Apenas 28% dos brasileiros acreditam que conseguirão se aposentar até os 60 anos

Apenas 28% dos brasileiros acreditam que conseguirão se aposentar até os 60 anos

Idade esperada para a aposentadoria reforça a importância do planejamento financeiro e previdenciário

Apenas 28% dos brasileiros acreditam que conseguirão se aposentar até os 60 anos, embora 59% desejem encerrar a vida profissional até essa idade. Os dados são da pesquisa “Percepção dos Brasileiros sobre Proteção e Planejamento”, realizada pelo Datafolha a pedido da Fenaprevi, e mostram a distância entre a idade em que os brasileiros gostariam de se aposentar e aquela que acreditam ser possível.

O levantamento também aponta que 65% dos entrevistados não sabem quanto devem receber do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) na aposentadoria.

Para Marcos Eduardo Ferreira, especialista em longevidade, pós-carreira e mercado securitário, o aumento da expectativa de vida mudou a forma como a aposentadoria precisa ser encarada.

“Quando falamos em aposentadoria hoje, estamos falando de uma fase que pode durar décadas. Por isso, o planejamento não pode considerar apenas o momento de parar de trabalhar, mas como essa pessoa pretende viver e quais recursos terá disponíveis ao longo desse período.”, afirma Ferreira.

Segundo ele, questões como moradia, saúde, lazer e apoio à família devem entrar na conta. A pesquisa mostra que 61% dos entrevistados são os principais provedores financeiros do lar, sendo 36% os únicos responsáveis pelas despesas e 25% responsáveis por mais da metade delas.

No aspecto previdenciário, outro ponto de atenção é o próprio histórico de contribuições. Para Gabriel Barros, diretor da SF Barros Contabilidade, muitos trabalhadores só procuram entender sua situação quando já estão próximos de solicitar a aposentadoria.

“Antes de pensar em quanto falta para se aposentar, é importante entender o que já foi construído. Conferir o Cadastro Nacional de Informações Sociais (CNIS), verificar se todos os vínculos e contribuições estão registrados e identificar eventuais pendências são passos importantes para evitar surpresas quando chegar o momento de solicitar o benefício.”, orienta Barros.

“O CNIS reúne informações sobre vínculos empregatícios e contribuições previdenciárias. Inconsistências nesses registros podem afetar o tempo de contribuição reconhecido pelo INSS e consequentemente, a análise do benefício.” completa o diretor.

Principal fonte de renda

Seguindo a mesma pesquisa, o INSS continua sendo a principal fonte esperada de renda após a saída do mercado de trabalho, citado por 38% dos entrevistados. Ao mesmo tempo, o crescimento da parcela que já possui ou pretende construir uma reserva financeira desde 2021 indica uma preocupação maior em complementar essa renda e reduzir a dependência de uma única fonte.

“O uso da renda proveniente da venda ou do aluguel de propriedades também vem crescendo lentamente, o patrimônio imobiliário aparece como uma alternativa para financiar a aposentadoria. O imóvel é considerado uma possível fonte de fluxo de caixa no futuro.” diz Gabriel.

Para Marcos, o planejamento envolve diferentes fontes de recursos e estratégias construídas ao longo da vida para garantir maior previsibilidade financeira após a saída do mercado de trabalho.

“Vale questionar-se de onde virá o dinheiro para manter minha vida quando eu não estiver mais trabalhando? Quanto antes essa conta for feita, mais opções a pessoa terá para construir essa renda.” complementa Marcos.

A pesquisa mostra ainda que 82% dos brasileiros não possuem seguro de vida. Entre os que não têm o produto, 35% apontam o custo como uma das razões para não contratar, mas, entre aqueles que consideram o seguro caro, 45% admitem que não conhecem os custos reais e apenas supõem que o produto seja inacessível.

Para os especialistas, o planejamento previdenciário e financeiro devem caminhar juntos. “Quanto mais cedo a pessoa entende sua situação e começa a organizar as finanças, mais possibilidades ela tem de fazer ajustes e chegar ao pós-carreira com mais tranquilidade.”, conclui Ferreira.

Crédito da imagem: Divulgação

Mirian Gasparin

Mirian Gasparin, natural de Curitiba, é formada em Comunicação Social com habilitação em Jornalismo pela Universidade Federal do Paraná e pós-graduada em Finanças Corporativas pela Universidade Federal do Paraná.Profissional com experiência de 50 anos na área de jornalismo, sendo 48 somente na área econômica, com trabalhos pela Rádio Cultura de Curitiba, Jornal Indústria & Comércio e Jornal Gazeta do Povo. Também foi assessora de imprensa das Secretarias de Estado da Fazenda, da Indústria, Comércio e Desenvolvimento Econômico e da Comunicação Social.Desde abril de 2006 é colunista de Negócios da Rádio BandNews Curitiba e escreveu para a revista Soluções do Sebrae/PR. Também é professora titular nos cursos de Jornalismo e Ciências Contábeis da Universidade Tuiuti do Paraná. Ministra cursos para empresários e executivos de empresas paranaenses, de São Paulo e Rio de Janeiro sobre Comunicação e Língua Portuguesa e faz palestras sobre Investimentos.Em julho de 2007 veio um novo desafio profissional, com o blog de Economia no Portal Jornale. Em abril de 2013 passou a ter um blog de Economia no portal Jornal e Notícias. E a partir de maio de 2014, quando completou 40 anos de jornalismo, lançou seu blog independente. Nestes 16 anos de blog, mais de 35 mil matérias foram postadas.Ao longo de sua carreira recebeu 20 prêmios, com destaque para o VII Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º e 3º lugar na categoria webjornalismo em 2023); Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º lugar Internet em 2017 e 2016);Prêmio Sistema Fiep de Jornalismo (1º lugar Internet – 2014 e 3º lugar Internet – 2015); Melhor Jornalista de Economia do Paraná concedido pelo Conselho Regional de Economia do Paraná (agosto de 2010); Prêmio Associação Comercial do Paraná de Jornalismo de Economia (outubro de 2010), Destaque do Jornalismo Econômico do Paraná -Shopping Novo Batel (março de 2011). Em dezembro de 2009 ganhou o prêmio Destaque em Radiodifusão nos Melhores do Ano do jornal Diário Popular. Demais prêmios: Prêmio Ceag de Jornalismo, Centro de Apoio à Pequena e Média Empresa do Paraná, atual Sebrae (1987), Prêmio Cidade de Curitiba na categoria Jornalismo Econômico da Câmara Municipal de Curitiba (1990), Prêmio Qualidade Paraná, da International, Exporters Services (1991), Prêmio Abril de Jornalismo, Editora Abril (1992), Prêmio destaque de Jornalismo Econômico, Fiat Allis (1993), Prêmio Mercosul e o Paraná, Federação das Indústrias do Estado do Paraná (1995), As mulheres pioneiras no jornalismo do Paraná, Conselho Estadual da Mulher do Paraná (1996), Mulher de Destaque, Câmara Municipal de Curitiba (1999), Reconhecimento profissional, Sindicato dos Engenheiros do Estado do Paraná (2005), Reconhecimento profissional, Rotary Club de Curitiba Gralha Azul (2005).Faz parte da publicação “Jornalistas Brasileiros – Quem é quem no Jornalismo de Economia”, livro organizado por Eduardo Ribeiro e Engel Paschoal que traz os maiores nomes do Jornalismo Econômico brasileiro.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *