Alteração nos cálculos da poupança gera dúvidas no setor imobiliário

O assunto mais comentado nesta sexta-feira (4) nos meios econômicos e financeiros, sem dúvida alguma, é a mudança nos cálculos de rendimento da caderneta de poupança. Enquanto que para as aplicações já existentes nada mudará, para os novos poupadores, sempre que a taxa básica de juro for igual ou inferior a 8,5% ao ano, os novos depósitos serão corrigidos em 70% da Selic.

A grande dúvida neste momento é  como ficará o crédito imobiliário, mas que certamente passará por mudanças. በque como as novas aplicações passarão a ser corrigidas por um percentual da Selic, os financiamentos terão de ter taxas variáveis de correção. O governo descarta mudanças, alegando que, quando a Selic chegar a 8,5% e a TR zerar automaticamente, incidirá sobre os contratos de crédito imobiliário o juro previamente pactuado. O problema é que, sem alteração nos contratos, há risco de descasamento entre passivos e ativos, uma vez que a remuneração da aplicação  oscilaria conforme a taxa Selic, enquanto a taxa cobrada do mutuário permaneceria fixa. Outro receio é que com a queda de rendimento, os recursos da poupança possam migrar para outras aplicações e reduzir a oferta de crédito para financiar imóveis.

Eu conversei há pouco com o presidente da Associação dos Dirigentes do Mercado Imobiliário do Paraná (Ademi/PR), o empresário Gustavo Selig, e ele me disse que no curto prazo, as novas medidas não devem trazer alterações para o crédito imobiliário, mas se houver uma diminuição dos depósitos em poupança, os bancos buscarão outras alternativas de recursos, certamente mais caras, o que pode encarecer os financiamentos imobiliários.

Por outro, lado, o presidente da Ademi prevê que o investidor mais conservador voltará a aplicar em imóveis, uma vez que os ganhos com aluguel serão superiores ao rendimento da poupança. Com as novas regras, se a Selic cair para 8,5% ao ano, o ganho anual da poupança ficará em 5,95% . Já a rentabilidade de um imóvel alugado girará em torno de 10% a 12% ao ano.

Soma

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *