Reforma tributária entra no centro da disputa eleitoral e Split Payment vira ponto de atenção para empresas

Reforma tributária entra no centro da disputa eleitoral e Split Payment vira ponto de atenção para empresas

Com novo modelo de tributação sobre o consumo já em implementação, decisões do próximo governo poderão afetar regulamentação, cronograma e impacto da reforma sobre empresas e consumidores

A reforma tributária sobre o consumo deve ser um dos principais desafios econômicos do próximo governo. Com Lula (PT) e Flávio Bolsonaro (PL) no segundo turno, as propostas das duas campanhas podem influenciar a condução de uma mudança que já saiu do campo das discussões e entrou em fase de implementação. Para empresas, o cenário exige atenção não apenas às alíquotas, mas também à forma como os novos tributos serão calculados, recolhidos e repassados ao longo da cadeia.

“O próximo governo terá pouca margem para simplesmente ignorar o que já foi construído, mas poderá influenciar a regulamentação e o ritmo da transição. A reforma já entrou em uma fase em que o debate deixa de ser apenas sobre a aprovação das regras e passa a envolver a forma como elas serão efetivamente implementadas”, afirma Mérces da Silva Nunes, sócia do Silva Nunes Advogados e especialista em Direito Tributário.

Um dos mecanismos que ganha destaque nesse processo é o Split Payment, modelo pelo qual o valor do tributo é separado do pagamento feito pelo adquirente e direcionado automaticamente ao Fisco, enquanto o restante é destinado ao fornecedor. A proposta busca aumentar a eficiência da arrecadação e reduzir a sonegação, mas também pode provocar mudanças relevantes na gestão financeira das empresas, especialmente em relação ao fluxo de caixa e à operação dos sistemas de pagamento.

“O Split Payment é um exemplo claro desse desafio. Ao separar automaticamente o valor do tributo no momento do pagamento, o mecanismo pode aumentar a eficiência da arrecadação e reduzir a sonegação, mas também muda a dinâmica financeira das empresas. O ponto central será garantir que essa retenção não gere um problema de fluxo de caixa para quem está na ponta da operação”, explica a advogada.

O tema ganhou espaço na campanha eleitoral após a porta-voz econômica de Flávio Bolsonaro, Daniella Marques, defender o fim do mecanismo.

Custo de adaptação

Outro ponto de atenção será o custo de adaptação das empresas ao novo sistema. A reforma envolve mudanças em sistemas, contratos, formação de preços, emissão de documentos fiscais e planejamento financeiro. “Independentemente de quem vencer a eleição, eventuais mudanças na reforma precisam considerar o custo de adaptação que já está sendo assumido pelas empresas. Alterar regras no meio da transição sem previsibilidade pode significar novos investimentos em sistemas, processos e contratos, além de aumentar a insegurança jurídica”, avalia Mérces.

Para ela, o desafio do próximo governo será conduzir eventuais ajustes sem comprometer a previsibilidade necessária durante a transição. “A disputa eleitoral pode definir prioridades e ajustes na condução da reforma, mas não deveria transformar a transição tributária em uma ruptura. Para empresas e consumidores, o mais importante é ter clareza sobre as regras, previsibilidade para se adaptar e segurança de que o modelo não será alterado de forma abrupta”, conclui.

Mirian Gasparin

Mirian Gasparin, natural de Curitiba, é formada em Comunicação Social com habilitação em Jornalismo pela Universidade Federal do Paraná e pós-graduada em Finanças Corporativas pela Universidade Federal do Paraná.Profissional com experiência de 52 anos na área de jornalismo, sendo 50 somente na área econômica, com trabalhos pela Rádio Cultura de Curitiba, Jornal Indústria & Comércio e Jornal Gazeta do Povo. Também foi assessora de imprensa das Secretarias de Estado da Fazenda, da Indústria, Comércio e Desenvolvimento Econômico e da Comunicação Social.Desde abril de 2006 é colunista de Negócios da Rádio BandNews Curitiba e escreveu para a revista Soluções do Sebrae/PR. Há 25 anos é professora titular do curso de Jornalismo da Universidade Tuiuti do Paraná. Ministra cursos para empresários e executivos de empresas do Paraná, São Paulo e Rio de Janeiro sobre Comunicação e Língua Portuguesa e faz palestras sobre Investimentos.Em julho de 2007 veio um novo desafio profissional, com o blog de Economia no Portal Jornale. Em abril de 2013 passou a ter um blog de Economia no portal Jornal e Notícias. E a partir de maio de 2014, quando completou 40 anos de jornalismo, lançou seu blog independente. Nestes 19 anos de blog, mais de 50 mil matérias foram postadas.Ao longo de sua carreira recebeu 21 prêmios, com destaque para Embrapa Floresta (Menção Honrosa em 2025); VII Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º e 3º lugar na categoria webjornalismo em 2023); Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º lugar Internet em 2017 e 2016);Prêmio Sistema Fiep de Jornalismo (1º lugar Internet – 2014 e 3º lugar Internet – 2015); Melhor Jornalista de Economia do Paraná concedido pelo Conselho Regional de Economia do Paraná (agosto de 2010); Prêmio Associação Comercial do Paraná de Jornalismo de Economia (outubro de 2010), Destaque do Jornalismo Econômico do Paraná -Shopping Novo Batel (março de 2011). Em dezembro de 2009 ganhou o prêmio Destaque em Radiodifusão nos Melhores do Ano do jornal Diário Popular. Demais prêmios: Prêmio Ceag de Jornalismo, Centro de Apoio à Pequena e Média Empresa do Paraná, atual Sebrae (1987), Prêmio Cidade de Curitiba na categoria Jornalismo Econômico da Câmara Municipal de Curitiba (1990), Prêmio Qualidade Paraná, da International, Exporters Services (1991), Prêmio Abril de Jornalismo, Editora Abril (1992), Prêmio destaque de Jornalismo Econômico, Fiat Allis (1993), Prêmio Mercosul e o Paraná, Federação das Indústrias do Estado do Paraná (1995), As mulheres pioneiras no jornalismo do Paraná, Conselho Estadual da Mulher do Paraná (1996), Mulher de Destaque, Câmara Municipal de Curitiba (1999), Reconhecimento profissional, Sindicato dos Engenheiros do Estado do Paraná (2005), Reconhecimento profissional, Rotary Club de Curitiba Gralha Azul (2005).Faz parte da publicação “Jornalistas Brasileiros – Quem é quem no Jornalismo de Economia”, livro organizado por Eduardo Ribeiro e Engel Paschoal que traz os maiores nomes do Jornalismo Econômico brasileiro.

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