Atividade das pequenas e médias empresas cresce 0,4% em julho

Comércio e Infraestrutura sustentam o índice, compensando os recuos registrados na Indústria e em Serviços
O Índice Omie de Desempenho Econômico das PMEs (IODE-PMEs) aponta que a movimentação financeira média real das pequenas e médias empresas brasileiras registrou leve alta de 0,4% em julho, na comparação com o mesmo mês do ano anterior. O índice se manteve no campo positivo, principalmente, graças ao desempenho do Comércio, que atuou como um importante contrapeso diante do recuo da atividade na Indústria e em Serviços — setores que, ao longo deste ano, têm sido os principais responsáveis pelo avanço do indicador.
O IODE-PMEs funciona como um termômetro da atividade econômica das empresas com faturamento anual de até R$50 milhões, acompanhando cerca de 756 atividades econômicas distribuídas entre os setores de Comércio, Indústria, Infraestrutura e Serviços.
O cenário macroeconômico revelou nuances desafiadoras para o consumo. O Índice de Confiança do Consumidor (ICC) recuou em julho pelo terceiro mês seguido, sinalizando maior cautela por parte das famílias, ao passo que o rendimento real do trabalho – importante termômetro medido pelo IBGE – registrou novo recuo no trimestre encerrado em junho. Em contrapartida, a dinâmica de preços trouxe alívio: o IPCA subiu apenas 0,07% em julho, puxado principalmente pela deflação no segmento de alimentos e bebidas. Com isso, a inflação acumulada em 12 meses desacelerou de 4,64% em junho para 4,44%, voltando a operar abaixo do teto da meta perseguida pelo Banco Central.
Essa moderação da inflação nos últimos meses, somada à desaceleração observada na atividade econômica, deu contorno a mais um corte de 0,25 ponto percentual na taxa básica de juros durante a reunião de agosto, levando a Selic a 14% ao ano. O mercado financeiro ainda enxerga espaço para mais um recuo e, segundo as projeções do boletim Focus do BC, as estimativas apontam para uma taxa de 13,75% ao fim do ano.
Comércio foi o alicerce de julho
No detalhamento setorial, o Comércio despontou como o grande alicerce do mês para a sustentação do mercado de PMEs, registrando um expressivo avanço de 6,5% na comparação anual. O crescimento foi observado de forma robusta nas duas frentes de negócios, com o Atacado avançando 5,5% e o Varejo apresentando alta de 3,9%. Entre os nichos que mais impulsionaram o segmento varejista, os destaques ficaram por conta do ‘Varejo de artigos de joalheria’, ‘Varejo de produtos farmacêuticos’ e ‘Varejo de material elétrico’.
O setor de Infraestrutura também foi determinante para manter o índice geral positivo, anotando um avanço de 3,2% no período. O resultado favorável do setor foi diretamente impactado pela recuperação do segmento de ‘Serviços especializados para construção’, importante pilar de pequenas e médias empresas no setor.
Por outro lado, as PMEs da Indústria registraram um recuo de 2,1% ante julho do ano passado. O desempenho negativo mensal foi puxado majoritariamente pelas indústrias extrativas. Na Indústria de Transformação o cenário foi mais equilibrado: 12 dos 23 segmentos acompanhados se mantiveram no campo positivo, com destaque para a ‘Preparação de couros’, a ‘Fabricação de produtos de borracha’ e a ‘Fabricação de produtos químicos’. Vale ressaltar que, apesar do recuo pontual, o acumulado do ano do setor industrial permanece no campo positivo (+3,1% YTD).
O setor de Serviços acompanhou o movimento de retração, registrando uma queda de 3,6% na comparação anual. Dentro deste ambiente mais restrito, alguns segmentos operaram na contramão e mostraram resiliência, liderados por ‘Serviços para edifícios e atividades paisagísticas’, ‘Transporte terrestre’ e ‘Alojamento’.
Em suma, as PMEs seguem avançando, mas em um ambiente que impõe limites claros ao crescimento. A melhora da inflação e a flexibilização moderada da Selic trazem algum alívio às empresas, mas ainda não são suficientes para compensar a perda persistente de confiança dos consumidores e a dificuldade de avanço da renda disponível, que mantêm a demanda sob pressão. O resultado é uma economia que continua crescendo, porém em ritmo modesto e com pouco espaço para uma aceleração mais consistente diante das incertezas e dos freios ao consumo. O desafio das PMEs, neste momento, portanto, não é apenas crescer, mas sustentar esse crescimento em uma economia marcada por demanda contida e elevada incerteza.








