Vendas no varejo para o Dia das Crianças devem chegar a R$ 9,27 bilhões em 2026

Vendas no varejo para o Dia das Crianças devem chegar a R$ 9,27 bilhões em 2026

Setor prevê crescimento de 1,8% em comparação a 2025, com juros e endividamento recorde limitando avanço mais expressivo na data

As vendas para o Dia das Crianças de 2026 deve registrar uma movimentação financeira de R$ 9,27 bilhões no varejo brasileiro. Caso confirmada, a estimativa, feita pela Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC) e divulgada nesta terça-feira (6), representará um avanço de 1,8% no volume de transações em relação à mesma data do ano passado, quando o comércio movimentou R$ 9,11 bilhões. Com esse faturamento, a celebração repete o histórico de ser o quarto evento mais relevante do calendário de datas sazonais do varejo nacional.

Assim como no ano passado, o segmento de artigos de uso pessoal e doméstico, que concentra a venda de brinquedos, será o grande destaque. O setor deverá responder por 39% do volume projetado, o que equivale a R$ 3,62 bilhões. Os ramos de hiper e supermercados aparecem logo em seguida, concentrando 28% das vendas (R$ 2,63 bilhões), acompanhados pelo segmento de vestuário e acessórios, que deve faturar R$ 1,35 bilhão, representando 15% do total.

O presidente do Sistema CNC-Sesc-Senac, José Roberto Tadros, destaca que o atual cenário de crédito e endividamento das famílias ainda representa um desafio para o consumo, mas observa sinais que renovam as perspectivas do setor.

“Entramos na reta final do ano, um período tradicionalmente importante para o comércio e o turismo. Embora o ambiente ainda exija cautela de empresários e consumidores, a trajetória de redução da taxa de juros, mesmo que tardia, fortalece a confiança em condições mais favoráveis para o crescimento, o investimento e a geração de empregos. A expectativa é que o Dia das Crianças impulsione bons resultados para as empresas e contribua para dinamizar a economia, criando um ambiente mais propício neste último trimestre”, avalia Tadros.

Juros e inadimplência freiam consumo

Apesar do crescimento projetado e do quadro ainda favorável do mercado de trabalho, o avanço nas vendas esbarra no atual ciclo de aperto monetário. A maior taxa básica de juros em quase 20 anos inibe uma expansão mais acelerada. Para o consumidor, a taxa média encontra-se em 61,7% ao ano, o maior patamar para meses de agosto desde 2016.

O maior peso na contratação de empréstimos produz impactos diretos: o percentual de famílias endividadas chegou a 82%, o maior nível da série histórica da pesquisa da CNC, iniciada em 2010. O levantamento aponta ainda que 29,9% das famílias possuem contas em atraso. Paralelamente, a taxa de inadimplência das operações de crédito às pessoas físicas atingiu 8,01%, o teto da série iniciada em 2011. Com a lenta flexibilização da política monetária, a desaceleração do consumo de bens financiáveis deve perdurar na segunda metade do ano.

“Este movimento aponta a manutenção de uma tendência que vemos há alguns anos no varejo: um crescimento baixo, sustentado pelo bom índice de população empregada e aumento da massa real de rendimentos e sufocado pela alta taxa de juros e o custo restritivo do crédito”, analisa o economista-chefe da CNC, Fabio Bentes.

Comportamento dos preços e inflação dos presentes

A inflação, ainda em patamares elevados, reflete-se diretamente no preço dos presentes. O preço médio da cesta composta por 11 grupos de bens e serviços ligados à data apresenta variação de 6,7% em relação ao Dia das Crianças de 2025. Embora represente uma desaceleração ante os 8,9% registrados no ano passado, o índice geral avança, puxado por itens de alta demanda.

A maior alta foi registrada nos chocolates, que subiram 19,3%. Na sequência, aparecem os videogames (+11,2%), os lanches (+8%) e os brinquedos (+7,1%). Por outro lado, quem optar por presentear com roupas encontrará um cenário mais ameno: artigos de vestuário tendem a registrar variações menores, na faixa de 4%.

Mirian Gasparin

Mirian Gasparin, natural de Curitiba, é formada em Comunicação Social com habilitação em Jornalismo pela Universidade Federal do Paraná e pós-graduada em Finanças Corporativas pela Universidade Federal do Paraná.Profissional com experiência de 52 anos na área de jornalismo, sendo 50 somente na área econômica, com trabalhos pela Rádio Cultura de Curitiba, Jornal Indústria & Comércio e Jornal Gazeta do Povo. Também foi assessora de imprensa das Secretarias de Estado da Fazenda, da Indústria, Comércio e Desenvolvimento Econômico e da Comunicação Social.Desde abril de 2006 é colunista de Negócios da Rádio BandNews Curitiba e escreveu para a revista Soluções do Sebrae/PR. Há 25 anos é professora titular do curso de Jornalismo da Universidade Tuiuti do Paraná. Ministra cursos para empresários e executivos de empresas do Paraná, São Paulo e Rio de Janeiro sobre Comunicação e Língua Portuguesa e faz palestras sobre Investimentos.Em julho de 2007 veio um novo desafio profissional, com o blog de Economia no Portal Jornale. Em abril de 2013 passou a ter um blog de Economia no portal Jornal e Notícias. E a partir de maio de 2014, quando completou 40 anos de jornalismo, lançou seu blog independente. Nestes 19 anos de blog, mais de 50 mil matérias foram postadas.Ao longo de sua carreira recebeu 21 prêmios, com destaque para Embrapa Floresta (Menção Honrosa em 2025); VII Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º e 3º lugar na categoria webjornalismo em 2023); Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º lugar Internet em 2017 e 2016);Prêmio Sistema Fiep de Jornalismo (1º lugar Internet – 2014 e 3º lugar Internet – 2015); Melhor Jornalista de Economia do Paraná concedido pelo Conselho Regional de Economia do Paraná (agosto de 2010); Prêmio Associação Comercial do Paraná de Jornalismo de Economia (outubro de 2010), Destaque do Jornalismo Econômico do Paraná -Shopping Novo Batel (março de 2011). Em dezembro de 2009 ganhou o prêmio Destaque em Radiodifusão nos Melhores do Ano do jornal Diário Popular. Demais prêmios: Prêmio Ceag de Jornalismo, Centro de Apoio à Pequena e Média Empresa do Paraná, atual Sebrae (1987), Prêmio Cidade de Curitiba na categoria Jornalismo Econômico da Câmara Municipal de Curitiba (1990), Prêmio Qualidade Paraná, da International, Exporters Services (1991), Prêmio Abril de Jornalismo, Editora Abril (1992), Prêmio destaque de Jornalismo Econômico, Fiat Allis (1993), Prêmio Mercosul e o Paraná, Federação das Indústrias do Estado do Paraná (1995), As mulheres pioneiras no jornalismo do Paraná, Conselho Estadual da Mulher do Paraná (1996), Mulher de Destaque, Câmara Municipal de Curitiba (1999), Reconhecimento profissional, Sindicato dos Engenheiros do Estado do Paraná (2005), Reconhecimento profissional, Rotary Club de Curitiba Gralha Azul (2005).Faz parte da publicação “Jornalistas Brasileiros – Quem é quem no Jornalismo de Economia”, livro organizado por Eduardo Ribeiro e Engel Paschoal que traz os maiores nomes do Jornalismo Econômico brasileiro.

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