Cupons deixam de ser apenas desconto e passam a influenciar decisão de compra

Cupons deixam de ser apenas desconto e passam a influenciar decisão de compra

80% dos consumidores optam por lojas que oferecem cupons

Os cupons de desconto estão deixando de ocupar apenas o papel de benefício promocional e passando a interferir diretamente na decisão de compra dos brasileiros. Pesquisa realizada pela Serasa em parceria com o Opinion Box mostra que 80% dos consumidores consideram a existência de cupons ao escolher onde comprar, enquanto 64% afirmam já ter adquirido um produto que não estava nos planos por causa de um desconto. O levantamento também aponta que 73% já desistiram de uma compra por não encontrarem um cupom válido no momento do checkout.

Para Gabriel Segers, cofundador e CEO da SplitC, empresa especializada em automação de remuneração variável, o comportamento revela uma mudança na função dos incentivos dentro das estratégias comerciais. “O cupom deixa de ser apenas uma redução de preço quando passa a interferir na decisão de comprar, escolher uma loja ou antecipar uma aquisição. Nesse momento, ele começa a funcionar como um mecanismo de incentivo, com impacto sobre o comportamento do consumidor e sobre o resultado da operação”, afirma.

O levantamento da Serasa mostra ainda que 36% dos brasileiros utilizam cupons pelo menos uma vez por mês e 70% afirmam economizar mensalmente com esse tipo de benefício. Entre os usuários, 69% apontam a economia direta como principal motivação para utilizar os cupons, enquanto 44% associam marcas que oferecem esse tipo de vantagem a uma percepção de maior acessibilidade e proximidade com o consumidor.

Datas duplas concentram campanhas de descontos

O movimento acontece ao mesmo tempo em que o calendário promocional do comércio eletrônico se tornou mais distribuído ao longo do ano. As chamadas datas duplas, como 9.9, 10.10 e 11.11, passaram a concentrar campanhas de descontos, cupons e vantagens por tempo limitado. A Shopee, que ajudou a popularizar esse formato no Brasil, mantém essas datas em seu calendário promocional e afirma que já realizou mais de 68 campanhas do tipo no país.

Essa mudança amplia a importância da mecânica por trás de um incentivo. Para Segers, oferecer uma recompensa não garante, por si só, que ela produza o comportamento esperado.

“O incentivo precisa estar conectado à ação que a empresa quer estimular e ser simples o suficiente para que o consumidor entenda o que precisa fazer e qual benefício receberá. Quando essa relação fica clara, o desconto deixa de ser apenas uma vantagem financeira e passa a participar da própria lógica da compra”, explica o CEO da SplitC .

Recompensa X Resultado esperado

A mesma lógica aparece dentro das empresas, onde campanhas comerciais, metas, bonificações e comissões são utilizadas para orientar comportamentos. Embora os públicos e objetivos sejam diferentes, a estrutura do incentivo guarda uma característica comum: a recompensa precisa estar relacionada de maneira compreensível ao resultado esperado. No caso dos cupons, a resposta do consumidor também produz informações que podem ser utilizadas para entender quais ofertas geram conversão, quais produtos despertam compras não planejadas e quais benefícios interferem na escolha do canal de compra.

Esse cenário também coloca um limite para a estratégia baseada apenas em desconto. Se o consumidor passa a esperar continuamente uma recompensa para concluir uma compra, o incentivo pode deixar de funcionar como diferencial e se tornar parte da expectativa normal de consumo. Para empresas, isso aumenta a importância de avaliar não apenas o volume de utilizações de um cupom, mas o comportamento gerado depois dele, como recorrência, valor da compra e relação com a marca.

A discussão ganha relevância com a aproximação do período de maior concentração promocional do varejo. Mais do que disputar atenção com descontos cada vez maiores, as empresas precisam entender qual comportamento estão tentando estimular e se o incentivo escolhido está produzindo esse resultado. Para Segers, essa é a diferença entre uma promoção que apenas reduz preço e uma estratégia de incentivo propriamente dita.

“O sucesso de um incentivo não deveria ser medido somente por quantas pessoas participaram. É preciso entender o que mudou no comportamento depois da recompensa e se aquilo trouxe o resultado que a empresa buscava. Essa lógica vale para o consumidor e também para as equipes comerciais”, conclui.

Mirian Gasparin

Mirian Gasparin, natural de Curitiba, é formada em Comunicação Social com habilitação em Jornalismo pela Universidade Federal do Paraná e pós-graduada em Finanças Corporativas pela Universidade Federal do Paraná.Profissional com experiência de 52 anos na área de jornalismo, sendo 50 somente na área econômica, com trabalhos pela Rádio Cultura de Curitiba, Jornal Indústria & Comércio e Jornal Gazeta do Povo. Também foi assessora de imprensa das Secretarias de Estado da Fazenda, da Indústria, Comércio e Desenvolvimento Econômico e da Comunicação Social.Desde abril de 2006 é colunista de Negócios da Rádio BandNews Curitiba e escreveu para a revista Soluções do Sebrae/PR. Há 25 anos é professora titular do curso de Jornalismo da Universidade Tuiuti do Paraná. Ministra cursos para empresários e executivos de empresas do Paraná, São Paulo e Rio de Janeiro sobre Comunicação e Língua Portuguesa e faz palestras sobre Investimentos.Em julho de 2007 veio um novo desafio profissional, com o blog de Economia no Portal Jornale. Em abril de 2013 passou a ter um blog de Economia no portal Jornal e Notícias. E a partir de maio de 2014, quando completou 40 anos de jornalismo, lançou seu blog independente. Nestes 19 anos de blog, mais de 50 mil matérias foram postadas.Ao longo de sua carreira recebeu 21 prêmios, com destaque para Embrapa Floresta (Menção Honrosa em 2025); VII Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º e 3º lugar na categoria webjornalismo em 2023); Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º lugar Internet em 2017 e 2016);Prêmio Sistema Fiep de Jornalismo (1º lugar Internet – 2014 e 3º lugar Internet – 2015); Melhor Jornalista de Economia do Paraná concedido pelo Conselho Regional de Economia do Paraná (agosto de 2010); Prêmio Associação Comercial do Paraná de Jornalismo de Economia (outubro de 2010), Destaque do Jornalismo Econômico do Paraná -Shopping Novo Batel (março de 2011). Em dezembro de 2009 ganhou o prêmio Destaque em Radiodifusão nos Melhores do Ano do jornal Diário Popular. Demais prêmios: Prêmio Ceag de Jornalismo, Centro de Apoio à Pequena e Média Empresa do Paraná, atual Sebrae (1987), Prêmio Cidade de Curitiba na categoria Jornalismo Econômico da Câmara Municipal de Curitiba (1990), Prêmio Qualidade Paraná, da International, Exporters Services (1991), Prêmio Abril de Jornalismo, Editora Abril (1992), Prêmio destaque de Jornalismo Econômico, Fiat Allis (1993), Prêmio Mercosul e o Paraná, Federação das Indústrias do Estado do Paraná (1995), As mulheres pioneiras no jornalismo do Paraná, Conselho Estadual da Mulher do Paraná (1996), Mulher de Destaque, Câmara Municipal de Curitiba (1999), Reconhecimento profissional, Sindicato dos Engenheiros do Estado do Paraná (2005), Reconhecimento profissional, Rotary Club de Curitiba Gralha Azul (2005).Faz parte da publicação “Jornalistas Brasileiros – Quem é quem no Jornalismo de Economia”, livro organizado por Eduardo Ribeiro e Engel Paschoal que traz os maiores nomes do Jornalismo Econômico brasileiro.

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