45% dos auditores apontam cenário macroeconômico entre os principais riscos à continuidade dos negócios

45% dos auditores apontam cenário macroeconômico entre os principais riscos à continuidade dos negócios

O relatório Risk in Focus 2026/2027 mostra avanço das incertezas geopolíticas e macroeconômicas na América Latina

As incertezas geopolíticas e macroeconômicas ganharam espaço entre os principais riscos capazes de afetar as operações e a continuidade dos negócios na América Latina, segundo o Risk in Focus 2026/2027, recém-lançado pelo The Institute of Internal Auditors (The IIA). O relatório mostra que 45% dos líderes de auditoria interna da região apontam o tema entre os cinco principais riscos enfrentados por suas organizações, representando um avanço de oito pontos percentuais em relação ao levantamento anterior. O índice também supera a média global, de 38%.

O estudo mapeia ameaças capazes de afetar operações, resultados, segurança, governança e continuidade dos negócios, abrangendo desde condições macroeconômicas e mudanças regulatórias até ataques cibernéticos, adoção de inteligência artificial, fraudes e questões financeiras. Na América Latina, a pesquisa reuniu 863 profissionais de auditoria interna de 18 países e territórios, além de mesas-redondas e entrevistas com lideranças da área.

A maior percepção de risco geopolítico e macroeconômico reflete um ambiente no qual fatores externos têm repercussões cada vez mais diretas sobre as empresas. O relatório destaca impactos potenciais sobre finanças e liquidez, câmbio, regulação, operações e cadeias de suprimentos, exigindo das organizações capacidade de antecipação e resposta a cenários que podem mudar rapidamente.

“Questões macroeconômicas ou geopolíticas podem parecer distantes da rotina operacional, mas seus efeitos chegam rapidamente às empresas, seja por meio do custo e da disponibilidade de crédito, da liquidez, do câmbio, de mudanças regulatórias ou da cadeia de fornecedores. Para a auditoria interna, o desafio é compreender como esses movimentos se traduzem em riscos concretos para cada negócio e avaliar se a organização está preparada para responder a diferentes cenários”, afirma Paulo Gomes, diretor-geral do IIA Brasil.

Finanças e liquidez ganham atenção

Embora finanças e liquidez sejam apontadas entre os cinco maiores riscos para os negócios por 32% dos respondentes latino-americanos, o tema aparece entre as principais prioridades de trabalho das auditorias internas para 51% dos profissionais. Com isso, ocupa a quarta posição entre as áreas que mais recebem tempo e esforço da auditoria na região.

O dado evidencia como a auditoria interna direciona recursos não apenas aos riscos mais citados, mas também às áreas pelas quais choques externos podem chegar às organizações. No caso das incertezas geopolíticas e macroeconômicas, por exemplo, o próprio estudo mostra uma diferença importante: enquanto 45% consideram o tema um dos principais riscos, apenas 16% o colocam diretamente entre as maiores prioridades de auditoria.

Isso não significa, segundo o relatório, que esses riscos estejam fora do radar. Seus efeitos podem ser avaliados indiretamente em trabalhos relacionados a finanças e liquidez, mudanças regulatórias, governança, cadeia de suprimentos e resiliência dos negócios.

“A função da auditoria interna não é prever qual será o próximo choque econômico, mas avaliar se a organização possui governança, controles e planos de resposta adequados para lidar com seus impactos. Em um ambiente de maior volatilidade, planejamento de cenários, atualização das matrizes de risco e planos de contingência tornam-se instrumentos ainda mais relevantes para apoiar a tomada de decisão”, acrescenta Gomes.

IA registra maior avanço entre os riscos

O cenário econômico divide espaço com uma transformação acelerada do mapa de riscos corporativos. A cibersegurança permanece na primeira posição na América Latina, apontada por 76% dos respondentes entre os cinco principais riscos de suas organizações.

A principal mudança, entretanto, está na disrupção digital, incluindo inteligência artificial, que registrou avanço de 17 pontos percentuais em apenas um ano, alcançou 54% e passou a ocupar a segunda posição entre os maiores riscos da região. A rápida adoção de ferramentas de IA pelas empresas e também por agentes de ameaças digitais amplia desafios relacionados à segurança, proteção de dados, governança e implementação de novas tecnologias. O relatório destaca ainda dificuldades específicas da América Latina, como limitações de infraestrutura digital e disponibilidade de profissionais especializados em cibersegurança.

Também nesse tema existe diferença entre a dimensão do risco percebido e a atenção dedicada pelas auditorias. Enquanto 54% dos profissionais colocam disrupção digital e IA entre os cinco principais riscos, 29% indicam o tema entre as cinco maiores prioridades de auditoria. Apesar da diferença, o percentual destinado à área avançou dez pontos em relação ao levantamento anterior.

“A velocidade da transformação tecnológica cria um desafio adicional porque as estruturas de governança e controle precisam evoluir no mesmo ritmo da adoção das ferramentas. A inteligência artificial amplia oportunidades, mas também exige critérios claros para seleção, implementação, uso de dados e avaliação dos riscos associados à tecnologia”, afirma Gomes.

Cyber, regulação e fraude completam cenário

Além das incertezas geopolíticas e macroeconômicas, da cibersegurança e da transformação digital, as mudanças regulatórias aparecem entre os principais riscos para 49% dos respondentes, ocupando a terceira posição no ranking latino-americano. Capital humano completa o grupo dos cinco maiores riscos, com 40%.

A fraude também apresenta uma característica relevante na comparação internacional. A percepção desse risco na América Latina está nove pontos percentuais acima da média global. Quando considerada a atuação das áreas de auditoria interna, o tema ganha ainda mais peso: é a terceira maior prioridade na região, apontada por 51% dos profissionais.

As cinco maiores prioridades das áreas de auditoria interna latino-americanas são atualmente cibersegurança (69%), mudanças regulatórias (53%), fraude (51%), finanças e liquidez (51%) e governança e reporte corporativo (48%).

Para o IIA Brasil, os resultados mostram um ambiente no qual riscos tecnológicos, econômicos, regulatórios e financeiros estão cada vez mais interligados. Nesse contexto, a auditoria interna amplia seu papel no apoio à governança e à avaliação da capacidade das organizações de antecipar cenários, identificar vulnerabilidades e responder a eventos que possam comprometer seus objetivos.

Crédito da imagem: Freepik

 

 

Mirian Gasparin

Mirian Gasparin, natural de Curitiba, é formada em Comunicação Social com habilitação em Jornalismo pela Universidade Federal do Paraná e pós-graduada em Finanças Corporativas pela Universidade Federal do Paraná.Profissional com experiência de 50 anos na área de jornalismo, sendo 48 somente na área econômica, com trabalhos pela Rádio Cultura de Curitiba, Jornal Indústria & Comércio e Jornal Gazeta do Povo. Também foi assessora de imprensa das Secretarias de Estado da Fazenda, da Indústria, Comércio e Desenvolvimento Econômico e da Comunicação Social.Desde abril de 2006 é colunista de Negócios da Rádio BandNews Curitiba e escreveu para a revista Soluções do Sebrae/PR. Também é professora titular nos cursos de Jornalismo e Ciências Contábeis da Universidade Tuiuti do Paraná. Ministra cursos para empresários e executivos de empresas paranaenses, de São Paulo e Rio de Janeiro sobre Comunicação e Língua Portuguesa e faz palestras sobre Investimentos.Em julho de 2007 veio um novo desafio profissional, com o blog de Economia no Portal Jornale. Em abril de 2013 passou a ter um blog de Economia no portal Jornal e Notícias. E a partir de maio de 2014, quando completou 40 anos de jornalismo, lançou seu blog independente. Nestes 16 anos de blog, mais de 35 mil matérias foram postadas.Ao longo de sua carreira recebeu 20 prêmios, com destaque para o VII Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º e 3º lugar na categoria webjornalismo em 2023); Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º lugar Internet em 2017 e 2016);Prêmio Sistema Fiep de Jornalismo (1º lugar Internet – 2014 e 3º lugar Internet – 2015); Melhor Jornalista de Economia do Paraná concedido pelo Conselho Regional de Economia do Paraná (agosto de 2010); Prêmio Associação Comercial do Paraná de Jornalismo de Economia (outubro de 2010), Destaque do Jornalismo Econômico do Paraná -Shopping Novo Batel (março de 2011). Em dezembro de 2009 ganhou o prêmio Destaque em Radiodifusão nos Melhores do Ano do jornal Diário Popular. Demais prêmios: Prêmio Ceag de Jornalismo, Centro de Apoio à Pequena e Média Empresa do Paraná, atual Sebrae (1987), Prêmio Cidade de Curitiba na categoria Jornalismo Econômico da Câmara Municipal de Curitiba (1990), Prêmio Qualidade Paraná, da International, Exporters Services (1991), Prêmio Abril de Jornalismo, Editora Abril (1992), Prêmio destaque de Jornalismo Econômico, Fiat Allis (1993), Prêmio Mercosul e o Paraná, Federação das Indústrias do Estado do Paraná (1995), As mulheres pioneiras no jornalismo do Paraná, Conselho Estadual da Mulher do Paraná (1996), Mulher de Destaque, Câmara Municipal de Curitiba (1999), Reconhecimento profissional, Sindicato dos Engenheiros do Estado do Paraná (2005), Reconhecimento profissional, Rotary Club de Curitiba Gralha Azul (2005).Faz parte da publicação “Jornalistas Brasileiros – Quem é quem no Jornalismo de Economia”, livro organizado por Eduardo Ribeiro e Engel Paschoal que traz os maiores nomes do Jornalismo Econômico brasileiro.

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