e ao tratamento do cliente.

Em alguns casos, podem existir inconsistências cadastrais, scores desatualizados ou informações incompletas que impactam a análise. Assim, o consumidor pode pedir esclarecimentos e até atualizar dados para uma nova avaliação.

2. Buscar fintechs e cooperativas de crédito

Outra alternativa que ganha força em 2026 é recorrer a fintechs e cooperativas de crédito, que costumam utilizar modelos de análise mais flexíveis e personalizados do que os grandes bancos.

Com o avanço do Open Finance no Brasil, muitas instituições passaram a considerar histórico de movimentação financeira, comportamento de consumo e capacidade de pagamento em tempo real e não apenas restrições no CPF.

Além disso, cooperativas de crédito frequentemente oferecem maior abertura para negociação, principalmente para pequenos empreendedores, autônomos e trabalhadores informais.

“Hoje existem plataformas que avaliam muito mais do que apenas o score. Algumas fintechs analisam fluxo financeiro, recorrência de renda e histórico de pagamentos digitais, ampliando as chances de aprovação”, destaca o especialista da Simplic.

3. Renegociar dívidas antes de tentar novo crédito

O especialista também aconselha que, em determinados casos, a melhor estratégia é renegociar dívidas existentes antes de buscar uma nova solicitação de empréstimo.

Isso porque o alto comprometimento da renda é um dos principais fatores observados pelos bancos atualmente. Segundo a Serasa Experian, o brasileiro inadimplente já compromete, em média, mais de 70% da renda com dívidas.

Nesse cenário, programas de renegociação como os feirões promovidos pela própria Serasa e iniciativas do governo federal, como o Desenrola Brasil, podem ajudar consumidores a limpar o nome, reorganizar as finanças e melhorar o perfil de crédito para futuras aprovações.

Mirian Gasparin

Mirian Gasparin, natural de Curitiba, é formada em Comunicação Social com habilitação em Jornalismo pela Universidade Federal do Paraná e pós-graduada em Finanças Corporativas pela Universidade Federal do Paraná.Profissional com experiência de 50 anos na área de jornalismo, sendo 48 somente na área econômica, com trabalhos pela Rádio Cultura de Curitiba, Jornal Indústria & Comércio e Jornal Gazeta do Povo. Também foi assessora de imprensa das Secretarias de Estado da Fazenda, da Indústria, Comércio e Desenvolvimento Econômico e da Comunicação Social.Desde abril de 2006 é colunista de Negócios da Rádio BandNews Curitiba e escreveu para a revista Soluções do Sebrae/PR. Também é professora titular nos cursos de Jornalismo e Ciências Contábeis da Universidade Tuiuti do Paraná. Ministra cursos para empresários e executivos de empresas paranaenses, de São Paulo e Rio de Janeiro sobre Comunicação e Língua Portuguesa e faz palestras sobre Investimentos.Em julho de 2007 veio um novo desafio profissional, com o blog de Economia no Portal Jornale. Em abril de 2013 passou a ter um blog de Economia no portal Jornal e Notícias. E a partir de maio de 2014, quando completou 40 anos de jornalismo, lançou seu blog independente. Nestes 16 anos de blog, mais de 35 mil matérias foram postadas.Ao longo de sua carreira recebeu 20 prêmios, com destaque para o VII Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º e 3º lugar na categoria webjornalismo em 2023); Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º lugar Internet em 2017 e 2016);Prêmio Sistema Fiep de Jornalismo (1º lugar Internet – 2014 e 3º lugar Internet – 2015); Melhor Jornalista de Economia do Paraná concedido pelo Conselho Regional de Economia do Paraná (agosto de 2010); Prêmio Associação Comercial do Paraná de Jornalismo de Economia (outubro de 2010), Destaque do Jornalismo Econômico do Paraná -Shopping Novo Batel (março de 2011). Em dezembro de 2009 ganhou o prêmio Destaque em Radiodifusão nos Melhores do Ano do jornal Diário Popular. Demais prêmios: Prêmio Ceag de Jornalismo, Centro de Apoio à Pequena e Média Empresa do Paraná, atual Sebrae (1987), Prêmio Cidade de Curitiba na categoria Jornalismo Econômico da Câmara Municipal de Curitiba (1990), Prêmio Qualidade Paraná, da International, Exporters Services (1991), Prêmio Abril de Jornalismo, Editora Abril (1992), Prêmio destaque de Jornalismo Econômico, Fiat Allis (1993), Prêmio Mercosul e o Paraná, Federação das Indústrias do Estado do Paraná (1995), As mulheres pioneiras no jornalismo do Paraná, Conselho Estadual da Mulher do Paraná (1996), Mulher de Destaque, Câmara Municipal de Curitiba (1999), Reconhecimento profissional, Sindicato dos Engenheiros do Estado do Paraná (2005), Reconhecimento profissional, Rotary Club de Curitiba Gralha Azul (2005).Faz parte da publicação “Jornalistas Brasileiros – Quem é quem no Jornalismo de Economia”, livro organizado por Eduardo Ribeiro e Engel Paschoal que traz os maiores nomes do Jornalismo Econômico brasileiro.

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